A CRÓNICA: EMPATE AO CAIR DO PANO SALVA UM PONTO PARA O RIO AVE FC

Num encontro a contar para a 26.ª jornada, Boavista FC recebe o Rio Ave FC, numa partida entre duas equipas que têm para desiludido na Primeira Liga. Os vilacondenses partiam de uma posição mais segura, em 12.º, mas apenas três pontos à frente dos boavisteiros em 15.º. A equipa de Jesualdo Ferreira procurava a segunda vitória consecutiva, enquanto que Miguel Cardoso queria voltar a conquistar três pontos depois de três partidas sem o fazer.

O jogo começou de forma muito animada numa tarde solarenga no Estádio do Bessa. As redes abanaram logo aos 3 minutos, com Yusupha, que havia entrado no onze para substituir o suspenso Angel Gomes, a abriu as hostilidades. Com muito espaço entre a linha média e defensiva do Rio Ave FC, com Sauer a ligar com Paulinho, atraindo pressão para o meio. Com espaço nas alas, Reggie Cannon consegue aproveitar e entra na área com algum espaço, onde cruza para Alberth Elis ao segundo poste. O avançado hondurenho cabeceia para o meio, onde Yusupha, sem qualquer marcação, encosta facilmente para o fundo da baliza do Kieszek.

O Rio Ave FC conseguiu reagir bem ao golo sofrido, e aos 10′ conseguiu voltar a igualar o marcador. Guga no meio-campo consegue um bom passe a explorar profundidade de Carlos Mané numa infiltração à grande área pela direita, que cruza para Tarantini finalizar. Léo Jardim ainda defende o primeiro remate, mas a bola ressalta para Gélson Dala que surge isolado na pequena área, com a baliza descoberta e à sua mercê. Estava feito o empate no estádio do Bessa.

Mas os mandados de Jesualdo Ferreira voltaram a mostrar uma boa figura, e recuperaram a liderança apenas dois minutos depois, aos 12′. Elis descai para a direita, e passa por Nélson Monte com bastante facilidade. Chega à área, onde cruza para Yusupha que aparece novamente com muito espaço, e que volta a não vacilar em frente à baliza. Estavam as panteras de novo na frente da partida.

Anúncio Publicitário

Depois de uns 15 minutos iniciais muito animados, o jogo estabilizou no que restou da primeira metade. Com alguma oportunidades aqui ou ali, mas, de uma forma geral, o Rio Ave FC mantinha mais a bola, com maior paciência na procura de aberturas no bloco boavisteiro, enquanto que os axadrezados procuravam muito mais as duas flechas na frente – Elis e Yusupha -, para explorar o espaço nas costas dos defesas vilacondenses.

A segunda parte começou da mesma forma que havia terminado a primeira, com o Rio Ave FC a controlar a posse de bola, mas o Boavista FC a ser mais capaz de criar oportunidades, muito pelas saídas rápidas. Foi precisamente num contra-ataque, aos 54′, que criou mais perigo nos primeiros minutos dos segundos 45. Sauer a aproveitar bem uma perda de bola no meio-campo dos vilacondenses, progride com a bola pelo meio com velocidade, fazendo depois o passe para Yusupha. O avançado lancou o remate à entrada da área, mas o remate, apesar de forte, sai ligeiramente ao lado.

O jogo sofreu uma grande alteração aos 57′, quando Hamache, no seguimento de um cruzamento ao segundo poste, faz falta dentro da própria área sobre Carlos Mané, com o árbitro a apontar para a marca dos 11 metros, e a mostrar o segundo amarelo e consequente vermelho ao lateral-esquerdo francês. Contudo, na marcação, Pelé não consegue atirar para o fundo das redes ao permitir que Léo Jardim, especialista na matéria, conseguisse fazer a defesa.

Ambos treinadores mexeram após a expulsão, com Jesualdo a passar para um 5-3-1, com Alejandro Gómez a entrar por Jusupha para a posição deixada de vago por Hamache, e com Show a reforçar o meio-campo no lugar de Sebástian Pérez. Miguel Cardoso tornou o seu miolo mais ofensivo, com Fábio Coentrão a substituir o médio mais recuado Pelé.

A partida continuou nos mesmos moldes, com a única diferença a ser a maior dificuldade do Boavista FC em cobrir os espaços na sua organização defensiva. E esta foi crucial para o Rio Ave FC voltar a empatar a partida aos 70′. O espaço entre Devenish e Nathan, que entretanto também entrou para o lugar de Cannon, foi demasiado, e foi aproveitado na perfeição por Mané e Amaral. O lateral esquerdo aguentou o último passe, fixando o lateral-direito boavisteiro, e encontrou muito bem a diagonal de Mané precisamente nas costas de Nathan. Devenish já chegou muito tarde na cobertura, e o ex-internacional sub-21 por Portugal não desperdiçou e finalizou com grande classe para o fundo da baliza de Léo Jardim.

Apesar do maior caudal ofensivo do Rio Ave FC, com a introdução ainda de Ronan para a frente de ataque, a sorte sorriu ao Boavista FC. Aos 83′, num livre lateral, Nuno Santos faz um cruzamento muito tenso ao primeiro poste na direção de Adil Rami. O internacional francês ainda toca ao de leve na bola, mas o desvio que levou a bola ao fundo das redes foi precisamente de Ronan. O avançado posicionava-se diretamente atrás de Rami, e o primeiro toque fez que com o seu cabeceamento fosse na direção da própria baliza e não para fora da grande área. Voltavam as panteras para a liderança da partida.

Com medo de me estar a repetir, os vilacondenses continuaram com mais bola, mas com muitas dificuldades para criar situações de perigo perto da baliza defendida por Léo Jardim. Mesmo com 10 jogadores, o Boavista FC mostrava-se capaz de sair em contra-ataque e de criar dificuldades a Kieszek.

Mas foi mesmo ao fechar a partida que caiu, mais uma vez, um balde de água fria na equipa do Boavista FC. O Rio Ave FC teve um canto aos 93′, com a bola a sobrar para Fábio Coentrão depois de um ressalto. O internacional português rematou com força e colocação, e nem um inspirado Léo Jardim conseguiu impedir a bola de entrar. Estava feito o empate, seguido por uma enorme confusão juntos dos dois bancos, com várias expulsões de jogadores e elementos das equipas técnicas.

Apesar do Boavista FC ter parecido confortável durante grande parte da partida, o azar voltou a bater às portas do Bessa com um empate ao cair do pano, já depois de ter recuperado a liderança com apenas 10 jogadores em campo.

A FIGURA

Boavista
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Yusupha Njie – o avançado entrou para o lugar do suspenso Angel Gomes e apesar de, obviamente, não apresentar a mesma qualidade técnica do inglês, acabou por ser incrivelmente decisivo para o Boavista FC conseguir sair, pelo menos, com um ponto. Destaque ainda para Alberth Elis, que fez as duas assistências para Yusupha, e ainda para Léo Jardim, que defendeu um penálti que manteve a equipa em jogo depois da expulsão de Hamache.

O FORA DE JOGO

Rio Ave Boavista
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Reação à perda de bola do Rio Ave FC – foram demasiadas as vezes em que o Boavista FC conseguiu recuperar a bola no meio-campo e sair com bastante facilidade para o ataque. A equipa foi capaz de segurar mais a bola que os adversários, mas concedeu demasiadas oportunidades às panteras no contra-ataque.

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Jesualdo Ferreira voltou a fazer alinhar a sua equipa num 3-5-2, ou 5-3-2, ainda que bastante diferente da última partida. A ausência forçada pela expulsão na última jornada de Angel Gomes fez com que Yusupha Njie fosse chamado para fazer dupla com Alberth Elis na frente, um jogador bem diferente do tecnicista inglês. Com mais velocidade e profundidade na frente, o Boavista FC apostou mais num jogo mais rápido pelo meio-campo, para poder lançar os seus avançados com muito velocidade. Estes dois homens na frente abriam também muito em cada uma das alas, de forma a garantir largura e ainda esticar a defesa do Rio Ave FC. A partir dessas posições mais abertas, regressavam ao meio no final das jogadas para poderem finalizar. Com esses movimentos, tornava-se também mais difícil a sua marcação.

O meio-campo a três utilizado por Jesualdo favorecia também bastante esse tipo de estratégia. Pérez funcionava com âncora, com Sauer e Paulinho os interiores com muito liberdade. Com cinco defesas atrás, os médios criativos tinham ordens para se juntarem aos jogadores mais avançados, e são ambos muito competentes tanto na condução de bola pelo miolo como em descaídas para as alas, onde também podem atuar.

Na defesa, o treinador das panteras não atribuíu demasiada responsabilidade de construção de jogo aos centrais, sabendo também que estes não são os mais confortáveis com a bola nos pés. Já Hamache e Cannon tinham a obrigação de subir muito nas alas e ajudar no processo ofensivo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Leo Jardim (7)

Reggie Cannon (6)

Adil Rami (5)

Chidozie Awaziem (5)

Devenish (4)

Yanis Hamache (4)

Sebástian Pérez (5)

Paulinho (6)

Gustavo Sauer (6)

Yusupha Njie (8)

Alberth Elis (7)

SUBS UTILIZADAS

Alejandro Gómez (5)

Show (5)

Nathan Santos (5)

Nuno Santos (6)

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

Já o Rio Ave FC, como já estamos habituados a ver com Miguel Cardoso, apresentou-se como uma equipa com muito mais paciência com posse de bola, com muita gente no meio-campo. Um 4-3-3 com Geraldes a partir da esquerda no ataque, Mané na direita e Dala no meio que se desdobrava por vezes num 4-4-2 losango, com Chico Geraldes a juntar-se mais a Guga, Tarantini e Pelé no meio-campo, e Mané sempre muito perto de Gélson Dala.

No meio-campo, Pelé era o elemento mais recuado, caindo entre os centrais na primeira fase de construção. Tarantini procurava mais os movimentos sem bola, com algumas chegadas à área, como vimos no golo de Dala, com Guga a ser mais responsável pela circulação de bola – vinha buscar a bola atrás, muitas vezes mais recuado que Tarantini, mas juntava-se também jogadores da frente através de combinações pelo miolo.

Com Geraldes e Mané muitas vezes a virem mais para o meio, cabia a Pedro Amaral e a Ivo Pinto garantir a largura nas alas. Os dois laterais projetavam-se desde muito cedo, especialmente devido à saída a três com o pivô.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pawel Kieszek (6)

Ivo Pinto (6)

Aderllan Santos (6)

Nélson Monte (5)

Pedro Amaral (6)

Pelé (5)

Tarantini (6)

Guga (7)

Francisco Geraldes (6)

Carlos Mané (7)

Gélson Dala (6)

SUBS UTILIZADAS

Fábio Coentrão (6)

Ronan (-)