A CRÓNICA: É O CHAMADO PONTO NULO, CERTO?

Era dia de decisões para os lados do Estádio da Luz. Com olhos postos em objetivos completamente diferentes, águias e dragões protagonizavam um clássico que há muito não se via. Digamos que era dia de exame decisivo do “cadeirão” da faculdade para o FC Porto, enquanto que o SL Benfica era o aluno que veio só com a caneta. Não tinha nada a perder e vinha para uma melhoria de nota (e da época, a nível desportivo).

O exame estava complicado para os dois alunos. Talvez tivessem estudado tanto as duas formações e não realmente aquilo que estava no formulário. Acontece, falando por experiência própria. Mas houve um que se destacou com criatividade. Podia não ter os valores todos, mas o suficiente para ter quase todos nesta pequena pergunta. Everton foi-se desfazendo em camadas enquanto passava pelos jogadores portistas e marcou um “golaço”. O que vinha somente com a caneta… Ia na frente.

Artur Soares Dias ainda apontou para a marca de grande penalidade devido a uma falta de Manafá sob Rafa, mas João Pinheiro (o VAR desta partida) ajudou o árbitro principal. Havia fora de jogo por 19 centímetros no início da jogada no passe de Pizzi para o 27 encarnado. O intervalo deste exame decisivo mostrava o 1-0 para o aluno que vinha só com a caneta, ou seja o SL Benfica.

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O segundo tempo começou com novo penálti assinalado e bem João Pinheiro a ajudar Artur Soares Dias. Diogo Gonçalves caiu na grande área portista, mas não havia de todo falta e muito bem ajuizado por parte do VAR desta partida.

O FC Porto ia estando melhor na partida e estava com intenções de querer algo mais deste exame importante. As alterações que Sérgio Conceição fez mexer com o jogo e, falando mais de João Mário, “temperou” bem o lance para o colombiano Uribe marcar um belo golo. Sem hipóteses para Helton Leite que pareceu estar mal posicionado para defender.

Os minutos finais foram escaldantes e ao nível de um grande clássico. Aos 93 minutos, os encarnados introduziram a bola na baliza de Marchesin, mas o lance acabaria invalidado por fora de jogo de Darwin nos inícios da jogada. Era um golo que sentenciava a partida e lançava o SL Benfica para mais próximo do FC Porto na classificação, no entanto, ficou tudo na mesma. Passaram ambos os alunos com 9,5 valores e com um sorriso na cara mais daquele que vinha na frente do que propriamente o que não tinha nada a perder.

É um empate que dá mais alegrias ao Sporting CP que está apenas a uma vitória de se tornar campeão nacional. Mantém-se tudo igual na diferença pontual de quatro pontos entre encarnados e portistas. O FC Porto mantém a melhor posição para entrar diretamente na Liga dos Campeões. Um jogo que se tornou interessante após o golo do Everton e os minutos finais foram de cortar a respiração.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Everton – Está a mostrar que o seu rendimento está a melhorar e está a adaptar-se melhor tanto ao jogo europeu como às ideias de Jorge Jesus. Tem de ainda melhorar alguns aspetos na decisão do último passe para os colegas que podiam ter mais ocasiões de perigo durante o jogo. Está a crescer e ainda bem para os encarnados e para o treinador. Dar um destaque também a João Mário (FC Porto), que entrou muito bem na partida.

O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mehdi Taremi – Podia e devia ter feito muito melhor com as oportunidades que foram criadas e a mais clamorosa a que Moussa Marega criou quando ainda estava a partida a zeros. Acabou por ser muito anulado por parte dos três centrais do Benfica e não apareceu tanto como gostaria neste jogo. Também dar um destaque pela negativa de Haris Seferovic e Pizzi, que também não estiveram de todo ao nível do que este clássico pedia.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Depois de Otamendi não estar disponível no jogo de Tondela, tudo de volta ao que Jorge Jesus quer tentar implementar nos encarnados. Tínhamos de novo a aposta de três centrais (Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen) e havia um 3-5-2 ou 5-3-2 que já é habitual vermos nas águias. O Benfica a ter também alterações, mas apenas três e do meio-campo para trás: Julian Weigl, Nicolas Otamendi e Diogo Gonçalves.

As águias estavam a tentar ter mais posse de bola e também a construir a partir de trás com os seus três centrais com ajuda dos laterais Diogo Gonçalves e Alex Grimaldo. O jogo dos encarnados parecia passar pelo lado direito e, principalmente, com bola longa para Diogo Gonçalves. Na primeira bola de jogo interior que o SL Benfica faz conseguiu marcar um golo.

O Benfica ia mostrando muitas dificuldades a nível defensivo, sobretudo no lado esquerdo, com Grimaldo a ser muito fustigado pela velocidade de Marega. Na segunda parte, a retificar mais esta questão e a alterar o seu sistema tática para o 5-4-1, em que Seferovic era o jogador mais ofensivo dos encarnados. Isto mostrava uma equipa ainda mais defensiva e a procurar cada vez mais os erros adversários.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (5)

Diogo Gonçalves (6)

Lucas Veríssimo (6)

Nicolas Otamendi (6)

Jan Vertonghen (5)

Alex Grimaldo (5)

Julian Weigl (5)

Pizzi (4)

Rafa Silva (6)

Everton (6)

Haris Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Gabriel (5)

Adel Taraabt (5)

Darwin Nuñéz (5)

Gilberto (-)

Pedrinho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição fez muitas alterações para possivelmente o jogo da época para os dragões e foram cinco jogadores novos no onze inicial. Pepe e Zaidu voltaram às suas posições caraterísticas, Sérgio Oliveira voltou a ser dono e senhor do meio-campo e Marega a fazer companhia a Taremi na frente de ataque. A grande surpresa (ou não) era a entrada de Luis Díaz para a ala esquerda.

Tínhamos um 4-4-2 que foi variando muito em relação aos momentos do jogo, principalmente a nível defensivo havia alguns jogadores a controlar algumas zonas do terreno enquanto que outros estavam sempre a cair em cima de jogadores pré-definidos. Luís Dias dava uma ajuda no lado esquerdo devido à subida de Diogo Gonçalves. Nestas situações os dragões variavam entre um 5-3-2 e o 5-2-3.

Na segunda parte, a partir dos 69 minutos, os portistas começaram a jogar com três defesas atrás (Manafá, Pepe e Mbmeba) e passou a jogar num 3-4-3 no momento da pressão. Neste momento, João Mário ia variando entre lateral e médio. Já a nível ofensivo, ia mantendo um 4-3-3 com, agora, Manafá à esquerda e João Mário à direita.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Augustin Marchesin (5)

Manafá (5)

Chancel Mbemba (5)

Pepe (6)

Zaidu (6)

Sérgio Oliveira (5)

Matheus Uribe (5)

Otávio (5)

Luis Díaz (6)

Moussa Marega (6)

Mehdi Taremi (4)

SUBS UTILIZADOS

Toni Martinez (5)

João Mário (6)

Evanilson (-)

Francisco Conceição (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer questões ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus.

FC Porto

O treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, não compareceu na sala de imprensa do Estádio da Luz.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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