Por vezes a garra não chega…

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André André já não é jogador do FC Porto. Depois de três anos de dragão ao peito, conquistando apenas um campeonato nacional, André André regressa a uma casa que já conhece bem, o Vitória SC.

Quando André André chegou ao dragão na época de 2015/16, a expetativa estava em alta! Afinal, não é todos os dias que chega ao clube da Invicta um médio português goleador (18 golos em duas épocas ao serviço do Vitória SC), com uma Taça de Portugal no palmarés ganha ao SL Benfica e, mais importante de tudo, um jogador com sangue azul. Pois é, André André tinha coração azul e branco e todo o seu ADN portista foi bem transmitido pelo seu pai, António André, lenda do clube e membro do famoso plantel vencedor da primeira Taça dos Campeões Europeus de 1986/87 dos dragões. Tinha tudo para ser a harmonia perfeita entre clube e jogador. E a princípio assim foi!

André André chegou ao FC Porto com a chama de dragão bem viva e acesa, mas aos poucos a chama foi apagando. Mas vamos por partes. A primeira e melhor época de André André com a camisola azul e branca foi acima da média, seis golos apontados em 37 jogos. Pelo caminho, fez golos e jogos memoráveis nessa época de estreia, com golos decisivos e sucessivos no Dragão, primeiro frente ao SL Benfica assinalando o golo da vitória e depois frente ao Chelsea FC para a Liga dos Campeões.

O desempenho de André André foi caindo aos poucos com a camisola dos dragões
Fonte: FC Porto

Apesar da boa época de estreia, André André nunca convenceu verdadeiramente e mais tarde, viria a dar razão a essa desconfiança. A alma, a raça e a dedicação, típica de um jogador à Porto, estavam lá. Mas não era suficiente! Sempre olhei para André André como um jogador…limitado. Pouca técnica, poucos rasgos, pouca imprevisibilidade. No fundo, um jogador dedicado mas pouco dotado.

Ao olhar para o plantel dos dragões, consigo identificar um caso semelhante ao de André André, e esse jogador é Sérgio Oliveira. Ambos com uma característica que lhes é transversal: são bons mas não suficientemente bons para o FC Porto. Não me levem a mal. Face à crise financeira que os dragões viveram nas últimas épocas, estes dois jogadores cumpriram bem o seu papel. Mas foi só isso, cumpriram! Foi preciso vir um super Sérgio Conceição para “espremer o sumo” de Sérgio Oliveira, quanto a André André já pouco havia a fazer e as sucessivas lesões não ajudaram.

André André tem agora uma nova etapa pela frente e sinceramente parece-me ter feito a escolha mais acertada. Regressa a uma casa onde já foi e feliz e aonde é ainda acarinhado. Aliado a isso, será orientado por um dos melhores técnicos a treinar em Portugal, Luís Castro. Com todos estes ingredientes, tanto André André como o Vitória SC têm tudo para fazer uma excelente temporada. Obrigado André André por estes três anos dedicados de dragão ao peito e boa sorte para o futuro.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Nélson Mota
Nélson Motahttp://www.bolanarede.pt
O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.

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