Perdidos no Tempo: Anderson

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Na rubrica “Perdidos no Tempo” desta semana falamos sobre um jogador que terá sido, porventura, um dos mais talentosos a chegar ao Dragão no presente século. Falo de Anderson. Um menino que chegou em janeiro de 2006 ao FC Porto, deslumbrou e desapareceu.

A generalidade dos portistas lembrar-se-á deste menino de 17 anos que Pinto da Costa ofereceu a Co Adriaanse para que este pudesse aprimorar e utilizar no ataque final ao 21º título de campeão nacional da história do clube. Anderson Luís de Abreu Oliveira, aterrou no Porto vindo do Grémio de Portalegre onde se havia tornado profissional em 2004 e que, após 9 golos em 31 jogos, aguçou o apetite do Velho Continente.

Foi nesses meses sob o comando do holandês que Anderson aprimorou todo o potencial que lhe era reconhecido para que pudesse vir a emergir para as luzes da ribalta na temporada seguinte sob o comando de Jesualdo Ferreira. Atuava em qualquer posição do meio campo ofensivo e era um fantasista. Impressionava pela técnica e capacidade de drible. Velocíssimo a conduzir a bola, era, igualmente, primoroso no capítulo do passe. Era, ainda, dono de um excelente e fácil remate. Ainda hoje, os adeptos portistas recordarão este brasileiro como um dos mais brilhantes e cintilantes diamantes em bruto que passaram pelo clube e de quem se chegou a acreditar, até por via de sucessivas comparações com Ronaldinho Gaúcho, poder vir a tornar-se no melhor jogador do planeta. O problema estava na cabeça, mas não só. Já lá vamos.

A carreira de Anderson teve como ponto alto a conquista da Liga dos Campeões em 2008, ao serviço do Manchester United
Fonte: EstádioVip

Depois desse período inicial de adaptação, assumiu o papel de destaque na equipa do Professor Jesualdo e protagonizou uma época agridoce. Depois de um início de época estonteante, uma grave lesão no joelho sofrida num jogo com o Benfica à 8ª Jornada do Campeonato de 2006/2007, retirou-o dos relvados por um período superior a 3 meses. Ainda assim, voltou para uma reta final de temporada de excelente nível e fechou a época como um dos jovens mais promissores a atuar na Europa.

No verão de 2007, aconselhado por Carlos Queiroz (seu adjunto), Sir Alex Ferguson recheou os cofres do Dragão com 31,5M€ e levou o jovem Anderson para Terras de Sua Majestade. Terá sido cedo demais. Apesar de um par de épocas inicial onde ainda apresentou um nível satisfatório e ajudou o Manchester United (onde jogou com Cristiano Ronaldo) a vencer uma Liga dos Campeões, a posição demasiado recuada no terreno, várias lesões e escolhas e atitudes duvidosas concorreram para que a sua carreira entrasse, depois, em declínio. Depois de sucessivas épocas fracassadas em Manchester foi emprestado, em 2013, à Fiorentina de Itália e, em boa verdade, depois disso, pouco ou nada resta para contar sobre os méritos do jogador. Depois de uma temporada (2013/2014) catastrófica e com apenas 8 partidas nas pernas, voltou a Inglaterra sem brilho.

O passo seguinte, como no caso de tantos e tantos brasileiros, foi voltar ao seu país e à sua terra natal, desta feita, para jogar no rival do Grémio, o Internacional. Chegou a Portalegre em 2015 e, dois anos volvidos, foi emprestado ao Coritiba. Apesar de um número bastante razoável de jogos ao serviço destes dois clubes, a verdade é que não convenceu e no princípio da atual temporada, trocou o futebol brasileiro pela segunda divisão turca. Encontra-se, atualmente, a caminho dos 31 anos de idade, e longe dos grandes palcos que lhe pareciam destinados.

Fica para a história do FC Porto como bicampeão nacional e dono de uns pés de veludo e será sempre recordado como um dos brasileiros com maior potencial da sua geração e que chegou, inclusive, a representar a seleção nacional A do seu país. Infelizmente, alguns vícios boémios, um número exagerado de lesões e (porque não dizê-lo?) alguma falta de sorte impediram-no de atingir o estrelato.

Foto de Capa: Portal dos Dragões

Artigo revisto por: Jorge Neves

Bernardo Lobo Xavier
Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.

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