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Na passada quinta-feira, o FC Porto comunicou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários que exerceu a opção de compra para aquisição dos direitos desportivos de Óliver Torres ao Atlético de Madrid pelo montante de 20 milhões de euros. O médio-centro espanhol iguala assim Giannelli Imbula como o futebolista mais caro de sempre a ser contratado pelo FC Porto, tornando-se também no segundo jogador mais caro da história do futebol português (apenas atrás de Raúl Jiménez, contratado pelo SL Benfica ao Atlético de Madrid por 22 milhões de euros).
Ao longo dos últimos dias a discussão tem-se focado na relação custo-benefício deste negócio, ou seja, tem vindo a ser colocada a questão: será que a qualidade futebolística de Óliver Torres é compatível com a avultada maquia investida pelo FC Porto na aquisição do seu passe? Analisando atentamente o futebolista e aquilo que ele traz à equipa, a resposta parece clara: sim, trata-se de um investimento significativo mas com potencial de lucro futuro, tanto sob o ponto de vista desportivo como a nível económico.

Óliver é um futebolista de topo porque, tanto tecnicamente como na tomada de decisão, está ao nível dos melhores. O pequeno génio espanhol tem potencial para, com os estímulos certos, se tornar num dos melhores médios centro do mundo. Não é, efetivamente, um jogador que deslumbre pelas jogadas individuais ou pela capacidade de drible (como, por exemplo, Ricardo Quaresma); porém, roça a perfeição ao nível da compreensão do jogo e da sua dimensão coletiva, sendo ele quem liga ofensivamente todo o jogo do FC Porto.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Óliver Torres
Não sendo um jogador muito rápido no que à velocidade pura diz respeito, Óliver destaca-se pela capacidade de saber o que vai fazer à bola ainda antes de a receber, algo que lhe permite decidir e executar com uma velocidade e qualidade extraordinárias. Sempre que a bola sai dos seus pés, a equipa do FC Porto encontra-se numa situação mais favorável do que aquela na qual se encontrava anteriormente, ou seja, fica mais próxima do golo. Com apenas uma simulação ou um toque na bola, Óliver Torres consegue encontrar ou até mesmo criar espaços que permitem quebrar a organização defensiva adversária.
Apesar de se tratar de um futebolista com uma qualidade superlativa e, provavelmente, de um dos melhores jogadores a atuar em Portugal na última década, Óliver Torres tende a ser útil sobretudo numa equipa que privilegie a posse de bola e um futebol mais apoiado. Contudo, o que se verificou nos últimos dois jogos do FC Porto, com a equipa a apresentar-se estruturalmente num 4-4-2 clássico com três linhas bem definidas, foi uma excessiva tendência para esticar o jogo na frente em busca da capacidade de choque de Soares e André Silva. Portanto, o que se viu foi um FC Porto no qual o meio-campo se foca mais em manter uma transição defensiva segura do que em construir e criar, com critério, oportunidades de finalização.

Assim sendo, cabe agora a Nuno Espírito Santo definir claramente o que pretende do futebol praticado pela sua equipa e, acima de tudo, consolidar um modelo de jogo que claramente ainda não existe. Se nas suas ideias se incluir a prática de um futebol mais apoiado e com foco no critério relativamente à definição das jogadas, Óliver Torres poderá ser um jogador extremamente importante e que poderá até valer mais do que os 20 milhões de euros pagos pelo seu passe. Por outro lado, caso se pretenda manter a tendência para a procura dos passes longos, então este parece tratar-se de um negócio pouco compreensível na medida em que, para concretizar essa ideia de jogo, não é necessário Óliver nem qualquer outro médio que saiba tratar bem a bola.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Óliver Torres
Artigo revisto por: Patrícia Nel













