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Respostas para o inexplicável

Ricardo Anselmo · 2 min

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Multiplicam-se as teorias, somam-se as ideias, dividem-se as definições e, no final, o resultado é um redondo zero… ao quadrado. Nos últimos dias, os experts vão-se desdobrando em esforços mais ou menos apreciados e consensuais para encontrarem uma explicação razoável para um hipotético divórcio entre meia dúzia de pertencentes à claque Super Dragões e o plantel do FC Porto.

Futebol não rima com racionalidade e todos estamos fartos de ser confrontados com o lugar comum de que o que conta é o momento. Muito sinceramente, já chateia ter de vir pela enésima vez enumerar os feitos de Conceição à frente do FC Porto nestes últimos dois anos, para confrontar quem, num momento de pura azia, encontra no técnico portista o mal de todos os pecados. Mais armas tivesse e a história seria necessariamente outra. Os erros fazem parte do processo e não perceber isso é meio caminho andado para que surjam episódios tristes como os verificados no Dragão e também em Vila do Conde.

O mar azul tem sido peça fundamental no sucesso recente do FC Porto
Fonte: FC Porto

Mas afinal, o que pode provocar essa ira e aparente ingratidão perante quem tanto deu, dá e dará como todos, eu inclusive, esperamos. Sirvo-me das sábias palavras de José Manuel Ribeiro, diretor d’O JOGO, para tentar aproximar-me das explicações que nunca serão totalmente alcançadas. “O fim da era dos impérios”, é este o título da crónica em que o jornalista começa por identificar, porventura, o maior dos problemas: “os portistas ainda não são capazes de aceitar que o FC Porto passou a partir em desvantagem” em relação ao maior rival.

Esse vem sendo, naturalmente, o maior choque com a realidade. “Influência, desenvolvimento, poder, receitas ordinárias, aliados.” Eis os ingredientes cozinhados ao longo de mais de uma década que, todos juntos, suportam e mantêm o SL Benfica no topo do futebol nacional, quer queiramos quer não. JMR diz-nos que “em todas estas áreas, o FC Porto arranca a perder” e não aceitando esta realidade, “os portistas não compreenderão os resultados”, sobretudo os maus. Adianta ainda que “a alternância do campeão” é o mais normal, “quando se tem um adversário com as condições do Benfica.”

Acima de tudo, cabe ao adepto portista, habituado ao domínio interno, “acordar” para a realidade que impera e perceber que a receita que conduziu o clube ao sucesso já não é propriedade sua. E isso, meus amigos, vai levar muito tempo a ser recuperado, se é que alguma vez será.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Ricardo Anselmo

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Opinião

Quando a bancada tenta jogar: uma reflexão de João Carlos Gameiro, coordenador técnico da Academica Sporting Aurélio Pereira

Passar uma manhã de sábado à beira de um campo de futebol devia ser um exercício simples: ver os miúdos crescerem. O desporto na infância é, ou devia ser, o espaço por excelência para aprender a falhar, a cair, a levantar-se e a decidir sozinho, em frações de segundo. No entanto, quem anda pelos campos de norte a sul do país, sabe que a realidade é outra. O ruído que vem de fora não é de incentivo, é um bombardeamento constante de ordens diretas: "Passa!", "Chuta!", "Dribla!". Esta obsessão cega pelo resultado imediato, disfarçada de apoio paternal, está a matar o que o jogo tem de mais sagrado: a autonomia de quem joga.  Na cabeça do pai que grita, aquela instrução é uma ajuda preciosa. Ele está genuinamente convencido disso. Mas quem está lá dentro percebe o bloqueio imediato que o berro provoca. O jogo é demasiado rápido. No instante em que o miúdo recebe a bola e tenta ler o espaço, se ouve a ordem do pai para mudar o que ia fazer, a jogada já morreu. O prejuízo imediato é a perda da bola, mas o verdadeiro estrago é o que fica para o futuro. Quando a solução vem sempre mastigada de fora, a criança deixa de pensar o jogo; passa apenas a executar ordens. 

João Carlos Gameiro · 4 min de leitura
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