- Advertisement -

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Ao longo da sua história, o futebol esteve sujeito a muitas e variadas transformações – começou como um mero jogo de onze homens que se juntavam para tentar meter uma bola numas gaiolas e hoje é uma industria que movimenta muitos milhões de euros e mexe com os corações de outros tantos adeptos. É, claro, de prever que tanto dinheiro e tanta paixão junta resultem numa mistura de desporto, política e negócios, por vezes necessária e transparente, outras vezes promiscua.

Olhando para o trajecto dos clubes portugueses na Europa ao longo dos tempos, percebemos que se encontram bolsas de oxigénio no meio de muita dificuldade em respirar, e que o nosso futebol, apesar de superar os feitos do país em quase todas as áreas, por vezes acompanha o desenvolvimento e competitividade do país.

É impossível, para um clube português, almejar competir constantemente com os melhores da Europa na busca da máxima glória europeia. Não há dinheiro suficiente para comprar jogadores com provas dadas nos melhores campeonatos; temos, portanto, de ir descobrir jogadores a campeonatos menos competitivos, potenciá-los e transformá-los em verdadeiras estrelas. E, com maior ou menor eficácia, é o que o FC Porto (e outros clubes portugueses) têm feito desde há muito tempo; mas esta estratégia pode estar ameaçada. Há 10 anos o Porto podia-se dar ao luxo de comprar  jogadores bons a preço de saldo no Brasil ou na Argentina, mas o crescimento económico do futebol sul-americano fez com que os jogadores outrora baratos se transformassem em jogadores não tão baratos assim – lembro o caso do Danilo, por exemplo.

Foi então que o FC Porto, a par de outros clubes, começou a recorrer a fundos para conseguir comprar os jogadores. Fica com os direitos desportivos e cede uma percentagem ao fundo que detém os direitos económicos – mais uma vez a tal mistura entre desporto e negócios vem ao de cima. A solução não é a ideal, até porque a sobrevivência dos Dragões como clube de topo tem assentado na estratégia de comprar barato e vender caro, mas é a necessária se queremos continuar a ter uma palavra a dizer na Europa.

80% do passe de Brahimi pertence à Doyen  Fonte: fcporto.pt
80% do passe de Brahimi pertence à Doyen
Fonte: fcporto.pt

Há uns meses atrás surgiram umas vozes, roucas e enfadonhas, a revoltarem-se contra esta estratégia que foi legalmente usada. Talvez porque quem desdenha quer comprar, ou por mera inveja, as vozes dispararam para todo o lado (vozes que disparam até contra a própria equipa, o chamado friendly fire) sobre mais uma grande injustiça no futebol – os fundos. A verdade é que os fundos foram legalmente usados e com conhecimento da FIFA e, portanto, mais uma vez, e como tem sido habitual, as vozes caíram em saco roto. Simplesmente clubes competitivos têm adeptos exigentes e precisam de usar as estratégias disponíveis para obter vitórias; outros, não tão exigentes, não precisam delas porque o peso da derrota não é tão grande.

Recentemente, Blatter confirmou que a FIFA pretende proibir os fundos de investimento no futebol, o que vai obrigar a repensar a estratégia de compra e venda de jogadores. Que não se pense que alguém obteve uma vitória com isto – pode parecer que o futebol está de volta à sua essência mas a análise a frio revela que o fosso entre os clubes europeus vai aumentar e que a competitividade na Europa pode estar seriamente ameaçada, principalmente para clubes como o FC Porto, que são exigentes com os resultados. O departamento de scouting vai ter de trabalhar ainda mais, terão de se correr mais riscos financeiros e, porventura, a exigência na Europa terá de diminuir. Veremos como clubes como o Porto se irão adaptar a estas novas regras e de que forma manterão a competitividade com os seus pares europeus.

Pedro Nuno Silva
Pedro Nuno Silva
Portista de corpo e alma desde que se conhece e amante de futebol, quando o assunto é FC Porto luta para que no meio do coração lhe sobre a razão.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Premier League: Wolverhampton e Sunderland também denunciam casos de racismo nesta jornada

O Wolverhampton e o Sunderland denunciaram casos de racismo nesta jornada da Premier League. Tolu Arokodare e Romaine Mundle foram os visados.

Francesco Farioli após vitória do FC Porto: «Foi um bom trabalho e vamos continuar»

Francesco Farioli fez a análise ao encontro entre FC Porto e e Rio Ave. Dragões ganharam em casa por 1-0 para a Primeira Liga.

FC Porto tem baixa confirmada para a receção ao Arouca

O FC Porto não vai poder contar com Alan Varela no encontro frente ao Arouca, da próxima jornada da Primeira Liga. O médio viu o quinto cartão amarelo na competição.

Dérbi decidido na eficácia | Vitória SC foi superior, Braga foi letal

Há jogos que se decidem com controlo, outros com inspiração, mas o Dérbi do Minho acabou por ser decidido na eficácia.

PUB

Mais Artigos Populares

Jalen Blesa e o FC Porto x Rio Ave: «Vir aqui não é fácil de conseguir pontos»

Jalen Blesa fez a análise ao encontro entre FC Porto e e Rio Ave. Equipa de Vila do Conde perdeu 1-0 no Estádio do Dragão.

Victor Froholdt após FC Porto x Rio Ave: «Acho que a vitória não esteve em perigo»

Victor Froholdt fez a análise ao encontro entre FC Porto e e Rio Ave. Médio marcou o único golo da partida, em que os dragões ganharam.

Eis os 5 destaques do FC Porto x Rio Ave da 23.ª jornada da Primeira Liga

O FC Porto venceu o Rio Ave por 1-0 no Estádio do Dragão. Confere os destaques do encontro da 23.ª jornada da Primeira Liga.