Decorria o minuto 75 do jogo entre o FC Porto e o CD Aves quando Sérgio Conceição mandou Aboubakar parar os exercícios de aquecimento e preparar-se para entrar na partida. Foi um regresso muito saudado pelas bancadas do Dragão, carimbado com um sorriso rasgado do camaronês, que voltava à competição depois de um calvário de 6 meses.

A verdade é que a ausência de Aboubakar dos relvados teve um impacto negativo muito superior ao que se pode pensar. Acredito, até, que poderá ter tido um impacto decisivo nas contas do campeonato. Nunca saberemos como acabaria este campeonato se o FC Porto tivesse podido contar com o africano.

Aboubakar não é, de todo, um fora de série. Não é, por si só, um jogador que marque diferenças por aí além. É provavelmente o avançado do plantel mais dotado tecnicamente e é na hora da finalização que possui as mesmas dificuldades que Marega e Soares. Se assim não fosse, acredito que estaria talhado para altos voos. De qualquer forma a sua ausência acaba por ser decisiva porque deixou o ataque portista entregue aos já referidos Marega e Soares e a uma mão cheia de alternativas sofríveis. Fernando Andrade e André Pereira mostraram estar muito abaixo dos mínimos exigidos a um jogador do FC Porto e Adrian Lopez, que também passou pelo eixo do ataque, acabou refém das suas características, em nada favorecidas por um estilo de jogo excessivamente físico adotado pelo treinador do FC Porto.

Com Aboubakar de fora, o ataque do FC Porto esteve entregue a Marega e Soares
Fonte: FC Porto

Quando o calendário apertou, o FC Porto claudicou. E uma das razões para o sucedido foi o escasso número de soluções que Sérgio Conceição tinha ao seu dispor. Aboubakar permitiria dotar a equipa de maior capacidade técnica, impedir a sobrecarga de jogos dos dois avançados mais utilizados e, acima de tudo, compensar quando estes claudicaram. É um jogador que, pese embora todas as suas limitações, não tem igual no plantel e acredito que, em condições normais, seria o melhor dos avançados do clube e o que melhor serviria uma ideia de jogo mais requintada.

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Embora tarde demais, é sempre bom ver regressar à competição um jogador que passou tanto tempo no departamento clínico. Em princípio já não fará grande diferença no que resta da época, mas espera-se que surja na pré-temporada em boas condições físicas e que 2019/2020 seja, para Aboubakar, uma época de sucesso e livre de lesões. Seja muito bem-vindo.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.