Zé Luís: Do hat-trick e da bicicleta à queda livre de forma e de confiança

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Normalmente quando se fala em queda livre, uma das soluções passa por encontrar um para-quedas para evitar a dita queda.

Esta é uma frase que pode descrever no sentido mais figurativo aquilo que se tem passado com Zé Luís no FC Porto.

O avançado cabo-verdiano chegou ao dragão no verão de 2019 por uma verba a rondar os oito milhões e meio de euros, e as expetativas não eram as melhores, visto que até então não tinha mostrado ser um avançado de topo. Estava no FK Spartak de Moscovo, onde tinha marcado 14 golos em 36 jogos na época 2018/2019. Não são maus números, mas provavelmente o campeonato não seria o mais competitivo e a idade não ajudava nas expetativas…

É sempre polémico dizer que um jogador de 29 anos é um atleta de futuro, apesar de o futebol de hoje estar mais evoluído. Não é de certeza uma jovem promessa. Para além disso, Zé Luís tem características que podem começar a desaparecer com a idade. Sem essas características perde-se a essência do seu futebol.

Depois de representar em Portugal o Gil Vicente e o SC Braga, os portistas viram anunciada a contratação deste nome, que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Pensava mesmo que seria mais um Waris que ia custar dinheiro aos cofres portistas, mas que depois não ia render o suficiente.

A verdade é que, mais uma vez, eu e muitos outros engolimos um belo sapo. Na segunda jornada do campeonato, o FC Porto bateu o Vitória FC por quatro a zero e Zé Luís marcou logo um hat-trick. A partir daí foi sempre a somar, tornando-se num destaque da equipa e até do campeonato. O golo marcado ao SL Benfica no Estádio da Luz e aquela “bicicleta” peculiar com os dois pés na mesma posição em simultâneo no ar, vão ficar marcadas na memória dos portistas.

 Tudo dava a entender que o avançado ia pegar de estaca no FC Porto e ia ser um artilheiro para meter qualquer defesa em sentido… Porém, o que vemos atualmente não é isso. Aquele pé esquerdo, velocidade, capacidade técnica e poder físico que faziam de Zé Luís um avançado até completo, pareceu desvanecer-se.

Claro que se pode contra-argumentar que merecia mais oportunidades nas alturas em que desapareceu da equipa, ou que os outros avançados também não estão a cumprir os mínimos objetivos exigidos, mas o que vimos no último jogo frente ao CD Aves foi um descalabro autêntico. Para além do penálti falhado, Zé Luís perdeu chances de golo incríveis e nunca tomava a melhor decisão. Notava-se uma falta de confiança tremenda.

É inegável que Zé Luís está numa má fase, mas essa má fase já perdura desde a altura do Natal. Os golos diminuíram e até parecia que o número 20 dos dragões não estava dentro do espírito de equipa.

Voltando assim ao título deste artigo de opinião, não há melhor forma de descrever o momento de forma de Zé Luís como uma queda livre. Queda de golos, qualidade, motivação e confiança. Há até quem associe todos estes problemas do jogador à sua namorada, que pode ser um motivo de distração para o futebolista. Por outro lado, também pode ser o impacto de uma transferência falhada para o Tottenham Hotspur FC de José Mourinho.

Independentemente disso, é preciso recuperar o jogador e perceber de uma vez por todas se aquilo que vimos no início da época foi apenas um engano, ou agora é que estamos a ver o jogador errado. Se a segunda hipótese for a correta, Zé Luís vai voltar a surpreender-me e mostrar que é o melhor avançado do FC Porto. Se for a primeira, ficamos com a desilusão de um jogador que não conseguiu manter o nível a que tão bem nos habituou.

Se o para-quedas não se abre, poderemos estar perante mais um dos grandes flops do futebol português… Ainda se vai a tempo!

Artigo revisto por Joana Mendes

 

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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