Porto B – O problema do Talento

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Há dois anos, quando se abordava o tema do regresso das equipas B, o argumento mais utilizado (ou o mais bonito, que fica efectivamente melhor na fotografia) foi o de que esta seria uma forma ideal de potenciar jovens jogadores da formação, num patamar mais competitivo. Com as B’s na 2ª Liga, estes mesmos jogadores jovens teriam uma maior visibilidade e, de alguma forma, ganhariam mais facilmente experiência e competitividade. Pois bem, no Porto B a realidade é algo diferente…
Antes de mais, quero dizer que o que os outros clubes fazem com as suas equipas B’s é da sua inteira responsabilidade, não me cabendo a mim opinar, até porque raramente as acompanho. O Porto B tem optado por uma via um pouco alternativa ao argumento que inicialmente apresentei, registando duas vertentes distintas: ou um armazém de jogadores, ou uma incubadora de talentos.

Para que fique claro para os mais desatentos, na 4ª Jornada da 2ª Liga, jogando contra o Penafiel (jogo que acabou empatado a zero), o Porto apresentou o seguinte onze:

Kadú (Formação), Fucile, Reyes, Tiago Ferreira (Formação), Rafa (Formação), Herrera, Carlos Eduardo, Kelvin, Tiago Rodrigues, Ricardo Pereira e Tozé (Formação).

Naturalmente que este é apenas um exemplo, mas, ao analisar outros jogos, ainda que por exemplo Pedro Moreira (Formação) seja um dos elementos com maior presença na equipa, também Quiñonez, Kléber (sim, esse mesmo) e Vion registam muita assiduidade.

Kléber, Kelvin, Carlos Eduardo e Tozé festejando um golo do Porto B Fonte: http://www.dn.pt/
Kléber, Kelvin, Carlos Eduardo e Tozé festejando um golo do Porto B
Fonte: http://www.dn.pt/

Qual será então a importância da Equipa B para o Futebol Clube do Porto?

Ao olhar para alguns jogadores como Fucile e Kléber, vemos perfeitos exemplos de jogadores que foram para a B porque simplesmente já não existia mais sítio para os colocar. Já no caso dos jogadores da formação mais utilizados, como Kadú, Tiago Ferreira, Tozé e Pedro Moreira, parece-me evidente que, daqui a um ano ou dois (tendo em conta o passado), serão emprestados a equipas da 1ª Liga para mostrar o que valem num patamar superior, pois considero que não estão preparados para a equipa principal.

A maior problemática do Porto B insere-se nos casos de outros jogadores, nomeadamente Carlos Eduardo (um médio altamente criativo que, longe de ser Deco, mostra alguns detalhes mágicos do 10), Kelvin (provavelmente um dos jogadores mais amados pelos adeptos portistas, cuja velocidade e imprevisibilidade o puseram na ribalta em jogos contra Braga e Benfica e lhe deram um lugar no Museu do Porto) e Reyes (o defesa central mexicano que custou 7 milhões de euros), além de outros, que, ainda que tenham começado a jogar na equipa B, ou foram emprestados (Tiago Rodrigues) ou têm presença activa na equipa A (Ricardo e Herrera).

O mexicano Hector Herrera é o exemplo perfeito do que se pretende com a equipa B do Porto. O senhor oito milhões começou na B esta época e actualmente luta pela titularidade na equipa principal com Steven Defour. A equipa B serviu-lhe para se adaptar ao futebol europeu, para entender as dinâmicas do futebol português e a estrutura do Futebol Clube do Porto, mas não só. O facto de ter jogado pela B durante umas semanas permitiu-lhe jogar com regularidade em vez de simplesmente se sentar no banco ou na bancada. Existindo menor pressão em jogos da 2ª Liga, esta tornou-se uma excelente alavanca para o jogador.

Muitos poderiam questionar se faz algum sentido contratar bons jogadores e colocá-los na B de imediato. A verdade é que para o clube é mais benéfico ter Reyes na B do que enviá-lo desde logo para um Paços de Ferreira ou um Guimarães, ou até para outra Liga. Verdade seja dita, jogar na B não é apenas ser opção directa para Taça de Portugal e Taça da Liga; é aspirar a ser titular na Liga, é percepcionar uma ascensão gradual no clube, aceitando que jogar no Porto implica um percurso de aprendizagem e formação.

Jogadores muito ambiciosos, psicologicamente fracos e desmotivados não vivem bem na B; veja-se o caso de Iturbe, o mini Messi que de Messi só a estatura. Esta não é de todo uma equipa para fracos de cabeça, mas acredito que jogadores que entendam o objectivo de ganhar competitividade jogando com regularidade numa Liga que, ainda que secundária, aglomera já equipas de algum potencial, podem sair muito beneficiados.

Nunca fui da opinião que as equipas B’s devem ser exclusivas dos jovens portugueses da formação; esse argumento é (tal como referi no início) bonito e fica bem na fotografia, mas a sua eficácia tem sido baixa. Há poucos jogadores portugueses, mas mais escassos ainda são os grandes jogadores portugueses e só esses conseguem ter lugar num plantel principal do Porto. Se a nível desportivo e económico é preferível ter alguns jogadores estrangeiros na B, então acredito que deva continuar a ser essa a aposta do meu clube.

A equipa B deve ser a última equipa de formação de um clube, formando não só os jovens que estão há dez anos no clube, como todos aqueles que tenham chegado há uma semana, independentemente da sua idade ou nacionalidade…

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