Jakub Kiwior | O novo Militão?

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No último mercado de verão, chegou à invicta Jakub Piotr Kiwior, defesa polaco de 25 anos. Emprestado pelos londrinos do Arsenal, com opção de compra que pode ser acionada por qualquer uma das partes envolvidas, juntou-se a Bednarek na defesa azul e branca, onde vai figurar pelo menos até junho deste ano.

Sete anos antes, tinha aterrado na cidade do Porto Éder Militão, um jovem defesa central que fez uma passagem curta e impactante pelo Dragão. As semelhanças podem não ser imediatas, mas existem. Neste artigo, realçamos aquilo que estas duas figuras do universo portista têm em comum e, inevitavelmente, os aspetos que as diferenciam.

Jakub Kiwior Dinis Pinto FC Porto Moreirense
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Uma vantagem relativamente confortável na liderança, a chegada de um central muito experiente no mercado de janeiro e uma possível adaptação de outro central para uma das laterais. Esta é uma história que provoca um deja vu nada agradável aos adeptos portistas. Em 2019, o regresso de Pepe e o encostar de Militão à lateral direita foi apontado como um dos principais motivos para a quebra e consequente perda do campeonato para o Benfica.

A verdade é que uma análise mais atenta aos dados estatísticos da época 2018/19 iliba Militão (e Sérgio Conceição) de culpa, no que toca a esta mudança. A segunda volta acabou por ser semelhante em termos pontuais, e a diferença de golos foi até melhor na segunda metade do campeonato. Militão evidenciou a sua versatilidade e características que o tornavam uma boa opção na lateral direita: velocidade e capacidade de progressão com a bola no pé.

Na sua posição predileta, o central brasileiro fazia uso da sua impulsão no salto para compensar o facto de não ser particularmente alto e conseguia impor o físico nos duelos. Mostrava também qualidade no passe diagonal, que muitas vezes rasgava a defesa adversária, iniciando lances de perigo.

Jakub Kiwior é um jogador nitidamente mais sóbrio. Focado em manter o posicionamento, tem menor tendência para “cair em cima” do portador da bola e jogar em antecipação, comparativamente a Éder Militão. É muito consistente no momento defensivo e, simultaneamente, mais contido, o que também lhe poupa alguns cartões.

Kiwior é menos veloz que Militão, e a sua utilização como lateral é feita em moldes bastante diferentes. Como por vezes aconteceu no Arsenal, sob orientação de Mikel Arteta, Kiwior desloca-se frequentemente para zonas interiores do terreno, funcionando quase como um médio defensivo. Esta posição também não é estranha ao polaco formado no Anderlecht, que foi utilizado no centro do terreno quando alinhava pelo Spezia, na Serie A italiana.

Militão chegou ao Dragão quase como um “diamante em bruto”, cujo potencial era inegável, e rapidamente rendeu uma generosa quantia aos cofres do FC Porto. Já Kiwior chega numa fase diferente da sua carreira, já com maior experiência e amplo conhecimento do futebol europeu, sendo claramente apreciado pelos fãs arsenalistas.

O defesa polaco chega ao dragão com a vantagem adicional de conhecer o seu parceiro de posição, Jan Bednarek, com quem já alinhou frequentemente ao serviço da seleção. No que toca aos prémios de defesa do mês, foi mesmo o seu compatriota a igualar a proeza de Militão, com quatro meses consecutivos a arrecadar a distinção.

É seguro dizer que, à exceção da versatilidade, Militão e Kiwior são jogadores diferentes e aquilo que trouxeram ao FC Porto é também distinto. A eventual mudança de posição do polaco é o principal fator que remete para os acontecimentos de 2018/19 e que relembra a curta passagem de Militão por Portugal. Enquanto o jovem brasileiro usou, como tantos outros, a Primeira Liga como trampolim para um gigante europeu, Kiwior chega ao nosso campeonato já vindo de um desses gigantes. Caso a opção de compra seja acionada, o central polaco tem boas possibilidades de se assumir como uma figura de destaque no plantel portista das próximas temporadas.

Depois de contrair uma lesão na coxa direita no encontro frente ao Sporting, Kiwior será ausência nos próximos dois encontros a contar para a Primeira Liga. O departamento médico dos dragões fará certamente tudo o que estiver ao seu alcance para recuperar rapidamente o defesa polaco, que é já uma peça crucial no xadrez de Farioli.

João Pedro Santos
João Pedro Santos
Licenciado e mestre em Biotecnologia pela Universidade de Aveiro, é atualmente estudante do Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tendo a música e o desporto como grandes interesses, dedicou-se recentemente à escrita de artigos de opinião para o projeto Bola na Rede.

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