Não é defeito, é feitio. E ainda bem…

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O coração encosta-se à boca no momento de defender afincadamente os seus. A personalidade e paixão que empresta ao que faz colocam-no como um dos alvos preferenciais de quem quer e precisa de o ver diminuído. Sérgio Conceição é hoje um dos poucos baluartes resistentes, criado à imagem e semelhança do ideal pelo qual o FC Porto se tornou grande e respeitado mais além do que aquém fronteiras.

SC não é sonso e muito menos pau mandado seja de quem for, sendo por isso habitual que não compactue com a ‘nojeira’ comportamental de quem quer fazer dele um mísero boneco. O super badalado caso do não cumprimento a Varandas é apenas mais um de uma longa lista de tremendas hipocrisias do qual se pretendem retirar alguns proveitos. Não foi bonito é certo, mas já não estou tão certo de que não tenha sido merecido. Tenho algumas dificuldades em crucificar quem demonstra, em todos os momentos, ser exclusivamente aquilo que é: simples, apaixonado e transparente.

Não é, contudo, a forma de ser de Sérgio que me faz escrever (uma vez mais) sobre o treinador que – espero – o FC Porto tem para muitos anos. A frieza dos números é muitas vezes reveladora e, acima de tudo, arrebatadora!, sobretudo tendo em conta as mais do que inusitadas e até absurdas críticas (para sermos simpáticos) que vão chovendo por todos o lado… até menos por onde menos se deveria esperar.

Dois anos. Dois. Dois anos em que Sérgio Conceição resgatou, como pôde, um gigante adormecido e do qual poucos esperava, algo. Em duas épocas, Conceição conquistou o dobro dos títulos que o FC Porto havia conseguido nas quatro anteriores. Por aqui, estaríamos conversados quanto a competência, mas temos de falar de muito, muito mais.

Sérgio Conceição fará sempre parte da solução e nunca do problema
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

88 pontos em 102 possíveis no primeiro ano; 85 pontos no segundo ano. Em 2017/18 foi igualado o recorde de pontos do SL Benfica de Rui Vitória e do campeonato português. Na época seguinte (atual), em mais de metade das épocas, os 85 pontos chegariam perfeitamente para ser campeão. Digam-me os entendidos: são três pontos de diferença entre uma época e outra razão suficiente para se considerar uma época muito boa e outra muito má?

Na presente campanha, SC devolveu ao clube uma conquista que já lhe escapava desde 2013: a Supertaça. Com o decorrer da época, mais um recorde igualado: 18 vitórias consecutivas para todas as competições. É obra, não? Sobretudo se tivermos em conta que se quisermos falar em reforço qualitativo das opções ao dispor do treinador nos cingimos a… Militão.

No final de 18/19, fazemos um rescaldo apenas aos factos e percebemos que o FC Porto chegou à final da Taça da Liga e à final da Taça de Portugal… por lotaria. No ano anterior, o tal em que tudo fora perfeito, os azuis e brancos caíram nas meias de ambas as competições. Não é que neste desporto a lógica e a racionalidade imperem, mas atrever-me-ia a dizer que não foi nada mal, agora que a ‘azia’ se foi e a análise a frio passou a ser uma possibilidade.

A conversa já vai longa, mas falta ainda falar da Liga dos Campeões. E que mais haverá a dizer de uma competição na qual o FC Porto conseguiu igualar a melhor fase de grupos da sua história (com 16 pontos conquistados em 18 possíveis)? Além disso, prolongou a sua estadia na prova mais importante de clubes a nível mundial até aos quartos de final (o que não acontecia desde 2015), reforçando dessa forma o estofo europeu que já lhe é característico e proporcionando ao clube um dos maiores encaixes financeiros da sua história.

Tudo isto, meus amigos, sob a alçada de um organismo que não permitiu grandes aventuras no que ao real reforço da equipa diz respeito. Tudo isto num período em que a Sérgio Conceição mais não bastou senão recuperar jogadores como Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira ou Moussa Marega (os quais se tornaram imprescindíveis no título alcançado), para além de potenciar atletas como Alex Telles, Herrera, Brahimi e Corona, proporcionando-lhes os melhores números e épocas de dragão ao peito.

Falar de Sérgio Conceição, caros leitores, exige bem mais do página e meia de falatório, portanto considere-se este um produto inacabado, ao qual voltarei noutra oportunidade.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo
Ricardo Anselmohttp://www.bolanarede.pt
O azul e o branco é parte fundamental da vida do Ricardo. O amor pelo FC Porto faz dele um adepto ferrenho dos 'dragões'. Tem na escrita um amor quase tão grande como o que tem pelo clube, sendo sobre futebol que incide a maior parte das suas escrituras. No futuro, espera encontrar no jornalismo a sua ocupação profissional.                                                                                                                                                 O Ricardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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