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Os mil dias de Sérgio Conceição ao comando do FC Porto

Diogo Ataíde · 4 min

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Foi a 3 de junho de 2017 que Sérgio Conceição orientou a sua primeira sessão de treino pelo FC Porto, um percurso que no último domingo, 29 de março, completou 1000 dias. Um marco impressionante alcançado pelo técnico português, motivo pelo qual os azuis e brancos fizeram questão de o mencionar nas suas redes sociais. De facto, são poucos os treinadores na história do FC Porto que se podem gabar de tal apontamento, já que o ex-jogador é apenas o quinto líder de balneário a atingir esta marca, depois de José Maria Pedroto, Artur Jorge, Fernando Santos e Jesualdo Ferreira o terem conseguido.

Como em todas as relações, o ciclo de Conceição na cidade invicta tem sido pautada com altos e baixos, havendo mesmo momentos em que parece que a rutura é o mais inevitável, porém no fim tudo permanece com o mesmo objetivo do início, que é levar o FC Porto às vitórias. Com isto, salienta-se que não tem sido uma jornada fácil, algo que estimula o próprio, como já diversas vezes referiu, contudo este compromisso inabalável que assume perante todos demonstra a coragem da sua pessoa, já que este desafio de orientar o clube do seu coração não chegou no momento mais saudável do emblema nortenho. Ou seja, Sérgio Conceição pega na equipa após uma conquista sucessiva de campeonatos por parte do SL Benfica, uma situação financeira penosa e já com uma direção que apenas não passa de uma sombra do que foi em outros tempos. E foi neste panorama que todos olharam um pouco de lado para a capacidade do ex-treinador do FC Nantes em conseguir recolocar os dragões no rumo desejado, o das conquistas.

Porém, aos poucos, Sérgio Conceição veio devolver um pouco de identidade ao FC Porto, isto é, cimentar a tal proclamada “mística à Porto”, que muitos adeptos se queixavam que estava em vias de extinção e com isso conseguiu ter os adeptos do seu lado. Um condimento que, juntamente com outros ingredientes como a formação de um grupo coeso e um futebol atrativo, resultou na cereja no topo do bolo, que foi a conquista do título, que desta forma colocou o timoneiro como grande obreiro, dado que, inicialmente, todas as perspetivas concediam o favoritismo ao SL Benfica. Tudo isto aponta para um estatuto considerável que Sérgio goza perante a massa associativa, mas isso não invalida que venha a passar por algumas críticas e até algum desgaste.

Sérgio é visto por muitos como uma extensão do portismo para dentro do clube
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Por um lado, é verdade que foi pelo seu comando que o FC Porto voltou a ter a oportunidade e o gozo de colocar troféus nas vitrines do seu museu, assim como conseguiu imperar os valores do clube, que já muitos os tinham como perdidos. Além disso, à exceção desta temporada, os dragões realizaram campanhas europeias dignas, tendo alcançado uns oitavos e quartos da Champions e, no contexto interno, tem sido uma presença regular nas fases mais adiantadas de todas as provas, o que comprova bem a sua competitividade em não dar nada como perdido. Por conseguinte, o seu trabalho é ainda mais valorizado pelo facto de comandar um “barco, um pouco, à deriva”, já que, infelizmente, o trabalho da estrutura diretiva já não é tão eficaz ou empolgante como noutros tempos, cenário que inclusive já levou a que houvesse embates públicos com os responsáveis do clube, como após a última final perdida da Taça da Liga, ou então o momento protagonizado no Algarve, em 2018, a sinalizar a falta de força do FC Porto no mercado de transferências.

No entanto, o seu trabalho não tem sido só uma “maré de rosas” e a verdade é que, no último ano e meio, as críticas imputadas ao rumo que os dragões tem levado já tem chegado aos seus ouvidos. Isto acontece por algumas aquisições, com o seu aval, serem consideradas insuficientes para fazerem parte de um grupo de trabalho competitivo. Por sua vez, o futebol jogado nem sempre é o mais atrativo aos olhos dos adeptos e quando os maus resultados acompanham as exibições da formação azul e branca, todos os olhos e pressão são colocados sobre Conceição. Outra crítica que lhe é apresentada é o facto de se exceder em certos momentos na gestão que faz sobre o plantel e aqui vem à luz os episódios com Nakajima, em Portimão, e com o capitão Danilo Pereira, no último estágio no Algarve.

Por fim, apesar de tudo e após 154 partidas, em que 112 são vitórias, Sérgio Conceição parece prosseguir com a mesma motivação e o mesmo foco que apresentou no dia 3 de julho de 2017, e prova disso é que as duas próximas metas são a conquista da liga portuguesa, em que o FC Porto ocupa o primeiro posto, e a vitória na Taça de Portugal, onde irá enfrentar o SL Benfica, no Jamor.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Ataíde

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