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Hipotecar o futuro dos jovens portistas a pensar no presente financeiro?

José Mário Fernandes · 3 min

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Certamente que não trarei nenhuma novidade ao referir que o FC Porto atualmente atravessa um momento delicado no que às suas contas diz respeito. Menos novidade será ainda o facto de que as movimentações do clube no mercado se encontram condicionadas por essa mesma realidade.

Portanto, era com uma certa apreensão que os adeptos portistas olhavam para esta janela de transferências. Por um lado, sabiam da necessidade de reforçar algumas posições do terreno; por outro, temiam o agravar dessas mesmas lacunas, bem como o surgimento de algumas outras, consequência de algumas saídas que eram dadas como certas.

Bom, facto é que, até à data, pouco se tem vindo a efetivar em termos de transferências. Jogadores como Alex Telles, Corona, Díaz ou Soares, apesar das já muito noticiadas sondagens, permanecem ligados contratualmente aos dragões.

No entanto, os rumores não ficam por aqui. Outros nomes que têm sido associados a outros emblemas do futebol europeu são os de alguns dos jovens jogadores que recentemente pisaram o relvado do Dragão pela primeira vez. São exemplos disso mesmo Diogo Leite, Tomás Esteves ou Fábio Silva.

Estes últimos são, a meu ver, casos bem mais preocupantes do que os primeiros que mencionei. Nesta afirmação, baseio-me essencialmente em dois pontos: o desportivo e o financeiro.

Primeiramente, vamos olhar para dentro das quatro linhas. Dos 18 jogadores que Mário Silva levou para defrontar o Chelsea na final da Youth League do ano passado, oito somaram minutos na equipa principal do FC Porto na época que há pouco findou. Foram eles Diogo Costa, Tomás Esteves, Diogo Leite, Fábio Vieira, Romário Baró, João Mário, Vítor Ferreira e Fábio Silva.

Pode até parecer muito, mas olhemos para minutos. No total, os oito jovens atletas acima mencionados somaram 4227 minutos, o que, em termos médios, resulta em cerca de 534 minutos por jovem em 2019/20. Traduzindo: cada jogador completou, em média, menos de seis jogos durante toda a época.

O que retiramos destes dados? O FC Porto tirou, até ao momento, muito pouco proveito, em termos desportivos, desta fornada recém-coroada campeã da Europa. Consequentemente, os seus valores de mercado ainda se encontram relativamente modestos, muito abaixo dos seus potenciais.

Logo, não obstante os milhões que poderiam entrar nos cofres azuis e brancos, fruto da venda de alguns destes diamantes, no longo prazo, a meu ver, esta opção revelar-se-ia desvantajosa. Os jogadores que, no presente, estão avaliados em 15/20 milhões poderão facilmente, depois de uma época em que sejam alvo de uma aposta séria, duplicar ou triplicar o valor dos seus passes.

Para além disso, tendo em conta a situação financeira pouco agradável pela qual o clube passa, será, mais do que nunca, necessário procurar soluções dentro de casa. E poderão ser nessas soluções que o clube encontrará um caminho para sair dos problemas financeiros acima referidos, até porque não será com a manutenção de “trintões” que o clube equilibrará as suas contas.

Por um lado, mais uma ou duas épocas no Dragão para um Fábio Vieira ou um Tomás Esteves poderá servir, para além do contributo desportivo, para valorizá-los ainda mais; tal não acontecerá com um Marega ou um Danilo, por exemplo. Montar o projeto para o médio/longo prazo à volta de jogadores já em fase descendente parece-me o pior dos caminhos a tomar, ainda para mais quando temos à disposição uma das melhores fornadas de talento dos últimos tempos do futebol português.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

José Mário Fernandes

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