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Ricardo, tens o 7 à tua espera…

André Eusébio · 3 min

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Sei que já se abordou este assunto no Bola na Rede, mas cada vez mais parece aproximar-se o dia do regresso de Ricardo Quaresma ao Futebol Clube do Porto.

Começo por dizer que o odeio. Odeio-o porque não me entra na cabeça que um jogador com tanto talento, com tantos momentos mágicos realizados na sua carreira, possa ter falhado em tantas e tantas opções. Odeio-o porque queria que ele tivesse voltado mais cedo em vez de ter andado por esses Besiktas e Al Ahli’s da vida (a curto prazo entendo os factores económicos), nunca se tendo imposto na selecção nacional como o talento merecia e justificava (preterido algumas vezes de forma discutível por seleccionadores nacionais).

Nunca se deve voltar onde se foi feliz? Errado. Lucho Gonzalez é o exemplo mais recente de que nem tudo o que povo diz é certo (curioso é ainda o facto de que ambos vão voltar a jogar juntos mais uma vez). Quaresma vem (espero) e é uma incógnita. Não são os 30 anos que me preocupam, de todo; o que me preocupa é a falta de competitividade do jogador (não tem jogado nos últimos meses), a motivação que este terá no seu regresso ao Porto e a Portugal, e a forma como irá responder à enorme pressão que terá por partes dos adeptos e principalmente dos Media.

O bom filho a casa torna Fonte: Publico.pt
O bom filho a casa torna
Fonte: Publico.pt

Não acredito que alguém discuta o talento do Harry Potter – podem discutir as suas opções, o seu temperamento, a sua cabeça; o talento, esse, é indiscutível. Quaresma é para mim um dos melhores alas que tive o prazer de ver jogar no meu Porto, um dos portugueses mais mágicos da última década. Não há ninguém que não se recorde das suas trivelas, dos seus 1×1, dos seus remates de longe que inexplicavelmente encontravam o ângulo da baliza de uma forma quase romântica.

O regresso do Mustang salta algumas etapas de adaptação, conhece a cidade, o clube, e ainda vários jogadores que chegaram a jogar com ele entre 2004 e 2008. Naturalmente e como já referi, a sua forma é incógnita, uma questão que os treinadores de bancada não se cansam de abordar como se tivessem alguma ideia do seu real estado físico. Eu não sei como está, quero apenas que comece a treinar quanto antes no Olival para que, assim que possa, represente o clube em que melhor jogou na sua carreira, às ordens de Paulo Fonseca. Uma coisa é ter Quintero no banco, outra é ter Ricardo Quaresma. Dito isto, não duvidaria que Paulo Fonseca fosse bastante menos teimoso em colocar o extremo português no 11 titular passado pouco tempo da sua chegada.

A necessidade de encontrar um extremo desequilibrador para o Porto é, hoje em dia, enorme. Não veio Bernard, Iturbe foi para Itália, Kelvin anda (a fazer sabe-se lá o quê) na B, e as opções de Paulo Fonseca são actualmente um Varela trapalhão, um Ricardo verdinho e um Licá útil-para-jogos-com-equipas-pequenas (Josué e Quintero não são extremos, não os incluo sequer nesta equação). Com uma dependência demasiado grande dos seus laterais (Alex Sandro e Danilo), o Porto necessita violentamente (a única palavra que encontro para a situação actual) de um extremo capaz de decidir jogos, ou que simplesmente faça chegar a bola em condições a Jackson.

Prefiro um Ricardo Quaresma trintão a um qualquer junior brasileiro que custe 15 milhões de euros, mais cinco em comissões, mais um em sabe-se lá o quê. Não pelo dinheiro, mas porque acredito honestamente que se o “Minino” (já dizia Scolari) utilizar apenas metade do que o seu talento o permite pode levar o Porto ao Tetra, e ser uma excelente opção para a Selecção Nacional no Mundial.

Uma confidência: há uns meses, no Verão, enquanto treinava no ginásio, apercebi-me de que RQ7 lá estava -penso que a recuperar de uma lesão. Acreditei honestamente que estivesse perto de regressar ao Porto; parece que só me enganei na janela de transferências…

André Eusébio

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