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Problema central

Igor Pereira · 3 min

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Mais um fim de semana, mais um ataque de nervos. Depois de ver as suas aspirações de chegar ao título de campeão nacional caírem por terra, o FC Porto procurava uma boa resposta perante os 20 mil adeptos que pintavam as bancadas do Dragão, no jogo frente ao União. Pode dizer-se que passaram no teste, mas à “rasquinha”. A equipa continua na sua lastimável série de jogos a sofrer golos para o campeonato – já vai em sete consecutivos.

Sem brio e com pouco engenho, os dragões vão somando alguns recordes negativos. A zona defensiva regista a pior série dos últimos 12 anos; para registos piores só mesmo se recuarmos aos tempos de Octávio Machado e de Mourinho, em que nas balizas defendidas pelos azuis e brancos se encaixaram 28 golos em 26 jogos. Esta temporada a contagem já vai em 23 golos concedidos em 26 encontros. Sendo que nos últimos sete jogos se sofreram 12 golos, então significa que o FC Porto sofreu mais nesta má fase do que nos outros encontros já disputados.

A Invicta depara-se com um autêntico problema central. Não é por acaso que se tem sofrido tantos golos ultimamente. A defensiva portista de jogo para jogo altera os seus elementos de forma constante, seja por opção, seja por lesão, seja por castigo; existem sempre mudanças radicais nos pressupostos táticos no que diz respeito à transição defensiva da equipa. Esta situação, que se alastra já há bastantes jogos, não tem qualquer tipo de sustentabilidade, uma vez que o FC Porto passou da melhor defesa da Liga NOS para a quarta posição em apenas seis jornadas.

Pelos meandros do Futebol corre uma máxima que diz que “a melhor defesa é o ataque”. Máxima esta que é tudo menos posta em prática no FC Porto. Todas as perdas de bola tanto no miolo, como em zona de ataque acabam por dar perigo para a baliza de Casillas. Por mais que critique a inconsistência do guarda-redes espanhol, não se pode também deixar de reprovar a passividade dos criativos da frente. Atletas como Brahimi, Jesús Corona e Herrera são provavelmente os jogadores com mais potencial do plantel para vingarem em grandes clubes da Europa, mas jornada a jornada pecam muitas vezes na saída para o ataque, com inúmeros passes errados que se traduzem em golos das equipas adversárias. Nesta fase o que os portistas apenas pedem à equipa são vitórias, bom futebol e um melhor discernimento na tomada de decisão.

Nem tudo é mau nesta nova era de José Peseiro. Apesar de o futebol praticado ser muitas vezes atabalhoado, a equipa finalmente consegue puxar dos galões para recuperar resultados desvantajosos. Também é de referenciar a nova importância que Sérgio Oliveira começa a ter no plantel, assim como a inclusão do jovem defesa Chidozie, que já demonstra muito talento apesar da sua tenra idade e experiência. Do mesmo modo, a nova dimensão que Herrera tem trazido ao meio campo portista, apesar de o seu futebol ser por vezes “tosco”, tem demonstrado uma preponderância diferente agora como capitão, estando por sua vez ligado a vários golos dos azuis e brancos. É um jogador bastante mais maduro, algo que não se via, nem pouco mais ou menos, no comando de Julen Lopetegui.

Herrera tem assumido destaque na nova era Fonte: FC Porto
Herrera tem assumido destaque na nova era
Fonte: FC Porto

Ainda muito pouco tempo de trabalho, mas ainda estamos um pouco longe de conseguir ver este FC Porto como futuro vencedor de títulos. Existem muitos problemas por limar e muitas dores de cabeça por resolver. A sorte é que os adeptos conhecem a sua casa e sabem muito bem que os jogadores que por eles jogam podem ainda dar o triplo ou o quádruplo do que têm demonstrado. José Peseiro profere que melhores tempos virão e que, até este momento, teve pouco tempo de trabalho. A única coisa que os portistas sabem é que até ao final ainda há uma Taça, que nos escapa há muito tempo, para conquistar, e esperamos todos que nesse dia estejamos à altura, porque vai haver muito tempo para melhorar e para somar mais e mais vitórias.

Foto de Capa: FC Porto

Igor Pereira

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Torreense ‘Til I Die On The Beach

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