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Chegados tão próximo do final da época importa olhar para o passado e para o futuro e colocar duas questões fulcrais: 1) o que falhou?; 2) o que urge mudar? As questões são relativamente óbvias, mas as respostas carecem de uma reflexão mais aprofundada. Começando pelo que falhou, parece claro que o principal erro no planeamento da época desportiva esteve na escolha de Nuno Espírito Santo para ocupar o cargo de treinador do FC Porto. Nuno trouxe à equipa uma atitude dentro de campo que há muito não se via; porém, nunca mostrou ser capaz de aliar essa atitude dos futebolistas à qualidade dos processos. O treinador dos azuis e brancos adotou sempre uma postura extremamente conservadora (dentro e fora das quatro linhas) e, no que se refere ao modelo de jogo do FC Porto, pareceu nunca ser capaz de apresentar ideias bem definidas.

Olhando atentamente para as individualidades do FC Porto facilmente se compreende que não foi aí que a época dos azuis e brancos falhou. A atitude dos futebolistas foi sempre extremamente digna, estes sempre foram cumprindo com aquilo que, claramente, eram as instruções do seu treinador e, no cômputo geral, o plantel do FC Porto é composto por futebolistas com muita qualidade, como Iker Casillas, Marcano, Danilo, Rúben Neves, João Carlos Teixeira, Óliver Torres, Brahimi, Corona, Otávio, Diogo Jota, ou André Silva. Assim sendo, não restam dúvidas daquele que foi o elo mais fraco na temporada dos dragões, dando este pelo nome de Nuno Espírito Santo.
Refletindo acerca do futuro, e tendo por base os dados anteriormente apresentados, parece claro que o primeiro passo a tomar deverá passar por procurar uma alternativa para ocupar o lugar de treinador na próxima época futebolística. Se por um lado a estabilidade é extremamente importante numa equipa de futebol, por outro lado não faz sentido apostar numa estabilidade sem qualidade e, claramente, Nuno Espírito Santo nunca apresentou um modelo de jogo que refletisse ideias nas quais valha a pena acreditar a ponto de lhe ser dada uma segunda oportunidade. Quanto ao cargo de treinador, as alternativas claramente existem e têm nomes concretos (dentro daquilo que são as presumíveis possibilidades financeiras do clube): Marco Silva, Vítor Pereira, …e Luís Castro. Se os dois primeiros são treinadores que já deram provas de saber trabalhar equipas sob o ponto de vista coletivo, conduzindo-as a vitórias em campeonatos europeus, Luís Castro é o responsável por uma equipa (Rio Ave FC) com dinâmicas coletivas das mais interessantes que existem na Liga NOS.

Sob o ponto de vista individual é provável que Diogo Jota, emprestado pelo C Atletico Madrid, venha a abandonar o plantel do FC Porto no final da época. Analisando o plantel atual, parece faltar uma alternativa adicional a Marcano e Felipe para a posição de defesa central, bem como para as laterais. Com a saída de Diogo Jota ficará a faltar, igualmente, uma alternativa a Corona e Brahimi para os corredores laterais do ataque. Contudo, todas as contratações a realizar deverão ser estratégicas, enquadradas no modelo de jogo e estratégia que o treinador defina para a equipa, já que o plantel apresenta já uma qualidade individual acima da média.
A época 2016/17 aproxima-se a passos largos do seu final e, para os adeptos do FC Porto, constitui mais uma frustração. Houve momentos nos quais a esperança renasceu mas, analisando atentamente “o jogar” da equipa, sempre pareceu que os bons resultados assentavam em dinâmicas coletivas muito frágeis, pelo que acabou por não surpreender o revés ocorrido ao nível dos resultados. Face a isto, Jorge Nuno Pinto da Costa e os restantes dirigentes do clube têm o dever de perceber o que falhou e agir tendo em vista a resolução dos problemas existentes; porém, uma coisa é certa: a equipa não carece de uma “revolução” igual àquela que foi levada a cabo aquando da contratação de Julen Lopetegui, pelo que, aos dirigentes, o que se pode de deve pedir é responsabilidade e bom senso.
Foto de Capa: FC Porto











