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Solução em casa e em conta

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

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Desde que Iker Casillas sofreu um enfarte do miocárdio, muito se tem especulado sobre o destino da baliza azul e branca na próxima época. Com um final de carreira prematuro anunciado, os alarmes soaram e a SAD, a julgar pela imprensa publicada, colocou mão à obra na procura de um jogador com créditos firmados que pudesse suprir a ausência do guarda-redes espanhol. Vários nomes foram apontados. De Navas a Buffon, de Koubek a Rulli, a terminar no mais recente Kevin Trapp. Todos eles falados, alguns deles quase anunciados. A verdade é que, até à data, nenhum reforço para a posição foi apresentado. Posto isto, há uma pergunta que parece inevitável. E se não chegar ninguém?

Há sensivelmente um mês advoguei neste espaço que uma eventual aposta em Buffon seria contraproducente. Um luxo demasiado caro para o retorno que traria. Nesse mesmo artigo, terminei apontando Diogo Costa como titular da baliza portista. E disse-o porque acredito que se enquadra no perfil de jogador que acredito mais consentâneo com a realidade do clube, seja para que posição for. Um jogador jovem, com qualidade e margem de progressão, capaz de trazer mais valias desportivas e financeiras e com um custo acessível. Foi sob estes alicerces que se construíram as melhores equipas do FC Porto e deve ser, de novo, essa a estratégia. A juntar a isto tudo, exige-se uma aposta consistente na formação, sem a qual dificilmente os clubes portugueses conseguirão continuar a ser competitivos.

Ora, Diogo Costa preenche todos estes requisitos. É verdade que lhe falta a tão proclamada experiência, mas eu, leigo que sou, acredito que esse chavão é muitas vezes sobrevalorizado e não mais do que uma desculpa de mau pagador para justificar a falta de aposta na formação. A experiência adquire-se jogando e Diogo Costa não seria o primeiro jogador a entrar na equipa titular do FC Porto sem ter a tal “experiência”. Não seria sequer o primeiro guarda-redes. Sem querer entrar em comparações, todos nos lembramos de um tal de Vítor Baía. Não compactuo com o critério de número de jogos, sou um fervoroso adepto da qualidade.

Terminado o estágio no Algarve, resta um jogo de preparação antes do início oficial da época
Fonte: FC Porto

Assim, uma das boas notícias do estágio do FC Porto no Algarve prende-se com a aposta consistente no jovem guarda-redes da formação portista. No frente a frente com Vaná parece ter tomado a dianteira e só deverá ser afastado da titularidade se a SAD acabar por ir mesmo ao mercado contratar uma vaca sagrada. Não se pode dizer que o jogador tenha estado em particular destaque, é certo. Em boa verdade foram poucas as ocasiões que teve para brilhar. Fica na retina um penalti defendido e, acima de tudo, um à-vontade anormal para a idade, para liderar uma defesa composta por (esses sim, vacas sagradas) Pepe e Marcano. Mostrou confiança, segurança e tranquilidade.

Não estou com isto a dizer que não existirão erros ou momentos de sobressalto. As dores de crescimento fazem parte da evolução dos futebolistas mais jovens, mas havendo qualidade, paciência e uma aposta segura e recorrente, não tarda até que os talentos precoces e predestinados assumam um estado de maturação elevado.

Em suma, é sobejamente conhecido o percurso deste jovem guarda-redes nos diferentes escalões de formação do FC Porto e da seleção nacional. Resta perceber como se comportará no contexto de equipa principal. Esperemos (ou espero) que lhe seja concedida essa oportunidade porque a qualidade está lá. É o melhor da sua geração.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Bernardo Lobo Xavier

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