A CRÓNICA: JOGO A PRETO E BRANCO QUE APENAS GANHOU COR COM GOLOS NAS FINAIS DE CADA METADE

O Estádio do Bessa Séc. XXI recebeu, numa tarde solarenga na cidade do Porto, a partida entre Boavista FC e Portimonense SC, a contar para a quinta jornada da Primeira Liga.

Com inícios positivos de temporada para ambos clubes, as panteras procuravam continuar a dar alegrias aos adeptos da casa (duas vitórias em dois jogos), enquanto que os algarvios queriam continuar a mostrar que era fora do seu estádio que mais se sentem confortáveis para levar para casa os três pontos (registo também 100% vitorioso).

E foram precisamente os visitantes que começaram claramente por cima, com muita posse de bola e pressão alta e contundente sobre os jogadores do Boavista FC. Ainda assim, a bola não se aproximava da baliza de Bracali e os da casa começaram a crescer na partida.

Os mandados de João Pedro Sousa ganharam confiança, e conseguiram criar alguma situações de perigo no ataque, principalmente no contra-ataque. Pedro Malheiro, o jovem lateral que fazia toda a ala direita do Boavista FC, esteve em destaque com inúmeras subidas no terreno e algumas oportunidades para atacar as redes adversárias.

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O Portimonense SC continuava com dificuldades para entrar no bloco defensivo adversário, com uma circulação de bola muito recuada e com pouca progressão no terreno.

Mas foi a equipa de Paulo Sérgio a conseguir a vantagem no marcador segundos antes do último apito dos primeiros 45 minutos. Uma Boa jogada na esquerda de Fali Candé, com cruzamento a passar por quase toda a gente até chegar a Carlinhos perto do segundo poste.

O médio brasileiro recebe de costas e roda muito bem sobre Abascal antes de deferir um golpe certeiro. Primeiro remate à baliza dos visitantes e apenas o segundo no total na partida a dar alguma cor a uma primeira parte da cor do equipamento das panteras – preto e branca.

O Boavista FC voltou dos balneários na desvantagem mínima e a saber que tinham acabado de sofrer o primeiro golo em casa neste campeonato. Embora estivessem habituados a marcar no Bessa – cinco golos em dois jogos – hoje revelaram-se apáticos em termos ofensivos e o Portimonense soube aproveitar esta debilidade.

A frustração acumulada começou a notar-se por volta dos 70 minutos da partida. Os pupilos de João Pedro Sousa, começaram a ser mais ríspidos nas abordagens aos lances e cada mais descaracterizados com o jogo. Do outro lado, aproveitavam-se as pausas das faltas como forma de defender um resultado favorável aos algarvios.

O apito do árbitro era, imediatamente seguido, por uma onde de assobios, dos 3402 adeptos presentes, que vieram, de repente, substituir os cânticos de apoio e durante uns segundos, protestavam todo o tipo de jogadas à margem da lei da partida.

Como se de um acordo se tratasse, os fãs optaram por dar ânimo a 10 homens que vestiam de preto e branco, transparecendo a mistura dessas mesmas cores para o futebol que praticavam. Bracali era o único elemento boavisteiro que ia impedindo uma desvantagem maior no marcador com tremendas defesas espalhadas, principalmente, pela segunda metade.

Já com a expectativa no máximo, por parte dos adeptos do Boavista FC, e consequente silêncio nas bancadas foram anunciados seis minutos de tempo de compensação. Com pouco tempo, mas sem pressa, foi Musa que, com todo o tempo do mundo, dentro da grande área para recebeu um passe desconcertado de Ntep e rematou para reestabelecer a igualdade desejada no marcador.

Embora a imposição do Portimonense ao longo de grande parte do jogo, o resultado terminou com um empate a uma bola. Na próxima jornada a formação de Paulo Sérgio – agora com sete pontos – vai receber o Santa Clara e o Boavista, atualmente no quinto lugar da tabela, viaja ao Estádio da Luz para enfrentar o Benfica.

A FIGURA
Boavista Portimonense
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Meio-campo do Portimonense SC – A incapacidade boavisteira em ligar setores e conectar passes tem um nome: competência posicional dos centrocampistas algarvios. Willyan e Carlinhos estiveram exemplares a anular as progressões axadrezadas no relvado e por pouco não conseguiram uma vitória no Bessa às custas deste trabalho.

O FORA DE JOGO
Portimonense Boavista
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Sebastián Pérez – O meio-campo boavisteiro foi, ao longo de grande parte da partida, incapaz de controlar a partida, tanto com como sem bola, e Seba Pérez foi o elemento com nota mais negativo entre os dois. Falhou passes sem grande dificuldade, e pareceu algo displicente em certos momentos.

A experiência europeia de um jogador que outrora foi uma grande promessa da América Latina continua a não correr de feição ao colombiano.

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Os axadrezados apostaram num 3-4-3 para o jogo que, tendo tudo para funcionar, fracassou na essência que um esquema destes pedes aos jogadores.

No entanto, os três centrais – Nathan jogou no eixo central direito, mas é lateral por aquele lado – estiveram bem. Os problemas surgiram no setor à frente dos defensores, onde só havia Seba Pérez e Makouta para fazer face à forte presença dos algarvios no meio-campo.

Por isso, houve problemas na saída e raramente se via uma jogada construída que conseguisse chegar com qualidade aos atacantes boavisteiros que pareceram algo à parte do jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rafael Bracali (7)

Nathan Santos (5)

Jackson Porozo (6)

Rodrigo Abascal (6)

Pedro Malheiro (6)

Sebastián Pérez (4)

Gaius Makouta (5)

Yanis Hamache (5)

Gustavo Sauer (6)

Kenji Gorré (4)

Petar Musa (6)

SUBS UTILIZADOS

Yusupha Njie (4)

Ilija Vukotic (3)

Paul-Georges Ntep (6)

Filipe Ferreira (-)

Tiago Morais (-)

ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

Paulo Sérgio fez alinhar a sua equipa num claro e clássico 4-3-3 no momento ofensivo, que se desdobrava no 5-4-1 no momento defensivo com a descida de Willyan, o médio mais defensivo, para o meio dos centrais.

A construção de jogo era assim a três, com ambos centrais e o trinco. Moufi, lateral-direito, subida mais numa fase inicial, com Fali Candé um pouco mais recuado que o seu colega. Ewerton e Carlinhos mantinham-se os dois no espaço entrelinhas, apenas recuando algumas vezes para ajudar na Willyan quando as linhas de passe se encontravam mais tapadas.

Os extremos mantinham-se bem abertos, com um maior ênfase em atacar o lateral contrário e esperar pelo ala sua equipa para tentar forçar uma situações de dois para um no flanco.

Aquele que funcionava, na prática, como um duplo pivô no momento defensivo – Ewerton (posteriormente Lucas Fernandes) e Carlinhos – estavam a sentir problemas na primeira parte a controlar o espaço nas suas costas. Uma das chaves para o controlo do meio-campo na segunda metade enquanto não tinha bola foi uma maior contenção dos dois médios na pressão, que se mantinham mais posicionados em frente aos três centrais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Samuel Portugal (6)

Fahd Moufi (7)

Lucas Possignolo (6)

Pedrão (5)

Fali Candé (7)

Willyan Rocha (6)

Carlinhos (7)

Ewerton (5)

Iván Angulo (4)

Anderson Oliveira (5)

Wilinton Aponza (3)

SUBS UTILIZADOS

Lucas Fernandes (5)

Renato Junior (5)

Aylton Boa Morte (-)

Filipe Relvas (-)

Luquinha (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

BnR: Considera que o principal problema no jogo do Boavista FC hoje esteve no meio-campo? Se sim, porque é que a primeira troca foi no ataque e que instruções deu a Sebastián Pérez e ao Makouta para a segunda parte?

João Pedro Sousa: Na primeira parte considero que estivemos organizados e competentes tendo em conta aquilo que queríamos fazer e contra uma equipa também ela muito competente. A equipa desorganizou-se e desequilibrou-se em termos emocionais. Erramos demasiados passes e concordo que aí sim não estivemos tão bem e não aplicámos o nosso jogo. Os timings da pressão teriam que ser melhore e teríamos que subir as zonas de pressão. Tanto os médios como os atacantes tinha que subir mais. Quando se está a defender mal, mal posicionado não se pode ter sucesso e foi isso que aconteceu na segunda parte. Com a vontade e com a garra felizmente conseguimos fazer o golo do empate e não deixo de ficar contente com o desfecho

Portimonense SC

BnR: Pareceu-me hoje que o Portimonense SC esteve bastante em controlo do meio-campo, com três elementos no processo ofensivo e dois no defensivo, mas depois teve em certas alturas algumas dificuldades em ligar ao avançado. Sente que a inclusão de um jogador na posição 10 poderia ter ajudado neste sentido, ou iria-se perder esse tal equilíbrio?

Paulo Sérgio: Não sei porquê faz essa pergunta. Eu tenho é que analisar a partida, e o que me pareceu é que a equipa esteve por cima, teve oportunidades. Temos que falar que fizemos uma grande partida, se seria com mais um 10, um extremo ou central é outra questão. Jogamos com três na frente para pressionar os três jogadores do Boavista mais recuados, e não deixamos o adversário jogar. Depois tivemos um azar num lance, que foi, na minha opinião, precedido por falta. Não quero falar de arbitragens mas a verdade é que foi uma falta inequívoca. Mas enalteço a atitude dos jogadores, é sempre difícil jogar no Bessa, mas jogamos bem e merecíamos ganhar, acho que isso toda a gente concorda.

Rescaldo de opinião redigido por Alexandre Matos e João Filipe Brandão

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