SC Braga 2-0 Moreirense FC: Abel argumentou e ninguém lhe resistiu

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Conferência BnR

Moreirense FC

BnR: Disse que estava mais satisfeito com a exibição da sua equipa na segunda parte. Foi também por isso que tardou tanto o uso da terceira substituição?

Ivo Vieira: Sim, também, não achei que houvesse jogadores com tão baixo rendimento na segunda parte. A equipa cresceu e, às vezes, há o sentimento de que os treinadores têm de usar as três substituições, mas isso não é uma realidade absoluta. Se a equipa está a ter um bom comportamento, às vezes não é a frescura de um, perante as suas caraterísticas, que pode acrescentar muito mais ao jogo. Normalmente, as nossas intenções de treinador são essas, mas tem a ver com aquilo que pode acrescentar ao jogo e isto é uma questão de feeling e de sentir o que o jogo está a precisar, e retardei a mesma – salvo erro, foi o Nenê pelo Teixeira -, e o Nenê não estava assim tão em baixo, estava a dar uma boa resposta. Não é fácil para os atletas, também, darem uma boa resposta em tão pouco tempo. Também reconheço essas minhas decisões e todos os treinadores devem reconhecê-las, mas era aquilo que o jogo estava a dar, e da mesma forma como eles respeitam as minhas decisões, eu também respeito os sentimentos deles.

Outras declarações:

«O Braga foi melhor do que nós na primeira parte.»

«O resultado é justo.»

«O mais fácil, para o treinador, é dizer que o relvado estava mau, que perdemos por causa do relvado, mas o relvado estava ótimo.»

SC Braga

BnR: Hoje o único jogador defensivo que tinha no banco era o segundo guarda-redes, Marafona, o que não é muito comum. Porquê esta opção, que alguns diriam que é algo arriscada?

Abel Ferreira: Eu também explico. Primeiro, é dizer aos jogadores exatamente aquilo que nós queremos: é jogar para vencer, é assumir riscos. Segundo, é porque sei que tenho um jogador no banco que me pode fazer essa posição, se fosse preciso. Também já vos disse que nós temos vários jogadores que fazem mais do que uma posição, e nós tínhamos um jogador no banco que, se fosse preciso fazer de central, o podia fazer.

BnR: No lance do penálti foi preciso convencer o árbitro a recorrer ao VAR. Há quem proponha para VAR um sistema parecido ao do olho de falcão no ténis, com a equipa a ter um certo número de vezes em que pode recorrer a este. O que lhe parece esta proposta?

Abel Ferreira: Sabem, eu sei que o árbitro já foi jogador de futebol. Vou-vos dizer, há momentos em que sonho que ainda estou a jogar, mas depois quando acordo já não estou lá dentro, e ainda vivo muito o jogo como jogador. A sensação com que fiquei é que a posição do árbitro é extremamente difícil, porque faço isso no treino, quando estou a apitar no meio do jogo, não consigo ver tudo o que se passa à minha volta. Muitas vezes, eu ponho-me numa posição que me permita ver a floresta toda e, na posição que eu estava, eu consegui ver que a bola bateu na mão do jogador. Muitas vezes, na Segunda Liga, levei penáltis contra desta maneira, e muitos mesmo. Vocês, se repararem, na Segunda Liga há penáltis e expulsões que nunca mais acabam. O mínimo que nós pedíamos era que o árbitro fosse ver. Tivemos uma conversa respeitosa, eu gosto dele, na altura em que ele começou a arbitrar, foi quando eu comecei a ser treinador e ainda nos cruzámos em algumas viagens para a Madeira e para os Açores. Como digo, foi só uma pequena conversa em relação a isso. Quanto à outra questão, têm de ser tomadas decisões que sejam ou preto, ou branco. Quando ficar no cinzento, no julgamento, na opinião… Tem que ser quando é preto ou branco, ou está fora de jogo ou não está. Está lá a linha, é uma unha, está fora de jogo; não está, não está. Bateu na mão? Também tenho uma opinião muito própria sobre isso. Seja contra mim ou contra os outros, bateu na mão é penálti, era assim que eu resolvia isso. Ah, mas depois há jogadores que podem pegar na mão, mas isso também os meus jogadores. Assim, acabava-se com a intencionalidade. Se bate na mão, é penálti. É esta a minha opinião. E a outra é: a bola entrou ou não entrou. Estamos a falar de coisas pretas ou brancas, as cinzentas não sou muito a favor. Essa é a minha opinião em relação àquilo que são os penalties, o que são as mãos e o que deveria ser a atuação do VAR. Mas, que está também, honestamente,  e com um ano de experiência está melhor, claramente.

Outras declarações: 

«[Paulinho] é um jogador que está cada vez mais comprometido com o trabalho defensivo.»

«Independentemente do Dyego estar a vir lesão, hoje era preferível ter o Wilson em campo. O Wilson dá profundidade, é isso que ele nos acrescenta.» 

Foto de Capa: Bola na Rede

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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