Erro provocado é erro aproveitado| Rio Ave FC 0-4 Moreirense FC

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Luís Freire apontou a eficácia como o fator diferenciador da partida. É uma perspetiva aceitável, mas a verdade é que o Moreirense FC se superiorizou ao Rio Ave FC em mais aspetos do que esse – que, de resto, é o mais importante de todos. O Moreirense FC, não o esconde, gosta de jogar em transição e em contra-ataque, ao contrário do Rio Ave FC, que prefere um ataque posicional. Até aí tudo bem.

Quando se conota um estilo como “bonito” e o outro como “cínico” já nem tudo está bem. A ideia transparecida, incluindo na Conferência de Imprensa, foi a de que o Moreirense FC simplesmente esperou e aproveitou os erros vilacondenses. Não foi bem assim. O Moreirense ativamente, pró-ativamente, induziu erros no momento de construção dos rioavistas.

Rio Ave FC x Moreirense FC - Liga Portugal Betclic 23/24
Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede

A defender em 4-3-3, os pupilos de Rui Borges conseguiram, com o trio de ataque, condicionar os três centrais adversários e colocar pressão sobre Guga e Amine, através de Alan e Franco, que saltavam rapidamente sobre o duplo pivô vilacondense, com Ofori a ficar mais recuado, protegendo as costas dos homens da pressão. O Moreirense FC aproveitou, sim, com muita eficácia, os erros contrários, mas fez por ter erros para aproveitar.

Luís Freire não mentiu, de forma alguma, quando apontou que houve momentos em que o Rio Ave FC ligou o jogo e criou ocasiões de golo. Isso também entra na história do jogo. Mas é inegável que o Moreirense FC foi competente o suficiente para ser o guionista dessa mesma história, que aos 18 minutos de jogo estava praticamente contada.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: O que podia ter feito para deixar o Rio Ave FC mais confortável na partida e o Moreirense FC mais desconfortável, para que não saísse tanto em transição?

Luís Freire: Nós na primeira parte podíamos ter marcado. O Moreirense FC foi mais eficaz. Se nós marcássemos, o jogo seria diferente. Mas o futebol não é “ses”. Eles é que marcaram, nós não marcámos. Agora, nós criámos oportunidades, por isso conseguimos ligar, conseguimos encontrar espaço, conseguimos chegar à baliza, com quatro, cinco jogadores. Nós conseguimos fazer isso. Não dizer isso é não dizer a história do jogo. O Rio Ave FC na primeira parte, teve oportunidades claras para fazer golo. Na primeira parte pecámos pela eficácia e por alguma intranquilidade, estar há algum tempo sem ganhar provoca alguma instabilidade e acabámos por cometer esses erros. É um jogo, não vou fazer disto mais do que isso.

Outras declarações:

“Começamos o jogo bem, a ter bola, a criar oportunidades, mas o ascendente que tínhamos durou até ao primeiro golo”.

“Ofensivamente, mantivemos o critério”.

“Sofremos o 0-2 de uma forma que não podíamos sofrer”.

“Não conseguimos manter o equilíbrio emocional”.

“Cometemos erros que não podemos cometer”.

“Não conseguimos reagir à perda da bola como devíamos”.

BnR: O Moreirense FC conseguiu condicionar imenso a saída do Rio Ave FC, sobretudo com o trio de ataque a encaixar nos três centrais e dois dos médios a “patrulharem” o duplo pivô rio-avista. Essa estratégia foi meio caminho andado para chegar aos golos e à vitória?

Rui Borges: Percebemos de que forma podíamos ser competentes no momento de pressão e decidimos bem as zonas de pressão, especialmente os nossos alas. Ao início a nossa pressão ao duplo pivô não estava a ser muito competente e permitimos ao Guga e ao Amine pegar na bola e criar perigo. Na segunda parte, fomos ainda mais competentes nesse sentido. Os jogadores foram competentíssimos em todos os momentos do jogo – transição defensiva, transição ofensiva. Às vezes, mesmo sob pressão na nossa área, tivemos sempre a calma e a coragem de jogar e perceber como poderíamos achar espaços mais à frente sempre com algum critério. Mesmo em bolas mais longas foi sempre com critério.

BnR: Segunda vitória consecutiva, segundo jogo consecutivo sem sofrer golos. Olhando sobretudo para o caso de hoje, é no ataque que está a melhor defesa?

Rui Borges: Nós fomos competentes em todos os momentos do jogo. Agora, trabalhamos todos os momentos de igual forma, não damos mais valor a um do que aos outros. Sabemos que se formos cada vez mais competentes em cada momento e estivermos concentrados e focados em todos eles, se trabalharmos dando a mesma importância a todos eles… É mérito deles, que se focam tanto no trabalho ofensivo, como defensivo. Porque o trabalho defensivo é o chato, eles chegam ao fim do treino defensivo chateados, nem sempre tocam muito na bola nesse treino. É chato, é chato, mas dá muitos resultados e o rigor deles é fantástico.

Outras declarações:

“Não deixou de ser um jogo difícil”.

“Temos muito respeito pelo Rio Ave FC”.

“Fomos bastante competentes em todos os momentos do jogo”.

“O Moreirense FC é uma equipa que percebe o que o jogo estava a dar”.

“Sou um treinador feliz”.

“Pedi que a alegria e a amizade dos jogadores se tornassem ambição e rigor”.

“Temos sido competentíssimos em todos os jogos. Demos sempre uma imagem igual em todos os jogos”.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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