Marcano e Gonçalo Borges salvaram o Dragão | FC Porto 2-1 SC Farense

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O relógio do FC Porto x SC Farense marcava o décimo dos 12 minutos de compensação dados pela equipa de arbitragem quando Gonçalo Borges desenhou um cruzamento milimétrico que assistiu o voo de Iván Marcano para o 2-1. O Estádio do Dragão entrou em ebulição e a equipa da casa conseguiu derrubar um duro obstáculo que veio do Algarve. Foi o culminar de uma segunda parte intensa, imprevisível, com ocasiões para os dois conjuntos e que terminou de forma dramática. Toni Martínez abriu a contagem na etapa inicial, após 40 minutos complicados, o Farense chegou ao empate através de Rui Costa e o capitão Marcano voltou a ser decisivo. Os da Invicta somam por triunfos os dois jogos que já fizeram nesta edição da Primeira Liga, por sua vez, os leões de Faro só sabem perder neste regresso ao escalão máximo do futebol nacional.

O primeiro desenho de Conceição, a ver desde a bancada, já órfão de Otávio apresentou Nico González para adepto ver. Sem o “baixinho”, Pepê subiu no terreno, já com João Mário à direita, mas foi pela esquerda que surgiram os primeiros momentos, através da velocidade de Zaidu e Galeno, com a qual os algarvios não souberam lidar. Houve o golo de Toni Martínez (13’) e mais uma série de lances de desequilíbrio, que perspetivavam uma superioridade inequívoca. O golo cedo e a instalação portista no meio-campo contrário fizeram prever uma tarde tranquila, só que não foi bem assim.

Nico González FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

De repente, uma equipa dependente dele tinha que se emancipar das suas qualidades e ter um Farense de bloco baixo, compacto com três médios diante cinco defesas, sem pudores em se resumir à espera por transições, era um denso desafio às ideias coletivas de uma equipa.

A pedir bola ao centro, Pepê era espremido entre os corpos algarvios, Wenderson Galeno não tinha relva livre para embalar e a discrição da forma de Mehdi Taremi tão pouco abanava a coesão entre Cláudio Falcão e Fabrício Isidoro, garantes de uma muralha do Farense a meio-campo. Ao reparar na hesitação portista quanto aos caminhos a seguir para desequilibrar a contenção do adversário, o Farense ousou, nos 10 minutos pré-intervalo, arriscar mais na pressão. Subiu linhas, aproximou-se dos centrais do FC Porto e a coragem fez-lhe devolver uma gentileza.

Pressionando, em bloco, uma saída de bola por Iván Marcano, os visitantes forçaram o capitão a despachar a sua decisão. Um passe apressado do espanhol foi intercetado, ele ocorreu atabalhoadamente a socorrer o próprio erro e o ex-FC Porto Rui Costa, sentindo a sua aproximação achou o espaço para rematar à entrada da área. O desvio no carrinho socorrista de Fábio Cardoso desviou a bola para longe de Diogo Costa, decorria o minuto 45+1. Antes do empate, já o acrobata Zach Muscat pontapeara uma bicicleta contra a barra, numa segunda bola de um cruzamento. Tal golo correria o Mundo, caso se concretizasse!

Notava-se a falta de um certo pequeno dínamo de intensidade e criatividade, sentia-se também. “Otávio, imortal por direito!”, leu-se numa tarja exibida durante o minuto 25, número outrora do jogador que ainda o parecia ter, a sua ida para a Arábia Saudita uma novidade tão recente que nem parecia real. O FC Porto haverá de superar a perda, mas ainda não seria desta, não com ela pintada tão de fresco.

Por mais que, pelas oportunidades e caudal, os portistas pudessem estar a ganhar, o intervalo tinha resultado adverso, tal como na primeira jornada, em Moreira de Cónegos.

Na segunda parte, a equipa seguiu intermitente, parca em rasgo, os extremos sem influência em bola corrida e Taremi a parecer um escudeiro de Toni Martínez, ao invés do contrário que fala mais à realidade. Por mérito do Farense, sereno e confiante a ter bola, e por demérito de um FC Porto que procurou a dinâmica de Pepê, estranhamente apagado e errático.

Teve de ser, pois, pela velocidade na esquerda a procura de novos desequilíbrios. À conta disso, Toni Martínez teve excelente hipótese de bisar. Gonçalo Borges iria a jogo também para aí, com recuo de Galeno, e tentou criar o que só João Mário, aqui e ali, conseguia – bom remate à trave.

Pelo meio, paragens e mais paragens. Uns dirão que é anti-jogo puro, outros dirão que tal é uma forma de esbater diferenças entre equipas, mas todos dirão que foi perfeito para o Farense e de enorme irritação para o FC Porto. O público desesperou, como também o fez com as más ações de vários jogadores.

Quando o jogo foi para a compensação (e 12 minutos adicionais pareceram escassos), viu-se uma atípica fase de controlo ofensivo do Farense, que até podia ter sido feliz com melhor definição no último terço. Teve de ser decisiva a criatividade de Gonçalo Borges pela direita, a servir Marcano para o golo que efervesceu o estádio de alegria e alívio.

O FC Porto ganhou com o seu suspiro de alívio, mas não de resolução porque acabaram desavindos com a recente orfandade a que a saída de Otávio os condenou, pelo menos em tão pouco tempo para inventar um penso rápido.

Custou, custou bastante e vai custar algumas vezes, mas a vitória chegou.

Raul Saraiva
Raul Saraiva
O Raúl tem 19 anos e está a tirar a Licenciatura em Ciências da Comunicação. Pretende seguir Jornalismo, de preferência desportivo. Acredita que se aprende diariamente e que, por isso, o desporto pode ser melhor.

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