Uribe, o tampão do meio-campo que foge à regra | FC Porto

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Os meses de janeiro e de fevereiro foram duros para o FC Porto, atendendo à carga de jogos que os azuis e brancos tiveram de enfrentar, sendo que Sérgio Conceição referiu que os portistas tiveram de realizar cinco jogos em 15 dias. Durante este período, foi possível observar o FC Porto a alinhar com e sem Uribe e a verdade é que se notou uma evidente diferença.

Fruto da expulsão frente ao SC Braga, Sérgio Conceição viu-se impedido de utilizar o internacional colombiano no dérbi da Invicta, onde um dos pontos negativos da exibição dos campeões nacionais foi a permeabilidade e a passividade com que os jogadores encararam o momento defensivo. Como se sabe, Uribe é um atleta com cultura tática, pelo que é dos jogadores do FC Porto com maior sentido posicional, sabendo bem quais as zonas do terreno que deve pisar.

Para além disso, é também muito agressivo com e sem bola, o que ajuda a aumentar os índices de agressividade saudável no miolo portista. Algo, que, comparando com Sérgio Oliveira e Fábio Vieira, já não é tão visível, pois são futebolistas que se sentem mais confortáveis com bola do que sem ela. Este foi um dos pontos cruciais para a péssima exibição do FC Porto, porque não tinha em campo ninguém que fizesse de “tampão”, o que permitiu ao Boavista FC lançar os seus contra-ataques sem qualquer tipo de oposição, digna dessa palavra.

Matheus Uribe é dos jogadores mais importantes no equilíbrio defensivo da equipa.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Regra geral, o FC Porto utiliza um duplo pivot, constituído por Uribe e Sérgio Oliveira, sendo que o ex-CF América é o responsável por jogar mais descaído e auxiliar os defesas, porém, não é apenas esse “6” que se preocupa só em defender, como outrora o FC Porto apresentou, com Costinha, Paulo Assunção ou Danilo, mais recentemente. Ou seja, Sérgio Conceição pode confiar no jogador tanto na posição “6” ou “8”, pois tem capacidade para fazer circular a bola, sem que pareça que o esférico salta e também apresenta um bom drible curto, o que faz com que o FC Porto, por vezes, possa sair a três ou, melhor dizendo, não baixando tanto as linhas.

Por exemplo, na temporada passada, quando o treinador portista conjugava no onze titular Danilo/Otávio ou Danilo/Oliver era frequente observar que um destes criativos baixava para vir buscar e criar jogo, o que obrigatoriamente retirava um elemento da frente de ataque, ou até mesmo convidava o adversário a subir as linhas de pressão. Atualmente, esse papel é mais destinado a Uribe e por isso temos um FC Porto com um “6” diferente do habitual e que fez crescer o seu papel nas dinâmicas da equipa.

É verdade que existe Grujic, mas o sérvio não é tão forte com a bola nos pés, em comparação com Uribe, e a sua utilização num meio campo a dois vai dificultar a boa circulação da posse de bola, daí ser normal a sua preterição neste tipo de partidas em que o FC Porto é considerado favorito. Isto é, do ponto de vista estratégico, não será tão essencial, a menos que Sérgio Conceição pense num sistema com 3 médios, que parece ser a disposição indicada para tirar melhor proveitos das características de Grujic.

Deste modo, fica percetível que há um FC Porto com Uribe, e outro sem o colombiano, que, a meu ver, é pior, atendendo à preponderância que o número “16” ganhou na forma como a equipa atua. Sendo que, até ao momento, não parece haver alguém com características semelhantes, dado que Loum ainda não foi alvo de uma aposta mais efetiva para além de simplesmente entrar a uns 5 minutos de terminarem os desafios. Assim, Uribe contribui para uma maior solidez defensiva, que com ele em campo já é criticável, mas que sem ele, simplesmente, parece não ter existir.

Diogo Ataíde
Diogo Ataídehttp://www.bolanarede.pt
O Diogo “respira” futebol desde que se conhece, tendo estado sempre ligado a este mundo da bola, onde sofre pelas cores azuis e brancas do FC Porto. Agora, estudante de direito, é através da escrita que encontra o espaço ideal para continuar ligado a este universo sem par.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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