A CRÓNICA: JOGO A MEIO-CAMPO FOI TÃO EQUILIBRADO COMO O RESULTADO FINAL

O encontro entre Boavista FC e Estoril Praia SAD, esta segunda-feira, encerrava a sétima jornada da Primeira Liga. O Estoril entrou no jogo já a saber que ia manter a quarta posição e consequente lugar europeu, acontecesse o que acontecesse. Por outro lado, o Boavista via neste jogo uma excelente oportunidade de se aproximar dessas posições de acesso às ligas europeias, ocupando a nona posição.

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De forma faltosa, começou o encontro. Faltou, assertividade, calma e atenção no meio-campo. Para além disso o termo “faltoso” adequa-se, na perfeição, à situação pelo simples facto de nos primeiros três minutos ter havido quatro faltas por chegadas tardias, no centro do terreno de jogo.

À medida que as equipas se foram moldando uma à outra, o jogo foi-se abrindo e isso trouxe mais aproximações às grandes-áreas. Primeiro os estorilistas com uma brilhante jogado no flanco esquerdo entre Joãozinho e Arthur, mas com péssima decisão na hora de finalizar deste último. Este lance serviu como um despertador metafórico para o Boavista que começou a pressionar mais alto e, pouco depois, conseguiu mesmo uma grande penalidade por mão de Chiquinho. Chamado à conversão, Sauer inaugurou o marcador e fez novamente o gosto ao pé nesta edição do campeonato – o médio boavisteiro já leva 4 golos em 7 jogos.

O penálti acabaria mesmo por ser o momento da metade inaugural deste confronto. O apito para o intervalo soou sem que tivesse havido outra chance de perigo. O Boavista não se deixou entusiasmar por estar a liderar e começou uma gestão de bola que demonstrou a maturidade dos axadrezados. Enquanto isso acontecia, o Estoril corria atrás da bola e procurava buracos inexistentes numa defensiva bem montada por João Pedro Sousa.

O tom manteve-se na segunda-parte. Os visitantes faziam de tudo para estabelecer a igualdade no marcador, mas encontravam sempre pela frente uma barreira defensiva, aparentemente impenetrável a vestir de axadrezado. Francisco Geraldes era o único que, até ao momento, ser o mais esclarecido dos estorilistas.

Dito isto, Francisco Geraldes viu saltar do banco um homem para vir marcar a diferença e também o viu na grande área desmarcado. Com um pedido tão curto, André Franco decidiu acrescentar-lhe o golo e de forma acrobática, algo tão pedido pela turma de Bruno Pinheiro. Sem pouco fazer, o Estoril conseguiu chegar ao 1-1 e voltou a reabrir um jogo que estava, na sua grande maioria, controlado pelo Boavista.

O jogo acabaria mesmo por terminar com um resultado igualado a uma bola e com as duas equipas a apresentarem tremendas dificuldades em construir lances de perigo. João Pedro Sousa, por um lado, pareceu não querer arriscar muito e manteve o mesmo sistema e fez apenas trocas por trocas na equipa. Bruno Pinheiro, esse, foi mais ousado – também porque se encontrava a perder na altura das primeiras trocas e o Estoril acabou mesmo o jogo nas imediações da grande-área boavisteira.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Francisco Geraldes –Foio homem do leme deste Estoril no Bessa. Tanto foi que os adeptos do Boavista já não o podiam ver à frente e cantavam muitas vezes o nome dele, nunca no melhor dos sentidos. Sempre de cabeça levantada e em movimento, jogou muito e fez jogar ainda mais. Bruno Pinheiro sai do Porto com um ponto graças ao ex-Sporting CP.
O FORA DE JOGO

Ntep – Não me recordo de uma entrada tão em falso num jogo de futebol como a que foi protagonizada por Ntep. Entrou aos 66 minutos para o lugar de Gorré – que estava bem no jogo – e conseguiu falhar todos os passes que o vi fazer e desperdiçar a grande oportunidade para o Boavista se recolocar na frente do marcador.

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Defensivamente, o Boavista teve talvez o melhor jogo até ao momento, esta época. É certo que a defesa começava nos dois médios com tarefas de cariz mais destrutivo, Javi Garcia e Seba Pérez, mas funcionou bastante ainda para mais quando a este dois se dá outro corpo no meio-campo para exacerbar os centrocampistas estorilistas. O que não foi bem conseguido, foi mesmo o ataque, com poucas ocasiões e com Musa demasiado isolado e com características demasiado criativas para jogar em contra-ataque, como o Boavista procurou fazer grande parte do encontro.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Beiranvand (7)

Nathan (6)

Porozo (6)

Abascal (6)

Gorre (7)

Makouta (6)

Perez (5)

Javi Garcia (5)

Filipe Ferreira (5)

Musa (6)

Sauer (7)

SUBS UTILIZADOS

Ntep (3)

Vukotic (4)

Njie (-)

Reymão (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – ESTORIL PRAIA SAD

Foi um jogo que deixou algo a desejar por parte do Estoril, especialmente no meio-campo. A falta de Miguel Crespo faz-se sentir e hoje teria sido essencial, porque traria movimento interior e soltaria os alas para terem mais espaço para o um para um. Faltou isso, portanto Chiquinho de um lado conseguiu muito pouco e Arthur também. Ao ver o sucedido os canarinhos optaram por fazer passes longos dos centrais para os alas – quer fossem eles laterais avançados no terreno ou os extremos – e começaram a criar mais perigo, mas sempre sem construir uma jogada digna do nome.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Daniel Leite (5)

Soria (5)

Áfrico (6)

Patrick William (6)

Joãozinho (6)

Gamboa (6)

Rosier (7)

Arthur (7)

Geraldes (8)

Chiquinho (5)

Rui Fonte (5)

SUBS UTILIZADOS

António Xavier (5)

André Franco (6)

Clovis (5)

Baró (-)

Bruno Lourenço (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

BnR: “O Boavista sofreu um golo com o jogo aparentemente controlado num lance de alguma infelicidade na grande área. Depois fez três substituições, sendo que foram trocas por trocas, para dar frescura à equipa. Porque não arriscar um bocado mais e mudar o sistema para algo mais ofensivo, já que teve dificuldades em criar perigo o jogo todo?”

João Pedro Sousa: “Mais risco poderá ser colocar mais homens na frente, poderá ser ter dinâmicas diferentes, poderá ser atrair e trazer homens para zonas mais baixas e chegar a zonas mais subidas. De facto, os elementos que tínhamos no bacno foram lançados e os que tiveram que sair estavam completamente desgastados. A ideia de jogo que temos, com três centrais, permite-nos um risco assumido do jogo. Esta dinâmica permite-nos ser ofensivos independentemente de quantos pontas tivermos. Ainda não estamos a ser ofensivos e poderemos ter que jogar com mais pontas, como já chegou a acontecer. Na primeira parte ainda conseguimos chegar com qualidade ao último terço e depois ter presença na área. Mas na segunda não conseguimos ser ofensivos pelo simples facto da bola estar sempre com o Estoril. Estivemos sempre atrás da bola e acabamos por sofrer o golo.”

 

Estoril Praia SAD

BnR: “O Boavista apresentou aqui uma solidez defensiva bastante grande e notou-se que o Estoril procurou muitas vezes as alas através de passes longos, porque o meio estava congestionado. O que complicou tanto as penetrações no centro do terreno?”

Bruno Pinheiro: “É tudo fruto de um processo. O jogo interior é sempre o mais apetecível até porque é o mais difícil de encontrar. Acho que houve alguma incapacidade nossa, até porque tínhamos superioridade numérica no centro do terreno e se calhar algum receio. A nossa forma de jogar implica muita coragem e por exemplo os nossos dois centrais de hoje foram atletas que entraram este ano e que se estão a habituar. Acho que temos um plantel muito interessante e requer tempo para que todos percebam o jogo da mesma forma.”

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