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fc porto cabeçalho 2Há cerca de um mês e meio (mais coisa, menos coisa), escrevi um artigo a alertar para um dos maiores perigos do futebol em Portugal: a memória curta. Nesse mesmo artigo, chamava a atenção para algo que frequentemente sucede no nosso futebol e para uma tal linha que separa a euforia da depressão.

Fonte: FCP
Fonte: FCP

À data, o FC Porto vivia um momento extremamente positivo, pese embora o facto de vir de um empate a zero no Bonfim contra o Vitória Futebol Clube (conhecido como Vitória de Setúbal). Havia ganho com relativa facilidade e brilhantismo os seus jogos para o campeonato (Nacional e Arouca), seguia em frente na Taça de Portugal, tendo eliminado o modesto Gafanha, e para a Liga dos Campeões vencera por 1-2 o Club Brugge na Bélgica, após uma moralizadora reviravolta com o carimbo do minuto 92 (André Silva marcou de penálti e aos 92 minutos o golo da vitória).

Avizinhavam-se jogos decisivos com Brugge e Copenhaga para a Liga dos Campeões, nova eliminatória (contra o Chaves) para a prova rainha do nosso futebol, a Taça de Portugal, e mais uma mão cheia de jogos para a Liga NOS, entre os quais a importante receção ao Benfica no Estádio do Dragão. Vivia-se, de certa forma, um estado de graça. O Porto estava bem e recomendava-se, os adeptos estavam com a equipa, e parecia estar finalmente dado o mote para uma temporada positiva. Pois, bem, o que se seguiu a partir daí foi um descer do céu ao inferno. Seguiram-se resultados e exibições muito abaixo do esperado e o clima de euforia deu lugar a uma depressão profunda, com os já habituais lenços brancos a começarem a aparecer.

A equipa entrou numa crise exibicional e de eficácia, foi eliminada da Taça; manteve o sonho da Champions vivo, é certo, mas com exibições (Brugge) e resultados (Copenhaga) desoladores, no campeonato deixou-se ultrapassar pelo Sporting e o fosso pontual para o Benfica alargou para os sete pontos. A estreia na Taça da Liga (empate a zero caseiro frente ao Belenenses) foi apenas mais um capítulo deste filme de terror. O Porto estava na corda bamba.

Fonte: Glibing
Fonte: Glibing

De repente, tudo muda. A tal ténue e frágil linha que havia separado a euforia da depressão foi a mesma linha que separou o inferno de um regresso aos píncaros. Quando todos, ou quase todos, davam o Porto como moribundo e derrotado, eis que o Benfica tropeça nos Barreios frente ao Marítimo e o jovem Rui Pedro (ponta-de-lança formado nas escolas do clube), qual D. Sebastião, surge no meio da neblina para resgatar o Porto no campeonato, dando, no minuto 95 (imagine-se), a vitória ao Porto frente ao Sporting de Braga, num jogo no qual já ninguém julgava que tal fosse possível, tamanho era o desperdício de oportunidades dos comandados de Nuno Espírito Santo. Como se isso não bastasse, quatro dias depois, o Porto despacha a equipa B (para não dizer C) do campeão inglês por 5-0. (Atenção: foi, de facto, uma vitória e uma exibição muito meritórias, mas é necessário colocar alguma água na fervura e perceber o contexto em que esta sucedeu, e relativizar, de alguma forma, os números da mesma). E, assim, volta o clima de confiança e de festa.

Bernardo Lobo Xavier
Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.

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