A CRÓNICA: EFICÁCIA AÇORIANA NUM JOGO QUE VALIA MAIS DO QUE TRÊS PONTOS

Duas boas surpresas deste campeonato defrontaram-se, no Estádio Nacional, na penúltima jornada do campeonato. Frente a frente, Belenenses SAD e CD Santa Clara lutavam por um lugar de acesso ao futebol europeu na próxima época. Com ambas as formações empatadas a nível pontual (com 40 pontos), uma derrota, a faltar uma jogada para o término do campeonato, seria uma machadada nas aspirações europeias; por outro lado, uma vitória significaria a continuação da perseguição por um lugar europeu.

Posto isto, apesar de ambas as equipas precisarem dos três pontos, os visitantes começaram melhor, com duas oportunidades em cinco minutos. A superioridade insular traduziu-se cedo num golo, apontado por Carlos Jr, de grande penalidade. Perto dos dez minutos, os açorianos faziam por merecer a vantagem conseguida bastante cedo.

A equipa de Ponta Delgada, numa bela jogada, conseguiram novamente meter a bola no fundo da baliza, no entanto, o árbitro auxiliar detetou um fora de jogo e, consequentemente, o golo foi anulado. Grande entrada dos açorianos, que chegavam com relativa facilidade a zonas de perigo.

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Uma asneira de Marco Pereira, perto do primeiro quarto de hora, pareceu acordar a equipa da casa, que estava mais adiantada e objetiva. O B SAD apertava e ia colecionando alguns pontapés de canto e livres no meio-campo adversário. A meio da primeira parte, Marco Pereira fez duas defesas extraordinárias, uma após um lançamento e outra após um canto. Duas defesas de grande classe que mantinham a vantagem vermelha e branca.

O tempo passou, o ritmo de jogo baixou e a caneta descansou. O B SAD ia tendo mais bola, no entanto não criava perigo, e o Santa Clara ia defendendo tranquilamente. Só de bola parada é que os da casa iam criando perigo, mas nada que incomodasse verdadeiramente Marco.

A segunda parte começou como a primeira, com uma boa oportunidade para os açorianos. Contudo, os azuis acordaram mais cedo e, após esse primeiro lance, mostraram-se mais pressionantes e que também queriam ganhar o jogo. No entanto, engane-se quem pensava que o Santa Clara se iria esconder. Os açorianos também procuraram (e conseguiram) ter bola no meio-campo adversário, muito por causa das boas dinâmicas do meio-campo micaelense, que esteve em bom plano durante toda a partida.

O Santa Clara entrava noutro bom momento da partida e, aos 60 minutos, dobrou a vantagem. Disparate de Tomás Ribeiro, grande trabalho individual de Crysan, e Carlos Jr., no centro da área atirou para o 2-0. Bem jogado pelos açorianos, que aproveitaram novamente o momento em que estavam por cima para transformar isso em golos.

O B SAD teve de fazer pela vida e arregaçar mangas, por isso, logo a seguir, Miguel Cardoso esteve perto do golo, após cruzamento de Calila. Os azuis de Belém chegaram a marcar, por Gonçalo Silva, no entanto, o VAR voltou a anular o golo, desta feita aos da casa.

Perto dos 75 minutos de jogo, o Santa Clara estava mais perto de marcar o 3-0 do que de sofrer o 2-1. Apesar do pressing final natural da equipa da casa, o resultado não se alterou.

Com esta vitória, os açorianos conseguem continuar a sonhar com o futebol europeu na próxima época. Por outro lado, o Belenenses SAD vê as suas aspirações europeias cair por terra.

A FIGURA


Carlos Jr.- Grande exibição do avançado dos açorianos. Marcou dois golos, um de penálti e outro após um cruzamento. Pressionou muito, foi oportunista, jogou bem de frente e de costas para a baliza, especialmente quando a equipa necessitava dele para segurar o jogo lá na frente e esperar pelos seus colegas de equipa. Já leva 13 golos nesta temporada.

O FORA DE JOGO


Os primeiros 15 minutos do B SAD- A equipa da casa facilitou bastante no primeiro quarto de hora. Permitiu duas boas oportunidades de golo ao adversário, não conseguia sair a jogar e ainda concedeu uma grande penalidade. Depois da má entrada, subiram os índices de objetividade e atenção e, aí sim, entraram verdadeiramente no jogo.

 ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

Após sofrer o primeiro golo, os azuis precisavam de marcar e alinhavam num 3-4-3. Face à alta pressão insular, o B SAD demonstrava dificuldades em sair a jogar apoiado, tendo assim que optar várias vezes pelo passe longo. Em desvantagem, a equipa da casa procurava equilibrar o marcador, sobretudo, por bola parada.

Já na segunda parte, com a entrada do ala Calila, a equipa conseguiu criar mais perigo pela direita, explorando melhor a profundidade no corredor. No entanto, apesar dos vários cruzamentos realizados, a equipa do Santa Clara não tremia, por isso, foram raras as ocasiões de perigo em jogo corrido, criadas pelo Belenenses SAD.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kritciuk (5)

Rúben Lima (6)

Gonçalo Silva (6)

Phete (5)

Tomás Ribeiro (5)

Tiago Esgaio (6)

Yaya Sithole (5)

Afonso Sousa (6)

Chico Teixeira (6)

Miguel Cardoso (7)

Cassierra (7)

SUBS UTILIZADOS

Bruno Ramires (6)

Afonso Taira (6)

Calila (7)

Nilton (-)

Edgar Pacheco (-)

  

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

A equipa insular alternava entre o seu típico 4-3-3 clássico e o 3-4-3, com Mikel Villanueva a fazer a posição de defesa esquerdo, quando a equipa jogava com quatro defesas, e de defesa central pelo lado esquerdo quando jogavam três atrás, libertando assim Rafael Ramos pelo flanco direito.

Os açorianos pressionavam alto e, desta forma, conseguiam ganhar algumas bolas em zonas adiantadas no terreno. Depois do primeiro golo, procuraram descer ligeiramente as linhas e explorar a profundidade.

Na segunda parte voltaram a apresentar um futebol atraente de se ver, sobretudo por causa do bom funcionamento e das dinâmicas de vários elementos da linha do meio-campo, como Allano e Morita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco (7)

Rafael Ramos (7)

Fábio Cardoso (6)

João Afonso (6)

Mikel Villanueva (6)

Anderson Carvalho (6)

Morita (7)

Carlos Jr (8)

Lincoln (6)

Allano (7)

Cryzan (7)

SUBS UTILIZADOS

Rui Costa (6)

Ukra (6)

Néné (-)

Costinha (-)

Sagna (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Santa Clara

Bola na Rede: Boa tarde mister. Hoje, nos momentos em que a sua equipa tinha quatro elementos na linha defensiva, Villanueva apresentou-se como defesa esquerdo, uma posição que, apesar de não lhe ser estranha, tem vindo a ser ocupada por Mansur. Posto isto, pergunto-lhe que características acrescenta Villanueva à equipa, a jogar naquela posição?

Daniel Ramos: Sim…O Mikel tem um passado em que a maioria da sua carreira nível de clube e de seleção é como central, mas na Segunda Liga espanhola, antes de vir para o Santa Clara, ele fez mais de meio campeonato como lateral esquerdo e eu procurei também contratar um esquerdino, foi um dos aspectos importantes, contratar um central que pudesse construir a três pela esquerda e ele dava-me esse requisito. Podia também jogar com ele a lateral esquerdo. Não tem sido muito utilizado lá, mas eu sabia que ele estava habilitado para o fazer, já o fez, sente-se à vontade, não é uma posição nova para ele e tínhamos boas garantias. É uma opção muito válida e dá para fazermos essa ginástica tática, que nos permite mexer no jogo e dar-nos ainda mais consistência, com a entrada do João Afonso, que fez um jogo soberbo hoje. Ficámos com uma equipa mais alta, mais forte do ponto de vista defensivo em termos de duelos e capacidade de controlar a profundidade, porque são jogadores experientes que podem controlar, quer o espaço entreçinhas, quer a profundidade, que o Belenenses tem uma equipa muito perigosa nesse ponto e a equipa teve muito bem a controlar a profundidade, eles estiveram muito coordenados. Fizeram um jogo fantástico.

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