Otávio: a chave para os problemas de criatividade no duplo pivot

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Uma das grandes dificuldades ao longo desta época para Sérgio Conceição tem sido arranjar uma dupla no meio-campo que produza bons resultados consistentemente, e Otávio pode ser uma peça-chave para a resolução do problema. Esta pausa no campeonato dá oportunidade ao treinador para refletir sobre este assunto, e então também irei eu fazê-lo.

Danilo Pereira, Matheus Uribe e Sérgio Oliveira têm sido os jogadores com mais tempo de jogo no duplo pivô. Contudo, mais recentemente e com vista a melhorar os problemas de falta de criatividade, Sérgio Conceição tem também experimentado Otávio e Vitinha como médio mais criativo dos dois.

A dupla inicial e aquela que, na teoria, é a mais forte é a de Danilo e Uribe. Mas cedo se notou que, para uma equipa como o FC Porto, é preciso ideias mais atacantes no meio-campo. Mamadou Loum teve também algumas oportunidades mas, talvez infelizmente para o próprio, jogou sempre ao lado de Danilo e voltaram a evidenciar-se os mesmos problemas.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Foi apenas quando Danilo começou a ter problemas físicos mais regulares que Sérgio Conceição foi forçado a improvisar um pouco. Aqui surgiu uma dupla que, para mim, tem bastante potencial, especialmente contra adversários de menor qualidade – Uribe e Otávio. Em meados de dezembro, contra o Tondela, foi essa a dupla que atuou no meio-campo e Conceição colheu os frutos. Quando Otávio joga a partir da direita, como é costume, este flete naturalmente para o corredor central e é uma peça chave nas saídas de bola do FC Porto. Mesmo a partir de uma ala, não é assim tão invulgar ver Otávio como o médio mais recuado em certos momentos do jogo. E isto acontece porque de facto é dos que mais qualidade tem para pôr a bola a rolar nessa fase do relvado. Contudo, e já não para benefício da equipa, este comportamento força os médios mais defensivos a subir ligeiramente no terreno, para receber o passe entrelinhas. Mas este não é o forte desses jogadores, nomeadamente de Danilo.

Em vista destes problemas, surge uma questão: porque não começar logo com Otávio na posição que acaba por ocupar em grandes partes do encontro? Isto iria permitir que os jogadores que acabam por receber a bola mais à frente no terreno sejam jogadores mais evoluídos tecnicamente, como Nakajima. Esse jogo contra o Tondela foi uma das poucas vezes em que conseguimos ver Otávio, Nakajima e Luis Diaz em simultâneo no relvado – e o ataque organizado do FC Porto beneficiou desse facto.

Contudo, devido à falta de opções nas alas, também pelo uso de Corona como defesa-direito, surge por vezes a necessidade de jogar Otávio a partir de uma das alas. Nestas alturas, surge uma necessidade de encontrar outro jogador que consiga manter a qualidade na posse de bola na primeira fase de construção. Aqui entra Vitinha. Infelizmente, neste momento o jogador encontra-se a recuperar de uma lesão, mas, em situação normal, o jovem tem todas as capacidades para ser esse médio de ligação entre setores. Tem muita qualidade com bola, seja no passe ou no transporte e tem uma margem de progressão muito elevada.

Ainda como aposta futura para este meio-campo existe Fábio Vieira. O jovem talentoso tem tudo para ser uma estrela no clube. Tem toque de bola, passe, condução e também uma forte chegada à área e golo. Ainda recentemente, ao serviço do FC Porto B contra o Vilafranquense, marcou dois golos de deixar as bocas abertas. Pode ser opção tanto como médio centro mais atacante, como um ala que descai para o centro no 4-4-2 de Sérgio Conceição.

Opções não faltam a Sérgio, que tem ainda Romário Baró, é só preciso que o técnico português tenha mais alguma coragem na escolha do seu duplo pivot. Porque vamos ser sinceros, nos jogos contra as equipas na parte de baixo da tabela classificativa, não é necessário que joguem Danilo e Uribe ou outra dupla que tenha também mais propensão defensiva.

Alexandre Matos
Alexandre Matoshttp://www.bolanarede.pt
O Alexandre é um jovem que estuda Ciências da Comunicação no Porto. Apaixonado por tudo o que seja desporto, encontra a sua maior obsessão no futebol. Como não tinha grande jeito para jogar, decidiu que o melhor era apostar no jornalismo desportivo. Amante incondicional de bom futebol, não tem medo de dar a sua opinião nem de ser polémico. Sendo qualidades inerentes à profissão que deseja exercer no futuro, rege-se pela imparcialidade e pelo critério jornalístico na sua escrita.

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