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O “centralismo” de Pepe ofusca Militão?

José Mário Fernandes · 3 min

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Indiscutivelmente, a chegada de Pepe à Invicta foi uma das grandes “bombas” do mercado de janeiro. As expetativas eram elevadas e muito já se sonhava com o nascer de uma autêntica defesa de betão, constituída por Alex Telles, Felipe, Pepe e Éder Militão. Contudo, com o passar dos dias, dúvidas surgiram ao redor da vinda do central português e a visão da outrora prevista defesa de betão começava a desvanecer. Dores de crescimento ou tratar-se-á de uma não adaptação de Pepe a este FC Porto?

15 de janeiro de 2019: em jogo a contar para os quartos da Taça de Portugal, a mais recente contratação dos dragões acabaria por estrear-se numa partida de má memória para os comandados de Sérgio Conceição: frente a um Leixões SC de segunda, o FC Porto foi forçado a jogar 30 minutos adicionais para, enfim, eliminar a formação da casa.

Relativamente à sua estreia, pouco ou nada a assinalar: apesar do golo sofrido, o número 33 conseguiu passar ao lado dos principais focos de críticas dos adeptos, que incidiram, principalmente, sobre os elementos atacantes.

Na mesma semana, a dose de titularidade repetir-se-ia: frente a um Desportivo de Chaves em zona de despromoção, o campeão nacional acabaria por vencer sem muita dificuldade. Porém, apesar de uma exibição razoável, o segundo jogo de Pepe ficaria marcado pela grande penalidade cometida sobre William.

Pepe (re)estreou-se com as cores do FC Porto frente ao Leixões, em jogo a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal
Fonte: FC Porto

Daí por diante, mais duas titularidades, desta vez a contar para a Taça da Liga, onde os regulamentos favoreceram (e muito) o central vindo do Besiktas. E foi aí que as desconfianças começaram a surgir. Dois jogos onde o setor defensivo não esteve no seu melhor foram o fio condutor para toda esta “explosão”.

A volta de Militão ao centro da defesa era cada vez mais pedida, com duas justificativas principais: o facto de este não render a lateral direito e as exibições abaixo das expetativas de Pepe.

Se a defesa esteve mal, principalmente, nos dois jogos da final-four da Taça da Liga? Sim, esteve. Militão e Pepe estiveram abaixo do nível que lhes é reconhecido nas respetivas posições? Claramente. Agora, há que saber separar as coisas: era quase impossível um jogador recém-chegado como Pepe encantar o exigente  tribunal do Dragão, ainda mais se atentarmos à abstinência dos relvados de cerca de dois meses que o mesmo viveu.

E, quanto a Militão, apesar de já ter exercido a função de defesa direito no São Paulo, há que ter em conta que a realidade não é a mesma. Seria melhor optar por manter a dupla Felipe e Militão no centro da defesa? Talvez, mas não como solução a longo prazo. Como mencionado anteriormente, Pepe não foi opção na Turquia durante os dois meses que antecederam a sua chegada à Invicta. Portanto, não achei uma boa escolha optar pela titularidade do central português imediatamente a seguir à sua chegada.

Agora, as dores de crescimento são dores que têm de ser sentidas: se este quarteto defensivo é para manter (sinceramente, acho que sim), temos que começar a moldar a equipa de acordo com aquilo que queremos que seja o produto final. Se foi muito precoce a entrada do Pepe? Sinceramente, considero que sim. Se a entrada do Pepe necessariamente tinha que acontecer? Obviamente que sim. Militão rende menos a defesa direito? É possível mas, a meu ver, apesar dessa queda de rendimento na mudança de posição, haverão jogos, nomeadamente na Liga dos Campeões, que teremos que abdicar do brilhantismo de Militão pelo brilhantismo do coletivo.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Mário Fernandes

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