A CRÓNICA: CLÁSSICO COM EMOÇÃO, INTENSIDADE E GOLOS

O primeiro clássico da temporada. Bem, é com um misto de emoções que escrevo a primeira frase deste artigo. Um jogo como este não merece acontecer com as bancadas despedidas. Restava saber se a magia no relvado vinha fazer esquecer um pouco a falta dos adeptos a puxarem pelas equipas.

Dito e feito. O Porto começou, desde cedo, a querer impor-se para repor o seu orgulho ferido, depois do deslize na última jornada. Um ego de campeão que acabou por ficar ainda mais frágil aos nove minutos. Apesar de terem protagonizado o primeiro lance digno de destaque, foi mesmo o Sporting que se adiantou no marcador aos nove minutos. Uma autêntica bomba de Nuno Santos com o pé esquerdo e de primeira fez abanar pela primeira vez as redes, aqui, esta noite, em Alvalade.

Estava a ser um jogo interessante. Não haja dúvidas. Os dragões estavam a investir num jogo mais direto e de velocidade. Mas estava a faltar uma coisa: cérebro. Já o Sporting, estava mais cauteloso, a apostar mais na posse de bola e a procurar as mudanças de velocidade para criar oportunidades.

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Ao longo da primeira parte, o Porto foi crescendo e impondo cada vez mais o seu jogo. Era uma equipa mais assertiva e fluída nas jogadas. O crescendo azul e branco acabou mesmo por resultar na igualdade do marcador. Aos 25 minutos, Uribe marca, depois de um lance de insistência do lado esquerdo portista. O empate era um resultado justo: o Porto estava mais atrevido e a ter mais bola. Já o Sporting não estava a conseguir criar momentos. Estava, sim, a resistir naquela altura do jogo.

O que por pouco não conseguiu resistir foi mesmo o coração dos adeptos. Os últimos minutos da primeira parte foram impróprios para cardíacos. Aos 45′, uma infantilidade custa caro à equipa do Sporting e a equipa de Sérgio Conceição acaba mesmo por dar a volta ao marcador. Marcou Corona picando a bola para o chapéu a Adán. De destacar o papel de Luís Diaz neste lance. Um minuto depois, o Sporting vê uma luz ao fundo do túnel, antes de acabar o primeiro tempo. O árbitro marca uma penalidade de Zaidu sobre Pedro Gonçalves. Ainda assim, falso alarme. A única luz ao fundo do túnel que os de verde e branco viram foi mesmo a do caminho dos balneários. Restava ver se a tendência se invertia no segundo tempo.

O Sporting veio do balneário em crescendo. O Porto, por sua vez, recuou um pouco as suas linhas. Os azuis e brancos estavam a baixar de rendimento. Tanto é que Vietto sai do banco e consegue repor a igualdade aos 87′. Uma desconcentração dos portista acabou por comprometer os três pontos.

Na sua globalidade, a segunda parte foi francamente mais pobre e incerta por parte de ambas as equipas. Ainda assim, os minutos finais acabaram por compensar um segundo tempo mais adormecido. No geral, e analisando os 90 minutos, foi um clássico intenso, de entrega e com golos (que é o que nós todos queremos, não é verdade?). Sem dúvida, uma autêntica Guerra dos Tronos. Desta vez sem habitantes no Castelo.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Luciano Vietto – Num jogo onde não houve muitos brilhantismos individuais, decidi optar pelo jogador mais decisivo no marcador de hoje. Saiu do banco para mexer com o marcador. A esperança leonina tinha mesmo protagonista neste clássico, de seu nome Luciano Vietto. Foi o autor do golo do empate de uma equipa que já parecia algo conformada com o resultado.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Jovane – É um fora de jogo ingrato, admito, pois não jogou na sua posição e, por isso, não conseguiu dar muito à equipa. Não conseguiu acrescentar a qualidade que todos sabemos que tem. Jovane foi o calcanhar de Aquiles, quanto à falta de consistência dos leões na zona central a dada altura. Era preciso um jogador que conseguisse segurar a bola e, hoje, Jovane não foi uma dessas peças do puzzle.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Nos minutos iniciais, o Sporting optou num jogo mais frio e calculista com seu típico 3-4-3. Muita posse de bola e pouca velocidade na zona mais recuada do campo. A equipa de Rúben Amorim colocava o pé no acelerador, quando a bola chegava a Nuno Santos ou a Pedro Gonçalves, mas, antes disso, nada feito. Era essencialmente uma equipa que procurava mudanças de velocidade para criar oportunidades e a verdade é que, ao longo do minutos, a estratégia da posse esgotava-se a cada minuto.

Na segunda parte, houve muitas mudanças de peças e o conjunto leonino parecia mais uma equipa aos remendos. Rúben Amorim procurou adaptar algumas posições de forma a mexer com o jogo. O que é certo é que a fórmula para esta noite saiu mesmo do banco.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (6)

Zouhair Feddal (5)

Sebastián Coates (6)

Nuno Mendes (5)

João Palhinha (6)

Matheus Nunes (6)

Nuno Santos (6)

Neto (4)

Pedro Porro (6)

Pedro Gonçalves (6)

Jovane (4)

SUBS UTILIZADOS

Vietto (8)

Plata (5)

Tiago Tomás (5)

Sporar (-)

João Mário (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O Porto apresentou-se em Alvalade num 4-3-3. Foi uma equipa que tentou controlar o meio-campo, ao mesmo tempo que apostava num jogo mais direto nos momentos iniciais do jogo. Algo no qual não estava a conseguir ser propriamente eficaz. Depois, ao longo do decorrer do duelo, conseguiu mostrar-se um conjunto mais ponderado. Ainda assim, ficava a sensação de que era uma equipa que, quando não conseguia impor velocidade, parecia estar na iminência de perder o controlo da partida. Daí algumas das alterações de Sérgio Conceição na segunda parte, com uma estratégia mais contida e na espectativa.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Pepe (7)

Luis Diaz (8)

Matheus Uribe (7)

Marega (4)

Zaidu (7)

Corona (8)

Wilson Manafá (6)

Mbemba (5)

Otávio (5)

Sérgio Oliveira (5)

SUBS UTILIZADOS

Filipe Anderson (5)

Toni Martinez (5)

Nanu (5)

Romário Baró (5)

Taremi (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível colocar questões ao treinador do FC Porto, Sérgio Conceição.

Sporting CP

Não foi possível colocar questões ao treinador do Sporting CP, Rúben Amorim.

Artigo revisto por Mariana Plácido