FC Porto 2-1 FC Paços de Ferreira: Dragões de cara lavada

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A CRÓNICA: «CASTORES» SEM RESPOSTA PARA DOMÍNIO PORTISTA

O FC Porto recebeu o FC Paços de Ferreira e venceu por 2-1, numa partida marcada pelo controlo portista e pela impotência do meio campo pacense.

Após a derrota pesada diante o Liverpool FC era imperativo o FC Porto vencer e, essencialmente, mostrar uma faceta diferente da que havia mostrado a meio da semana. Esta tal faceta diferente foi transportada para dentro de campo, e apenas o resultado – pela margem miníma – não traduz a boa exibição azul e branca.

O desagrado de Sérgio Conceição perante a exibição pobre na Champions League foi evidente, e perspetivava mudanças no 11. Assim foi: entrou Vitinha, Francisco Conceição, Wendell, Pepe (recuperado de lesão), João Mário e Evanilson. Ou seja, seis alterações, cerca de meia equipa! Do lado do Paços de Ferreira destaque para o regresso de Eustáquio.

O começo não podia ter sido mais danoso para a equipa da casa. Depois de uma boa entrada na partida – mais posse, mais oportunidades de perigo – o FC Porto sofreu um golo após uma perda de bola que deixou por duas vezes os jogadores do Paços de Ferreira em excelente posição para marcar. Primeiro, Diogo Costa defendeu o remate de Lucas Silva, mas depois, e já sem ninguém na baliza, Nuno Santos aproveitou para inaugurar o marcador. Balde de água fria no Dragão, 0-1 para o FC Paços de Ferreira.

Depois do golo, a resposta azul e branca foi como se esperava: rápida, forte e afirmativa. O FC Paços de Ferreira encolheu, baixou as linhas e limitou-se a defender, enquanto o FC Porto – guiado pelas conduções de Francisco Conceição e pela variabilidade de recursos de Taremi – ia aproveitando para assustar os «castores».

Os minutos iam passando, e os sustos não passavam disso, de meros susto. Isto é, até ao minuto 44, quando Luiz Díaz aproveitou uma sobra da defesa forasteira para empurrar para o empate. 1-1 na ida para os balneários, com a sensação de um FC Porto por cima do jogo e sempre mais perto da baliza de André Ferreira.

Início da segunda parte, mesmos protagonistas, e a toada do jogo a não se alterar. A equipa da casa trouxe a determinação do final do primeiro tempo e voltou a sorrir, sem antes fazer a baliza pacense tremer. Evanilson num canto mandou ao poste, e no minuto seguinte Wendell – também após um pontapé de canto – estreou-se a marcar com um golaço de levantar o estádio. FC Porto a fazer justiça no marcador e a colocar-se na frente pela primeira vez: 2-1.

Até final os dragões controlaram a partida com e sem bola – inclusive obtiveram chances para ampliar o marcador – sofreram, mas podem, de cara lavada, respirar de alívio com os três pontos na mão.

A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mehdi Taremi – Não marcou, nem executou uma assistência sequer, mas o papel do avançado alterou-se e não desiludiu. Impressionante a variabilidade de recursos que apresenta e a forma como aparece entrelinhas para ligar o último terço portista. Destaque também para a boa exibição (mais uma) de Luis Díaz e de Wendell.

 

O FORA DE JOGO
Fonte: FC Paços de Ferreira

Stephen Eustáquio – Jorge Simão, na verdade, podia ser o fora de jogo porque, no fundo, é ele o principal responsável pela má exibição do internacional canadiano. O médio esteve desaparecido do jogo, raras vezes teve oportunidade de construir jogo, pausar e fazer a equipa pacense ‘andar para a frente’. Ainda assim, de sublinhar que a culpa é mais do processo coletivo do que necessariamente do jogador em si.

 

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Muitas novidades, e um sistema ligeiramente diferente. A equipa orientada por Sérgio Conceição alinhou num 4-4-2, que na prática se desmembrava num 4-2-3-1. A presença de Taremi no meio campo acabou inclusive por ser a maior surpresa da noite, com o iraniano a funcionar como o terceiro médio e o principal jogador a ligar o meio campo com o ataque.

O ponta de lança revelou ser determinante nestas ações pela forma como apresenta variabilidade de recursos, quer de costas, quer de frente.

Outro jogador que também apresentou uma nuance diferente no jogo do FC Porto foi Francisco Conceição. Jogou, assim como Otávio, entrelinhas e em posições mais interiores, no entanto, desde cedo se notou que com bola trás coisas diferentes ao jogo. A sua irreverência e facilidade no 1×1 colocou a defensiva pacense em sentinela.

Perto do fim, o FC Porto alterou a estrutura para um 4-3-3 denunciado com três peças no meio campo e Taremi a servir como referência no ataque portista.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (6)

João Mário (6)

Pepe (6)

Marcano (6)

Wendell (8)

Matheus Uribe (6)

Vitinha (8)

Luis Díaz (8)

Francisco Conceição (7)

Evanilson (6)

Mehdi Taremi (8)

SUBS UTILIZADOS

Pepê (6)

Sérgio Oliveira (6)

Toni Martinez (-)

Wilson Manafá (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA

A equipa orientada por Jorge Simão alinhou no seu habitual 4-3-3, que acabou por se transformar num 4-4-2 (pela quantidade de tempo que o FC Paços de Ferreira jogava em organização defensiva) com um dos médios interiores (Nuno Santos) a exercer pressão na primeira fase de construção azul e branca.

Compactos a defender e cínicos no contra golpe, o FC Paços de Ferreira demonstrou um posicionamento exímio dentro de campo. Desde a defesa até à zona de ataque, a equipa forasteira raramente perdia a noção posicional dentro de campo. Ainda assim, faltou alguma capacidade de gerir a bola – mesmo com Eustáquio dentro de campo – sendo que tal se tenha revelado fulcral para a falta de criação de oportunidades ao longo de todo o jogo.

Após o 2-1 Jorge Simão poucas soluções apresentou para sair do Dragão com outro resultado.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

André Ferreira (7)

Uilton (4)

Marco Baixinho (6)

Maracás (6)

Antunes (6)

Luiz Carlos (5)

Eustáquio (4)

Nuno Santos (7)

Hélder Ferreira (5)

Lucas Silva (6)

Deni Jr. (5)

SUBS UTILIZADOS

Abbas Ibrahim (-)

Matchoi Djaló (5)

Juan Delgado (6)

João Pedro (6)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

BnR: Boa noite mister, gostaria de lhe perguntar sobre o papel de Mehdi Taremi no jogo de hoje, ele que atuou praticamente como um terceiro médio e foi o homem que invariavelmente ligou o meio campo ao ataque, e se considera que isso acabou por ser um dos fatores chave para criar superioridade perante um Paços de Ferreira tão fechado e com linhas tão juntas.

Sérgio Conceição: «Sim sim, é uma observação interessante porque foi exatamente isso que se passou, quisemos no Mehdi que pisasse outro espaço, não dando referência aquilo que era o corredor central do Paços. Tivemos também a permuta entre o Luis Díaz no corredor esquerdo, muitas vezes o Wendell por dentro, o Francisco largo e João Mário por dentro. Independentemente de ser o lateral, o ala, o médio ofensivo ou o avançado, o importante é a ocupação do espaço, não só para quem tem bola para ter essa solução constante, mas também na perda da bola e para estarmos preparados na reação e acho que estivemos muito bem nesse sentido».

 

FC Paços de Ferreira

BnR: Boa noite mister, falou na antevisão que iria ser ambicioso e tentar dominar o jogo. Mas pergunto-lhe, sente que com um meio campo com jogadores das características do Eustáquio ou Luiz Carlos, o FC Paços de Ferreira não podia apresentar outras soluções em jogo posicional ofensivo?

Jorge Simão: «Eu acho que temos um meio campo que, é como digo, nós somos uma equipa que gosta de ter a bola, que gosta muito de ter a possibilidade de organizar o nosso jogo e de ligar-mos os setores e de chegarmos com envolvência ao último terço com situações para fazer golo. E quando não a conseguimos ter, não por demérito nosso, mas principalmente por mérito do FC Porto. E quando não conseguimos ter a bola como gostamos, falta-nos quase o ar para respirar, porque os nossos médios não são médios de combate, essas não são as nossas características, não é a nossa identidade. Quando eu disse na antevisão que gostava de ter momentos, tivemos na segunda parte, na primeira foi muito mais difícil».

Diogo Silva
Diogo Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu, e de se apaixonar pelo basquetebol assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fez o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.

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