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Desde o jogo no Dragão que opôs o Porto e o Benfica, eu desfiz as minhas dúvidas: a equipa dos pupilos de Lopetegui é a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Mesmo com azar aqui e ali (Benfica e Marítimo), e outro tipo de “azar” (que vem sendo recorrente), em condições normais a liderança do campeonato estaria justamente mais a norte. Ontem, de forma cabal e altamente competente, o Futebol Clube do Porto “despachou” uma das surpresas da Liga dos Campeões por uns valentes 4-0: o Basileia de Paulo Sousa. Em nome da verdade, convém dizer que ontem tivemos mais Basileia do que na primeira mão, mas também tivemos muito mais Porto…

Depois de mais uma arbitragem vergonhosa contra os Dragões (até na Europa? É que já em Basileia foi o que foi…), onde foi possível ver Walter Samuel ter três entradas para amarelo e uma (a primeira falta, que dá o golo) para um amarelo muito avermelhado, bem como ver Derlis González agredir Brahimi e sair imaculado, entre outras entradas duríssimas dos jogadores suíços, os azuis-e-brancos “não foram na cantiga” e dominaram a seu bel-prazer os 90 minutos de jogo.

A exibição roçou  a perfeição – de negativo, apenas o amarelo que tira Marcano do próximo jogo e a lesão de Danilo – e os quatro golos foram fabulosos – daqueles que fazem levantar o estádio, gritar, abraçar e libertar tudo o que vai na alma! Um jogo para guardar em DVD e colocar na prateleira onde estão, por exemplo, os 5-0 ao Benfica, o 1-1 ao Manchester United (que valeu a passagem aos quartos-de-final,  em 2003/2004)  ou o 4-1 à Lazio. Mais, foi o jogo que provou que Lopetegui é um grande treinador e que não se “amedronta” perante a Europa: o Futebol Clube do Porto não muda. Joga sempre em pressing alto e com o intuito de ganhar o jogo, seja contra quem for.

Lopetegui tem conduzido brilhantemente a equipa na Liga dos Campeões  Fonte: AFP/Getty Images
Lopetegui tem conduzido brilhantemente a equipa na Liga dos Campeões
Fonte: AFP/Getty Images

Gosto imenso de ouvir os arautos do desporto dizer que: a) “o Porto ainda não jogou com equipas fortes”; b) “Marcano é muito mau”; c) “Casemiro só sabe bater”; d) “Evandro nem no Sporting jogava” (não é ofensa ao Sporting; foi mesmo um comentário que ouvi num programa desportivo – acho que Evandro jogaria em qualquer clube em Portugal); e) “Tello só sabe correr”; entre outras barbaridades que vão sendo ditas. Mas vamos, por pontos, esmiuçar estas falsas acusações:

a) “O Porto ainda não jogou com equipas fortes”. O Porto só não jogou a nível europeu contra equipas “fortes” porque as dizimou antes de sequer poderem mostrar argumentos… Atlético de Bilbau é fraco? Recentemente ganhou ao Real Madrid. Shakhtar é fraco? Empatou na primeira “mão” com um tal de Bayern Munique. Basileia é fraco? Relegou para a Liga Europa um histórico Liverpool e deu muita luta ao Real Madrid… Isto revela que equipas fracas não existem na Liga dos Campeões. Quem ganha tem de jogar melhor, e o Porto tem sido sempre melhor (dentro das 4 linhas);

b) “Marcano é muito mau”. Esta é daquelas coisas que só quem não percebe de futebol pode dizer. Admito que também duvidei do espanhol ao início, mas as enormes exibições de Marcano fazem dele, neste momento (repito: neste momento!), o central em melhor forma a jogar em Portugal. Mas de longe! Não vejo outro central dos três grandes com tanta qualidade para sair a jogar, não vejo falhas durante um jogo inteiro, e vejo, acima de tudo, um líder ao lado de Maicon. Foi uma contratação a pedido de Lopetegui, e uma das grandes revelações da época. Que continue na equipa por muitos anos! Relegou Martins Indi (um dos indiscutíveis de Van Gaal no Mundial) para o banco de suplentes e tem feito uma dupla de luxo com Maicon no centro da defesa. Impecável!

c) “Casemiro só sabe bater”. Digam-me, por favor: qual é o médio-defensivo que não “bate”? Casemiro é duro? Sem dúvida! Matic, Javi Garcia, Fernando ou Paulo Assunção não o eram? A diferença é que o potencial deste Casemiro se assemelha ao de Matic e não ao de Javi Garcia, que “batia” (agredia…) e pouco mais. Percebo que o adepto prefira a classe do jovem Rúben Neves, mas Casemiro é um autêntico “bombeiro” naquele meio-campo. Está sempre pronto a apagar qualquer fogo e tem um sentido posicional fantástico: é o primeiro homem responsável por fazer o meio-campo subir e pressionar alto, é o “núcleo táctico” do jogo portista, e não é por acaso que as grandes exibições do Porto têm sido associadas ao facto de o brasileiro estar mais em forma. Não existem coincidências no futebol; existem factos. Casemiro, que já critiquei, é neste momento um monstro táctico, um grande jogador a vir buscar jogo e a fazer a ligação com o ataque. Espero que a mais que provável ida de Danilo para Madrid esteja associada aos 30 milhões mais o passe em definitivo do internacional brasileiro.

Casemiro e Marcano ainda não convenceram toda a gente, mas têm sido fundamentais  Fonte: AFP/Getty Images
Casemiro e Marcano ainda não convenceram toda a gente, mas têm sido fundamentais
Fonte: AFP/Getty Images

d) “Evandro nem no Sporting jogava”. Mais um jogador que me leva a dar o braço a torcer a Lopetegui: Evandro. No início da época eu disse num texto anterior que preferia ver ficar no plantel um jovem como Carlos Eduardo do que Evandro mas, hoje em dia, tenho de mudar de opinião: Carlos Eduardo tem brilhado em França e Evandro tornou-se o jogador “chave” na ausência de Óliver. É um jogador que claramente se sente no seu “habitat” a número 8: retém a bola quando necessário, recompõe a equipa quando esta está “partida”, joga de forma simples e mais vertical, oferece sempre uma linha de passe no meio-campo, e raramente perde uma bola. Não faz os passes “a la Xavi” como o jovem espanhol, mas tem um sentido posicional fantástico, o que liberta Herrera para zonas mais ofensivas do terreno de jogo. Foi outra “escultura” de Lopetegui, que já experimentou naquela posição Quintero ou Rúben Neves, mas sem grandes resultados: se com o colombiano a equipa perdia força no “miolo”, com o português e Casemiro no onze a equipa jogava naturalmente mais recuada e com menos soluções no último terço do terreno. Evandro é o chamado box-to-box. Neste momento imagino os sportinguistas a desejar ter um Evandro para render Adrien, que se tem arrastado em campo, ou um benfiquista que, sem Fejsa, queira um jogador como o brasileiro para “atar” aquele meio-campo – Pizzi chega para consumo interno (e acredito que virá a ser um grande jogador made by JJ) mas, na Europa, não resiste com ”Pizzis” ou ”Taliscas”.

V) “Tello só sabe correr”. As últimas exibições do espanhol calam todas as críticas que lhe possam ser feitas.

 

Posto isto, apresentando tais factos e respeitando opiniões, como podem proferir calúnias como as que acima foram explicitadas? Enfim…

Para terminar, é de valorizar a grande exibição de Fabiano, que, com uma defesa subida no terreno, teve de actuar como libero, e fê-lo com grande qualidade e sem medo: tirou quatro bolas nas costas da defesa, e o choque com Danilo só aconteceu porque a bola estava na zona “limite” entre o guarda-redes e a defesa.

De resto, cada vez mais acredito num FC Porto justamente campeão. A jogar assim, não tenho dúvidas de que, em condições normais, o Benfica perderá pontos que os dragões aproveitarão, mesmo sabendo que este campeonato está com demasiadas condições “adversas” ao Porto e “favoráveis” às águias…

Acabo como comecei: dentro das quatro linhas, somos de longe os melhores em Portugal!

Foto de Capa: fcporto.pt

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