Fim de linha para Paulo Fonseca?

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Pois é meus amigos (des)Portistas, não me “estreio” da melhor forma neste espaço. Nem com um número 10 na camisola que tenho vestida. Nem em primeiro lugar. Nestes últimos dias, os adeptos dos outros clubes (em jeito de gozo, em jeito de quem não está habituado a estar em primeiro lugar e tem esta nova sensação a subir-lhe corpo acima) perguntam com bastante veemência o que os Portistas acham da actual situação do clube. O que posso dizer?! Numa palavra: curto.

Começando pelo plantel – é curto. Faltam opções nas laterais. Alex Sandro não tem concorrência e não vejo nenhum jogador que, do ponto de vista da relação qualidade-preço, seja acessível ao Porto e lhe possa fazer sombra… Mas precisamos de mais um! Fucile seria uma boa opção pois faz as duas laterais, mas o nosso treinador (já lá vamos…) embirrou com o rapaz, que se sabe não ser de fácil lidação… Depois, lembraram-se de vender a título definitivo um dos esteios da defesa de Villas-Boas, campeã de Portugal e da Europa e vencedora da Taça: Sapunaru. Além de um portista exímio, cumpria muito bem o seu papel.

No meio-campo, o nosso treinador (novamente, já lá vamos…) lembrou-se de emprestar o jogador que tinha as características para ser o “clique” de que necessitamos no momento: Castro. Jogador raçudo, com boa técnica e um portista que, com Josué e Lucho, não deixaria a equipa jogar como joga. A troca sucessiva Defour-Herrera também não ajuda a cimentar processos de jogo.

No ataque, vejo dois grandes problemas: falta de extremos de raiz (só Varela) e de resto temos médios interiores a jogar por fora para dar profundidade a Alex Sandro e Danilo (casos de Quintero e Josué) ou então falsos avançados (como Licá). Depois existe o problema da falta de confiança de Jackson, que se nota já faz uns bons jogos…

Passando para a equipa B – é curta. Para quê uma equipa B quando, quando sentimos necessidade de ter jogadores de posições raiz, não a aproveitamos…? Ghilas lesionou-se. Na B temos Kléber (sim, esse mesmo, que até tem feito golos), Vion, Caballero e a nova coqueluche André Silva, ainda júnior. Mas não, vamos optar pelo Licá. Isso leva-me a questionar se é a equipa B que serve a A ou o contrário (talvez assunto para uma outra rubrica…).

Finalizando com a equipa técnica – é curta. Por muito que se queira ou se diga o contrário, Paulo Fonseca começou muito bem mas, entretanto, esqueceu-se de que já não está no Paços de Ferreira (com todo o respeito), esqueceu-se de que está numa realidade onde não treina uma equipa para jogar uma vez por semana, mas sim duas ou três. Será que as cargas exercidas nos treinos são as melhores? A equipa entra “cansada” em jogo e isso tem custado (e muito) vários pontos.

Um amigo meu foi treinado por Paulo Fonseca no Pinhalnovense e, em conversa, disse-me que ele adopta o estilo de treinador democrático – um líder-nato e um amigo – e sabe fazer uma muito boa gestão de plantel… Pois, no Pinhalnovense (mais uma vez, com todo o respeito). No Porto não pode ser assim! No Porto tem de ser um treinador que incuta nos jogadores o “eu quero, posso e mando!”, nunca perdendo essa tal boa e importante amizade. A gestão tem sido horrível e jogadores que reclamam oportunidades tardam em tê-las (só cedendo agora – e mal – na pressão que fizeram para Quintero ser titular, quando não está preparado).

Com isto, ainda com apenas um terço do campeonato decorrido e já tendo desperdiçado 6 pontos de vantagem (a fazer lembrar JJ nas outras épocas), pergunto-me até que ponto este natal não pode chegar mais cedo e com ele trazer uma prenda vinda das Arábias… Sim, esse mesmo: Vítor Pereira. Nunca morri de amores por ele mas a realidade é que é um “expert” em recuperar pontos, nunca perdeu em momentos-chave e, mais importante, psicologicamente mudaria a forma como os outros olham para o Porto actual. Quem não se lembra do treinador que fez Jesus ir ao tapete em pleno Dragão? Quem não se lembra do treinador que nunca perdeu com Benfica ou Sporting enquanto treinador principal? Pessoalmente preferia o Marco Silva do Estoril (a dar-se alguma chicotada psicológica), mas a verdade é que Vítor Pereira já demonstrou que quer voltar à Europa. E, no Porto, entraria pela porta grande. Mesmo para quem não gosta dele, importa recordar que foi campeão 2 anos seguidos com um dos planteis mais problemáticos que o Porto já teve (casos de Moutinho, James, Hulk, Rolando, Fernando, Otamendi, Belluschi, Guarín, Álvaro Pereira, a juntar-se à perda de Falcao no fecho do mercado). Espero que Paulo Fonseca fique, pois a verdade é que a corda está esticada ao máximo e se ele continuar significa que não houve mais nenhum deslize. Mas veremos…

De resto, só quero dizer a “quem está lá em cima” que não estejam muito descansados, pois, vendo as estatísticas, o Porto perdeu ao fim de mais de 50 jogos para o campeonato. Quem sabe se a próxima derrota não será só daqui a outros 50 e tantos…?

Vitor Pereira e Paulo Fonseca: dois treinadores que estiveram ao comando dos Dragões Fonte: http://1.bp.blogspot.com
Vitor Pereira e Paulo Fonseca: dois treinadores que estiveram ao comando dos Dragões
Fonte: http://1.bp.blogspot.com

Em jeito de “até para a semana”, se me auto-intitulo como (des)Portista, queria deixar um apelo a todos os verdadeiros Portistas, de alma e coração: não é a apedrejar autocarros, a chamar de nomes aos jogadores ou a assobiar ao intervalo as nossas últimas (e fracas) exibições que as coisas vão melhorar. Somos exigentes, estamos habituados a dominar o futebol nacional nos últimos 30 anos e somos a segunda equipa do mundo com mais títulos do séc. XXI, eu sei… Mas a verdade é que fazemos milagres com pouco. Temos mais títulos neste século do que Manchester United, Real Madrid, Juventus, AC Milan, Inter, Arsenal ou Bayern. Se compararmos orçamentos, estamos mais próximos de um Lyon do que de um Barcelona. E competitivamente somos muito mais Barcelona que Lyon. Não estou, com isto, a desculpar as nossas pálidas exibições. Estou, sim, a pedir algum tempo e alguma compreensão para com uma estrutura que sabe o que faz, que é modelo de gestão em artigos publicados pelas

maiores revistas do sector e, acima de tudo, a par de CR7 e Mourinho, é a marca que leva mais alto o nome de Portugal!

Eu não deixo de acreditar nunca. Posso estar insatisfeito mas nada farei para criar um clima ainda mais tenso em torno do meu clube. E tu?

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