FC Porto: 4-4-2 ou 4-3-3?

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O xadrez tático de Sérgio Conceição foi sofrendo algumas alterações desde o mês de dezembro até aos dias de hoje.

Há dois nomes que podem ser apontados como os principais culpados para estas mudanças, e são eles Medhi Taremi e Fábio Vieira. As razões são simples, o iraniano decaiu um pouco nas suas prestações individuais em campo e por sua vez o jovem criativo português aproveitou e aumentou o nível exibicional, tendo começado a ser presença assídua no onze azul e branco.

Taremi vinha a ser utilizado no sistema de 4-4-2, sendo ele o avançado mais móvel, com liberdade para vir atrás buscar jogo e abrir nas linhas. Este é o sistema tático preferencial, que vem sido utilizado há mais de quatro anos pelo treinador. O ponta de lança encaixou bem na tática, muito pelo facto de ser um jogador batalhador e que protege bem a bola, foi acrescentando muito à equipa.

Contudo, devido a esta entrega ao jogo, começa a ser mais difícil para o avançado aparecer em zonas de finalização, onde é o seu verdadeiro palco. Isto leva-nos a questionar, com Uribe, Vitinha, Otávio, Luis Díaz (antes de ser transferido), deveria Medhi Taremi ter tantas funções a desempenhar em campo?

Houve ocasiões que o mesmo ia à linha cruzar e simplesmente tinha um colega (Evanilson ou T.Martinez) na área. Não era melhor o extremo ou o lateral desempenhar esse papel e Taremi dar o seu contributo na área onde faz valer melhor os seus dotes? Isto tudo levou a um período de menor eficácia na cara do golo, o que fez o treinador dar espaço a outra solução tática, o 4-3-3.

Fábio Vieira ganhou protagonismo como suplente utilizado e acabou mesmo por conquistar o lugar de titular (quase) indiscutível. Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Com a ascensão de Fábio, esta alteração caiu como uma luva. Evanilson passava a ocupar a zona mais adiantada do onze sozinho e o jovem português a aparecer na sua posição ideal, a de “10”, o criador de jogo.

Fábio Vieira conta já com dois golos (frente a SL Benfica e Sporting CP), onze assistências e trouxe para a equipa um futebol muito mais fluído e bonito de se ver. Extremos e laterais muito mais interventivos no jogo, a arrastarem o ataque até à linha criando muitas mais situações de perigo.

Em jeito de exemplo olhemos para os últimos dois jogos do FC Porto, a ideia dos dois avançados voltou a ser usada frente ao Sporting CP e notou-se logo a diferença, os Dragões acabaram a ser surpreendidos na linha, onde tinham pouco apoio e teve que fazer entrar os extremos para dar largura ofensiva ao ataque e poder haver uma entreajuda com os laterais em missões defensivas.

No encontro frente à SS Lazio não se verificou tanto isso, a equipa apesar de ter sido apanhada desprevenida estava mais consistente e acaba a criar os dois golos a partir de cruzamentos do lateral para o ponta de lança.

Com tudo isto nunca quis dizer que Taremi deveria ser preterido em detrimento de Fábio Vieira. Não, o iraniano tem qualidade e até marcou cinco golos nos últimos sete encontros que participou. Apenas que tendo em conta as características do plantel azul e branco, um 4-3-3 pode assentar melhor e mesmo Taremi tem as características para ser o único avançado presente na tática.

Flávio Fernandes
Flávio Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Licenciado em Ciências da Comunicação, o Flávio sempre foi um amante do desporto e um fanático pelo futebol. Com uma passagem pelos quadros de formação do FC Felgueiras 1932, preferiu pendurar as botas mais cedo e ir em busca da sua formação académica. Acompanha assiduamente o futebol internacional e não falha um único jogo do seu grande FC Porto.

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