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No artigo desta semana, e visto que depois de uma tempestade, chegou a bonança ao Reino do Dragão (esperemos que para ficar), decidi fazer uma análise individual ao onze dito base do FC Porto no sentido de desmistificar a ideia de que a equipa do Porto se encontra bastante abaixo dos seus mais diretos concorrentes no que toca à qualidade individual dos seus jogadores. A construção do onze partiu, ou pelo menos assim parece, do princípio básico n.º1 da lei universal do futebol: Uma equipa constrói-se de trás para a frente. Quantas vezes já ouvimos isto? Muitas. Não sei se é verdade mas parece fazer sentido. Essa tal construção começou, então, no escalonamento de uma defesa sólida, competente, experiente e eficaz para que depois se pudessem lançar para o processo ofensivo jovens irreverentes e rápidos (tanto a pensar como e executar). Vamos ao onze propriamente dito.
Na baliza, encontra-se uma lenda do futebol espanhol e mundial, o jogador mais titulado do planeta, o jogador com mais internacionalizações pela seleção espanhola e com mais presenças na maior competição de clubes a nível europeu, a Liga dos Campeões. Falo, obviamente, de Iker Casillas. O espanhol sempre foi exímio entre os postes e inseguro fora deles e, com o avançar da idade, essas dificuldades ao nível dos cruzamentos e das saídas vão-se acentuando e a agilidade que lhe conferia a excelência entre os postes e no um para um também se vai deteriorando. Não é, portanto, o Guarda-Redes que já foi. Está, no entanto, a fazer a melhor época desde que chegou a Portugal (dizem-no os números), sendo que, ainda assim, este facto não pode ser dissociado de um meritório comportamento defensivo de toda a equipa. É, ou tem sido, um “portero” (como dizem os espanhóis) efetivo e, até à data, não se pode assacar-lhe quaisquer responsabilidades nos (poucos) golos sofridos pela equipa. Que assim continues, Iker.

Fonte: FC Porto
Outrora capitão do SL Benfica, Maxi Pereira é hoje dono e senhor da lateral direita do FC Porto e nem a lesão em Roma colocou em risco o seu posto. A opção de Nuno por Maxi em detrimento da melhor capacidade física de Miguel Layun é aceitável à luz da inteligência de jogo do uruguaio. Já não tem, nem de perto nem de longe, a capacidade física necessária para fazer todo o corredor direito e vai expondo a equipa a alguns calafrios devido às suas dificuldades em recuperar posição. No entanto, é o lateral mais inteligente do plantel, que combina bem movimentos exteriores (ir à linha cruzar) com movimentos interiores (entre lateral e central ou até a aparecer em zonas de finalização). A defender tem a vantagem de ser substancialmente melhor que o mexicano Layun no um para um com o extremo contrário.
No centro da defesa encontram-se as duas grandes surpresas e os principais responsáveis, na minha modesta opinião, para o excelente registo defensivo da equipa: Felipe e Marcano. Já aqui abordei, num artigo passado, esta dupla e, como tal, não me vou alongar por aí além. Apenas dizer que têm sido intransponíveis e que têm demonstrado uma enorme complementaridade e cumplicidade. Com estes dois monstros não passa nada.
O posto de lateral esquerdo pertence, incontestavelmente, a Alex Telles. O brasileiro contratado este verão aos turcos do Galatasaray, depois de uma época de empréstimo no Inter de Milão, tem-se apresentado a um nível elevadíssimo. Incansável, tem demonstrado um enorme pulmão a fazer todo o corredor esquerdo do FC Porto. É um lateral de pendor ofensivo mas tem sido, no entanto, a defender que mais me tem surpreendido: sublime. A atacar é forte, tanto em condução e no cruzamento. Ainda assim, pode melhorar na inteligência de jogo e na combinação com os seus colegas pois, por vezes, procura demais o jogo direto (não sei se por indicação do treinador) e raramente procura movimentos interiores, sendo o cruzamento um dos seus vícios mesmo quando não parece ser a melhor opção. Excelente lateral o Porto foi encontrar na Turquia.
No meio campo, no vértice mais recuado, encontra-se o nosso campeão europeu: Danilo. E está a protagonizar uma época verdadeiramente extraordinária. É o patrão do meio campo portista. Dotado de um enorme pulmão, é fundamental quer a defender, com inúmeros roubos de bola e segundas bolas ganhas, e a atacar, por via do transporte de bola, queimando linhas e empurrando a equipa para a frente. Tem sido, igualmente, uma agradável surpresa no capítulo do passe, tanto curto como à distância. No meio campo do Dragão manda Danilo Pereira.
Isto no processo defensivo, porque no ofensivo quem comanda é Óliver Torres, pequeno médio espanhol que, após um inicio de temporada algo inconstante, se vem afirmando como um dos melhores (senão o melhor) jogadores da equipa portista. Joga e faz jogar. Em pés de veludo põe a equipa a trabalhar como se de uma sala de máquinas se tratasse. É uma enciclopédia de bom futebol e pelos seus pés passa todo o processo ofensivo da equipa. E depois, alia a tudo isto uma enorme capacidade defensiva, quer através de uma inteligente ocupação dos espaços ou de inúmeros roubos de bola. Um pequeno grande jogador.

Fonte: FC Porto
Sobre a direita do ataque joga aquele que tem sido o jogador mais excitante, por assim dizer, do FC Porto versão 2016/2017: Jesus Manuel Corona. O mexicano, como se previa, saiu da sombra para a ribalta e deu um salto qualitativo, esta época, para níveis de excelência, tendo-se afirmado como principal extremo da equipa e maior agitador do ataque portista.
Exímio e imparável no um para um e em condução de bola, tem presenteado as bancadas do Dragão com variadíssimas grandes exibições. Tem sido, ainda, o complemento perfeito para Maxi com que se tem entendido muito bem na ala direita e a quem tem dado um importante apoio defensivo. Assim se mantenha a este nível e não tardará muito até que os tubarões europeus o venham pescar.
Na esquerda, Otávio. Está lesionado e quem tem assumido a posição é Brahimi mas, quando em condições, a opção tem recaído sempre sobre o jovem brasileiro. Protagonista de um inicio de época a todo o gás, vinha perdendo algum fulgor. É um jogador de enorme qualidade a quem fez maravilhas o empréstimo ao Vitória de Guimarães na temporada passada. Parte da esquerda quase sempre para movimentos interiores, abrindo espaço à subida do lateral ou às movimentações de Diogo Jota. Portador de um pé direito delicioso e de uma habilidade técnica e qualidade de passe bem acima da média, parece estar destinado a grandes feitos pois qualidade não lhe falta. É jovem e ainda pauta pela inconstância mas a aposta justifica-se e muitas alegrias dará aos adeptos portistas. Para além de qualidades ofensivas tem demonstrado enorme altruísmo no processo defensivo na ajuda a Alex Telles.
No eixo do ataque, duas promessas made in Portugal: Diogo Jota e André Silva. O primeiro, emprestado pelo Atlético de Madrid, alterna entre o apoio a André Silva e a ala esquerda. Velocista nato, tem alguma técnica e boa capacidade finalizadora. André Silva, o menino bonito das bancadas do Dragão é um jovem ponta de lança igualmente rápido e muito trabalhador que ainda foge demasiado da área e do golo para funções que não são, ou não deveriam ser, as suas. Apresenta limitações evidentes no um para um e ainda lhe falta capacidade de decisão, sendo que, ainda assim, apresenta números interessantes no que à média de golos diz respeito. São dois jogadores fundamentais na primeira zona de pressão que não deixam nenhum defesa central descansado. Grande expectativa acerca da futura evolução destas pérolas portuguesas.
Uma última nota para dizer que no banco encontram-se ainda jogadores como André André (médio versátil e trabalhador), Rúben Neves (médio defensivo de enorme talento), Brahimi (enorme jogador argelino que, quando com a cabeça no lugar, é um dos melhores jogadores do nosso campeonato) ou Miguel Layun (lateral mexicano que, pese embora algumas limitações defensivas, garante um elevado número de assistências por época). Há, ainda, alguns outros jogadores que podem ser úteis no decorrer de uma época como Herrera, Boly, João Carlos Teixeira, Evandro ou até, o jovem ponta de lança Rui Pedro.
Em suma, o plantel do FC Porto é composto por um conjunto de 15/16 jogadores muito capazes que em pouco fica a dever aos rivais (o Benfica tem claramente o melhor plantel em Portugal) e mais do que suficiente para lutar pela conquista do Campeonato. Assim que haja competência do treinador e união, compromisso e dedicação da equipa e o caminho para o sucesso ficará mais curto e plano.
Foto de capa: FC Porto













