Hipotecar o futuro dos jovens portistas a pensar no presente financeiro?

- Advertisement -

Certamente que não trarei nenhuma novidade ao referir que o FC Porto atualmente atravessa um momento delicado no que às suas contas diz respeito. Menos novidade será ainda o facto de que as movimentações do clube no mercado se encontram condicionadas por essa mesma realidade.

Portanto, era com uma certa apreensão que os adeptos portistas olhavam para esta janela de transferências. Por um lado, sabiam da necessidade de reforçar algumas posições do terreno; por outro, temiam o agravar dessas mesmas lacunas, bem como o surgimento de algumas outras, consequência de algumas saídas que eram dadas como certas.

Bom, facto é que, até à data, pouco se tem vindo a efetivar em termos de transferências. Jogadores como Alex Telles, Corona, Díaz ou Soares, apesar das já muito noticiadas sondagens, permanecem ligados contratualmente aos dragões.

No entanto, os rumores não ficam por aqui. Outros nomes que têm sido associados a outros emblemas do futebol europeu são os de alguns dos jovens jogadores que recentemente pisaram o relvado do Dragão pela primeira vez. São exemplos disso mesmo Diogo Leite, Tomás Esteves ou Fábio Silva.

Estes últimos são, a meu ver, casos bem mais preocupantes do que os primeiros que mencionei. Nesta afirmação, baseio-me essencialmente em dois pontos: o desportivo e o financeiro.

Primeiramente, vamos olhar para dentro das quatro linhas. Dos 18 jogadores que Mário Silva levou para defrontar o Chelsea na final da Youth League do ano passado, oito somaram minutos na equipa principal do FC Porto na época que há pouco findou. Foram eles Diogo Costa, Tomás Esteves, Diogo Leite, Fábio Vieira, Romário Baró, João Mário, Vítor Ferreira e Fábio Silva.

Pode até parecer muito, mas olhemos para minutos. No total, os oito jovens atletas acima mencionados somaram 4227 minutos, o que, em termos médios, resulta em cerca de 534 minutos por jovem em 2019/20. Traduzindo: cada jogador completou, em média, menos de seis jogos durante toda a época.

O que retiramos destes dados? O FC Porto tirou, até ao momento, muito pouco proveito, em termos desportivos, desta fornada recém-coroada campeã da Europa. Consequentemente, os seus valores de mercado ainda se encontram relativamente modestos, muito abaixo dos seus potenciais.

Logo, não obstante os milhões que poderiam entrar nos cofres azuis e brancos, fruto da venda de alguns destes diamantes, no longo prazo, a meu ver, esta opção revelar-se-ia desvantajosa. Os jogadores que, no presente, estão avaliados em 15/20 milhões poderão facilmente, depois de uma época em que sejam alvo de uma aposta séria, duplicar ou triplicar o valor dos seus passes.

Para além disso, tendo em conta a situação financeira pouco agradável pela qual o clube passa, será, mais do que nunca, necessário procurar soluções dentro de casa. E poderão ser nessas soluções que o clube encontrará um caminho para sair dos problemas financeiros acima referidos, até porque não será com a manutenção de “trintões” que o clube equilibrará as suas contas.

Por um lado, mais uma ou duas épocas no Dragão para um Fábio Vieira ou um Tomás Esteves poderá servir, para além do contributo desportivo, para valorizá-los ainda mais; tal não acontecerá com um Marega ou um Danilo, por exemplo. Montar o projeto para o médio/longo prazo à volta de jogadores já em fase descendente parece-me o pior dos caminhos a tomar, ainda para mais quando temos à disposição uma das melhores fornadas de talento dos últimos tempos do futebol português.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

José Mário Fernandes
José Mário Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Um jovem com o sonho de jogar futebol profissionalmente. Porém, como até não tinha jeito para a coisa, limita-se a gritar para uma televisão quando o FC Porto joga.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

«Quero abrir o leque e explorar mais a qualidade dos jogadores de outros países e continentes» | Entrevista Bola na Rede a Ricardo Pessoa

Ricardo Pessoa é um antigo internacional jovem português, com vários anos de experiência nos relvados da Primeira Liga, muitos deles ao serviço do Portimonense. No final da carreira, desempenhou funções como treinador-adjunto no clube algarvio, antes de iniciar o seu percurso como treinador principal. Destacou-se no comando do Lusitânia dos Açores, promovendo o emblema açoriano até à Liga 3, com passagens pelo Lusitano de Évora, Amora e um regresso ao Portimonense, onde assumiu a liderança da equipa principal.

Fábio Silva recorda saída do FC Porto: «É uma mágoa muito grande para mim a forma precipitada como saí»

Fábio Silva falou aos jornalistas e recordou a saída do FC Porto, rumo ao Wolverhampton em 2020/21.

Santiago Giménez no México: «A seleção vai num bom caminho»

Santiago Giménez está entre os convocados da Seleção do México para os próximos jogos e já se encontra pelo país.

Benjamin Sesko deixa a Eslovénia por lesão

Benjamin Sesko vai desfalcar a seleção da Eslovénia nos próximos jogos. Em causa, uma lesão sofrida na canela.

PUB

Mais Artigos Populares

Fábio Silva: «Sou um jogador que pode recuar no campo para fazer ligações»

Fábio Silva projetou o encontro entre Portugal e País de Gales, referente à 1.ª jornada da Liga das Nações.

Antigo internacional italiano analisa as decisões de Ruben Amorim: «Há muitos jogadores bons e acho que colocou em campo os melhores»

Giuseppe Bergomi deixou a sua opinião sobre as decisões de Ruben Amorim. O antigo jogador do AC Milan falou após a vitória dos rossoneri frente ao Lecce.

Gianluca Prestianni escolhido como melhor sub-21 fora das cinco principais ligas pela CIES

Gianluca Prestianni foi eleito o melhor jogador sub-21 fora das cinco principais ligas. O avançado do Benfica tem sido destaque esta temporada.