Multiplicam-se as teorias, somam-se as ideias, dividem-se as definições e, no final, o resultado é um redondo zero… ao quadrado. Nos últimos dias, os experts vão-se desdobrando em esforços mais ou menos apreciados e consensuais para encontrarem uma explicação razoável para um hipotético divórcio entre meia dúzia de pertencentes à claque Super Dragões e o plantel do FC Porto.

Futebol não rima com racionalidade e todos estamos fartos de ser confrontados com o lugar comum de que o que conta é o momento. Muito sinceramente, já chateia ter de vir pela enésima vez enumerar os feitos de Conceição à frente do FC Porto nestes últimos dois anos, para confrontar quem, num momento de pura azia, encontra no técnico portista o mal de todos os pecados. Mais armas tivesse e a história seria necessariamente outra. Os erros fazem parte do processo e não perceber isso é meio caminho andado para que surjam episódios tristes como os verificados no Dragão e também em Vila do Conde.

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O mar azul tem sido peça fundamental no sucesso recente do FC Porto
Fonte: FC Porto

Mas afinal, o que pode provocar essa ira e aparente ingratidão perante quem tanto deu, dá e dará como todos, eu inclusive, esperamos. Sirvo-me das sábias palavras de José Manuel Ribeiro, diretor d’O JOGO, para tentar aproximar-me das explicações que nunca serão totalmente alcançadas. “O fim da era dos impérios”, é este o título da crónica em que o jornalista começa por identificar, porventura, o maior dos problemas: “os portistas ainda não são capazes de aceitar que o FC Porto passou a partir em desvantagem” em relação ao maior rival.

Esse vem sendo, naturalmente, o maior choque com a realidade. “Influência, desenvolvimento, poder, receitas ordinárias, aliados.” Eis os ingredientes cozinhados ao longo de mais de uma década que, todos juntos, suportam e mantêm o SL Benfica no topo do futebol nacional, quer queiramos quer não. JMR diz-nos que “em todas estas áreas, o FC Porto arranca a perder” e não aceitando esta realidade, “os portistas não compreenderão os resultados”, sobretudo os maus. Adianta ainda que “a alternância do campeão” é o mais normal, “quando se tem um adversário com as condições do Benfica.”

Acima de tudo, cabe ao adepto portista, habituado ao domínio interno, “acordar” para a realidade que impera e perceber que a receita que conduziu o clube ao sucesso já não é propriedade sua. E isso, meus amigos, vai levar muito tempo a ser recuperado, se é que alguma vez será.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves