A CRÓNICA: CS MARÍTIMO SORRI EM DÉRBI ALUCINANTE

O jogo entre CD Nacional e CS Marítimo deu o pontapé de saída da jornada 23 da Primeira Liga Portuguesa. Ao relvado do Estádio da Madeira subiram as duas equipas mais prestigiadas da Região Autónoma, ambas em situação precária, mas com boas projeções de futuro.

Tanto Nacional como Marítimo entraram em campo sabendo que precisavam de pontos como quem precisa de “pão para a boca”. Contudo, foi do Nacional a primeira oportunidade do jogo, pelos pés de Marco Matias, mas uma mancha perfeita de Amir travou as aspirações nacionalistas. O jogo aprontava-se “durinho”, com bastante luta no meio-campo e a decidir-se nos detalhes.

Aos 12 minutos, Rodrigo Pinho caiu na área, por falta de Piscitelli, e Hugo Miguel (e bem) assinalou grande penalidade. Joel Tagueu assumiu a responsabilidade, porém acusou a pressão e a bola foi embater na barra da baliza alvinegra. Precisamente o que não podia acontecer num jogo como este. O Marítimo cresceu na partida e Velázquez adorava o que ia vendo. O treinador espanhol era, por volta da meia hora de jogo, um treinador feliz com o que a sua equipa ia produzindo. Com razões para tal, diga-se.

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A verdade é que, como em todos os jogos, quem não marca arrisca-se a sofrer e o Nacional aproveitou uma desatenção da defesa do Marítimo para ir a vencer para o intervalo. Kenji Gorré foi herói ao fazer em movimento aquilo que Joel Tagueu não conseguiu fazer de bola parada.

A segunda parte começou como acabou a primeira: frenética. O golo animou a equipa da casa e a intensidade foi uma constante, de ambos os lados. Os “verde-rubros” pressionaram e encostaram o Nacional às cordas. Tanto que, num pontapé de canto, Rodrigo Pinho fez o empate que trousse justiça ao marcador.

Os jogadores do Marítimo entendiam o mau momento que equipa atravessava. Talvez por isso, a união e a concentração foram princípios basilares para ultrapassar o seu maior rival. Solidariedade foi o que se viu por parte dos jogadores “verde-rubros”. Em mais uma desatenção defensiva dos centrais da formação do maritimista, Marcelo Hermes dobrou os colegas e fez um corte fulcral, o que resultou num contra-ataque rapidíssimo que só terminaria com a bola no fundo da baliza do guarda-redes italiano do Nacional. E quem mais seria?! Rodrigo Pinho, claro está. Bem-vindo de volta goleador.

Grande espetáculo de futebol. Um regalo para os olhos, é pena os adeptos voltarem apenas em maio. Nenhuma das equipas baixou os braços até final. Lances de perigo nas duas áreas. Os avançados do Marítimo tiveram ocasiões para matar o jogo e não o fizeram. Foi sofrer até ao fim. Velázquez tinha razão: tem muita matéria-prima para trabalhar.

No fim do jogo, pode dizer-se que ganhou a eficácia. Foram sete remates à baliza por parte do CD Nacional contra apenas três do CS Marítimo. Mas a verdade é que o resultado traduz justiça pela produtividade de jogo causada por Rodrigo Pinho e companhia.

 

A FIGURA

Rodrigo Pinho – Titular pela primeira vez desde janeiro, foi a jogo para resolver o dérbi madeirense. “Cavou” a grande penalidade na primeira parte, marcou dois golos e esteve muito pressionante durante os 85 minutos que esteve em campo. Nem parece que esteve lesionado durante tanto tempo. Jogador muito intenso e com grande qualidade técnica.

 

O FORA DE JOGO

CD Nacional jogadores
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Ataque do CD Nacional – O ataque “alvinegro” esteve muito longe daquilo que é capaz. Não criaram tantas oportunidades como é costume. Os centrais maritimistas anularam a principal referência ofensiva, Brayan Riascos. Só através das falhas defensivas do Marítimo, os avançados nacionalistas conseguiram fazer sentir a sua presença.  Sete remates à baliza e apenas um golo.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL

Para uma partida de muita exigência física e psicológica, Luís Freire continuou a utilizar um sistema em 4-3-3. Com o italiano Riccardo Piscitelli na baliza alvinegra, na defesa o brasileiro Kalindi à direita, Lucas Kal e Júlio César ao centro, com a “locomotiva” moçambicana Witi à esquerda, formaram assim o quarteto defensivo. No meio-campo, o cabo-verdiano Nuno Borges foi a peça escolhida para iniciar a fase de construção da equipa. À sua frente jogaram, mais libertos, o francês Koziello e o jovem português Francisco Ramos. Nas alas, o jovem técnico optou por utilizar um jogador mais experiente, como é Marco Matias e, do outro lado, o jogador internacional pelo Curaçau Kenji Gorré. Por último, na frente, como referência mais ofensiva, o colombiano Brayan Róchez.

O CD Nacional entrou em campo com vontade de levar vencida a sua avante. Na fase de construção de jogo da equipa, Nuno Borges desceu para o meio dos centrais a fim de ter controlo da profundidade através do passo longo, ao passo que Koziello foi outros dos jogadores que tentou alavancar a equipa para a frente. Os alvinegros atacaram preferencialmente pelo centro e até foi assim que marcaram o tento inicial. Contudo, a equipa recuou muito as suas linhas em duas fases do jogo. Fases essas que o Marítimo soube aproveitar. Sendo que os erros defensivos custaram caro aos nacionalistas.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Riccardo Piscitelli (4)

Kalindi (5

Lucas Kal (4)

Júlio César © (4)

Witi (3)

Nuno Borges (4)

Chico Ramos (4)

Koziello (5)

Marco Matias (4)

Kenji Gorré (6)

Brayan Riascos (4)

SUBS UTILIZADOS

Rúben Freitas (4)

Azouni (3)

Éber Bessa (2)

Róchez (2)

 

ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO

Foi chegar, ver e orientar. Julio Velázquez sentou-se pela primeira vez no banco da equipa “verde-rubra”. E que jogo para se estrear: um dérbi. A escalação da equipa mudou em relação ao último jogo com Milton Mendes no banco. Velázquez utilizou um 4-4-2, o que curiosamente, era o segundo sistema usado pelo ex-treinador do Marítimo. Amir permaneceu na baliza, assim como Cláudio Winck e Marcelo Hermes nas laterais da defesa maritimista, ao passo que Zainadine, em dúvida até ao início do jogo, e Leo Andrade foram as apostas para o centro defensivo. No meio-campo, o duplo pivot manteve-se: Jean Irmer e Bambock foram as apostas (ganhas) para travar a segunda linha de ataque do Nacional. Nas alas, Jorge Correa e o capitão Edgar Costa foram as escolhas para dar profundidade aos corredores ofensivos, enquanto Joel Tagueu e Rodrigo Pinho foram a dupla de ataque.

Linhas subidas e pressão alta foram as principais armas táticas para o Marítimo vencer este duelo. Já não vencia na Choupana há 14 anos e hoje, ao fim de nove jogos consecutivos sem vencer, esta época, conseguiu “tirar um coelho da cartola”. A equipa nem dominou a posse bola, mas a intensidade com que a atacou e lutou pelos espaços deram a ilusão que os “Leões” madeirenses tivessem tido a maior percentagem de posse de bola. Fizeram das “tripas coração” para alcançar a vitória. Mérito total do “maior das ilhas”.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Amir Abedzadeh (5)

Claúdio Winck (5)

Zainadine (6)

Leo Andrade (6)

Marcelo Hermes (6)

Bambock (6)

Jean Irmer (5)

Jorge Correa (5)

Edgar Costa © (4)

Joel Tagueu (4)

Rodrigo Pinho (7)

SUBS UTILIZADO

Rúben Macedo (4)

Rafik Guitane (5)

Alipour (-)

Sassá (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Nacional

Não foram colocadas perguntas ao treinador do CD Nacional, Luís Freire.

 

CS Marítimo

Não foram colocadas perguntas ao treinador do CS Marítimo, Julio Velázquez.

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