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Gil Vicente FC 2-1 FC Porto: Grande bicada nas aspirações do Dragão

Redação BnR · 6 min

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Ponto prévio: A vitória do Gil Vicente é inteiramente justa e assenta na promessa de uma grande época 2019/20. FC Porto anárquico, sem ideias e assustadoramente incapaz de criar lances de perigo sai vergado a um resultado que o atrasa, logo de início, na luta pelo título. Contestação atinge níveis cada vez mais altos e a ausência de Danilo da ficha de jogo é apenas mais uma acha para uma fogueira que Sérgio Conceição terá de apagar. Não será fácil e os indícios são muito desanimadores. Terça feira há jogo decisivo e a cabeça dos jogadores já ferve.

A vitória em Krasnodar havia revelado uma equipa com personalidade e adulta, a privilegiar o resultado ao invés da exibição. Resumindo, fora o FC Porto possível nesta altura da época, com uma equipa para construir e várias dinâmicas para implementar. A moral extraída dessa vitória suada na Rússia poderia ser capitalizada para este jogo em Barcelos, que tinha tudo para ser complicado. Um Gil Vicente supermotivado, com muito boas mais valias individuais e cada vez mais coeso coletivamente, aliado a um terreno difícil para colocar a bola a circular. As opções iniciais de Vítor Oliveira não foram nada surpreendentes, já as de Sérgio Conceição… começa a ser difícil defender o técnico do FC Porto perante tamanho descalabro.

Os galos, montados num 4-3-3 bastante organizado e nada defensivo como se poderia esperar, geriram, com e sem bola, o jogo e, depois, o resultado, que lhes acabou favorável, fruto dos golos das duas estrelas da companhia nesta altura: Lourency e Kraev. O brasileiro acabou por ser o grande destaque, marcando o primeiro e sendo decisivo no lance do segundo golo, fechando a sua categórica exibição com uma mão cheia de arrancadas alinhadas com pormenores técnicos desconcertantes.

Os dragões, talvez por mera tentativa de poupar as pernas para o compromisso da Liga dos Campeões, fizeram-se ao jogo sem Danilo e Marega, as ausências mais significativas. O meio-campo ficou, então, entregue a Sérgio Oliveira e Bruno Costa, nunca carburando com eficiência e sendo muitas vezes a auto estrada que os gilistas tanto apreciaram para lançar as suas contra ofensivas.

Bruno Costa foi surpresa no onze para o lugar de Danilo e formou com Sérgio Oliveira uma dupla que ficou muito aquém
Fonte: FC Porto

Marchesín, confirma-se, é mesmo um reforço. No primeiro tempo, onde as oportunidades se distribuíram salomonicamente pelos dois conjuntos, pertenceu ao guardião argentino do FC Porto a título de salvador, ao negar com duas paradas impressionantes o golo gilista. Do FC Porto, o que se via baseava-se muito no futebol direto desde a defesa ao ataque, já que o meio-campo parece neste momento uma inexistência no futebol azul e branco. Não há quem pegue na bola, quem fure linhas e quem ofereça criatividade. Ou seja, não há ideias…

Os golos estariam reservados para o segundo tempo, quando se esperava um FC Porto a impor-se, finalmente, no relvado. Não foi assim e o Gil cresceu com o decorrer dos minutos. Num dos muitos contra-ataques que idealizou, a turma de Vítor Oliveira fez explodir as bancadas (10.962 adeptos), pelo intratável Lourency, a beneficiar da anarquia tática e posicional do setor mais recuado dos portistas. Sandro Lima endossou-lhe a bola e Lourency só teve de a desviar de Marchesín.

Faltavam 25 minutos para o fim e o empate portista caiu totalmente do céu, através de um penálti. Telles não tremeu e devolveu a esperança para o quarto de hora final. Ainda assim, o ânimo esfriou de imediato, com o Gil a recolocar-se por cima no marcador. Desta vez, Lourency esteve novamente envolvido no lance, ao rematar com a bola a ser prensada e a sobrar para o desvio de Kraev à boca da baliza.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Gil Vicente FC – Denis, Alex Pinto, Rodrigo, Ruben Fernandes, Edwin, Soares, João Afonso (Claude Gonçalves, 75’), Kraev, Arthur, Lourency (Erick, 82’) e Sandro Lima (Nidji, 64’).

FC Porto – Marchesin, Manafá, Pepe, Marcano, Alex Telles, Sérgio Oliveira, Bruno Costa, Otávio (Fábio Silva, 79’), Corona (Marega, 59’), Zé Luís e Soares (Lis Diaz, 58’).

A FIGURA
Fonte: Gil Vicente FC

Lourency – O extremo direito gilista não deu descanso a Alex Telles durante todo o encontro e deixou os adeptos do Gil Vicente com “água na boca”, à espera de ver mais magia dos pés do jogador durante a época. Lourency e o búlgaro Kraev marcaram, sendo os dois gilistas as grandes figuras desta partida.

O FORA DE JOGO
Fonte: FC Porto

Tiquinho Soares – O avançado brasileiro esteve ausente durante quase uma hora de jogo, altura em que foi substituído. Soares teve várias ocasiões para marcar e decidiu sempre mal no momento da finalização.

BNR na Conferência de Imprensa

Declarações Vitor Oliveira

“São três pontos que normalmente não são contabilizados. Os meus jogadores fizeram tudo para ser felizes. Nós entramos bem defensivamente, não permitimos grandes oportunidades ao FC Porto, penso que na primeira parte só tiveram dois lances. uma do Zé Luís que cabeceia ao lado e uma do Soares que o nosso guarda-redes defendeu e nós também tivemos duas boas ocasiões. Durante a primeira parte defendemos e limitámo-nos a alguns contra-ataques muito esporádicos e até pouco fundamentados. No segundo tempo melhoramos e dficultamos a ação e a organização do FC Porto e aproveitamos o cansaço inerente da Liga dos Campeões que se notava em alguns jogadores e conseguimos dois golos”.

“Os resultados são sempre justos, poderão ou não ser merecidos, mas eu acho que pelo empenho que tivemos também merecemos”.

“Nós sabemos que o Gil Vicente pode fazer uma boa equipa, ainda não tem uma boa equipa, agora precisa de trabalhar muito, precisa de ter este sentido de entreajuda que teve hoje, precisa de perceber que o futebol é um jogo coletivo como percebeu hoje. Temos de ter os pés bem assentes no chão, porque isto não é um jogo mas sim uma longa maratona.”

“Nós sentimos que estamos a criar um bom grupo. Entraram 23 jogadores para o Gil Vicente, só dois e que tinham jogados juntos, que é o Artur e o Rodrigo, os outros praticamente não se conheciam. Sentimos que eles estão a perceber as ideias, que querem perceber as ideias e querem consolidar o Gil Vicente na primeira liga. Nós temos 23 jogadores que tiveram no ano passado 22 treinadores diferentes, com métodos diferentes e com línguas diferentes, com campeonatos diferentes e com maneiras de pensar diferentes”.

“Sentimos que o FC Porto sem o Danilo seria muito mais vulnerável nas saídas para o contra-ataque. O Danilo é um verdadeiro tampão, é um homem que tem uma abrangência em termos defensivos muito grande, para além de toda a sua qualidade ofensiva, é um homem que é fortíssimo nos lances de bola parada. Sabíamos que com a entrada do Bruno Costa, o FC Porto não iria ficar tão sólido defensivamente.”

Declarações Sérgio Conceição

“O Danilo não treinou ontem. No fim dos 90′ no jogo contra o Krasnodar sentiu por baixo do gémeo a prender e teve dificuldades ontem a treinar, esperamos até hoje a pensar que pudesse ser fadiga muscular, claramente que gostavamos de ter o nosso capitão em campo mas não foi possível”.

“Foi um jogo ingrato, em que tivemos culpa de não levar os 3 pontos. Até aos 25′ criamos duas ou tres situações para fazer golo, não fizemos, fomos ineficazes. Na segunda parte tivemos mais uma ou duas ocasiões para fazer golo, não fizemos. Na transição do adversário fizeram golo, fomos atrás e conseguimos o empate, depois numa situação a meio-campo, não vi se foi falta, foi cobrada uma falta rápida e sofremos a seguir. No momento em que se viu em vantagem, o Gil baixou ainda mais aquilo que era a sua equipa e foi difícil, quando não fazemos em cinco ou seis ocasiões golos, é muito difícil ganhar.”

“O Nakajima está num processo de conhecimento daquilo que é a equipa, daquilo que é o clube, muito diferente do que era em Portimão e na Arábia. A seu tempo, como outros, vai dar uma resposta positiva e é um jogador de extrema qualidade que nós contamos”.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

Redação BnR

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