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Daniel Ramos, o tatuador de princípios táticos

Pedro Machado · 2 min

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A zona circundante à Rua Dr. Pita, no Funchal, terá, por estes dias, um brilhozinho especial. Aquele brilho das pessoas apaixonadas, que não sofreram, nem esperam vir a sofrer, as amarguras que o amor às vezes traz.

Essa paixão, virgem de desencantos, tem uma cor enigmática, que dança entre o verde e o vermelho. É um verde-rubro que emana do novíssimo Estádio de Futebol situado na zona. O Estádio do Marítimo.

Desde que a obra foi concluída, o Marítimo não perdeu para o campeonato, empatando apenas com Sporting e Nacional. Ganhou todos os outros 7 jogos lá disputados para o campeonato, incluindo o jogo de inauguração contra o tricampeão nacional (primeiro desaire da época para o Benfica), e o último, contra o Chaves, que deu impulso importante nas contas da Europa, de onde o Marítimo tem andado afastado desde há uns anos para cá.

Adeptos maritimistas têm "brilhozinho" nos olhos Fonte: Marítimo SC
Adeptos maritimistas têm “brilhozinho” nos olhos
Fonte: Marítimo SC

Mas pode o sucesso de uma equipa de futebol resumir-se à conclusão de uma obra? Claro que não. É, sim, uma feliz coincidência com a continuidade da entrada em cena de Daniel Ramos.

O treinador maritimista, chamado ao cargo três meses antes da inauguração do Estádio, tratou de tatuar as suas ideias nos seus jogadores, treinando, até a exaustão, o jogo posicional como já tão bem tinha feito no Famalicão e no Santa Clara, usando Diogo Santos como referência de uma transição defensiva muitas vezes insuperável.

No Marítimo, recorre muita às vezes a Erdem Sen, desaproveitado até chegar Ramos, como centro gravitacional do processo defensivo da equipa. O belga (que tem nacionalidade turca) sabe exatamente quando deve manter a posição, dobrar o lateral (embora sejam raras as vezes que precisa de o fazer) ou aproximar-se/afastar-se dos seus colegas do meio-campo quando a ordem é compactar/dispersar consoante o que o jogo pede – defender/atacar.

Atrás de Sen, moram, em casas táticas geminadas, Maurício e Raul Silva. Esta dupla de centrais, a protagonizar uma excelente campanha, tem mostrado a melhor sincronia posicional (também visivelmente trabalhada por Daniel Ramos) de uma parelha defensiva em Portugal, atrás dos dois primeiros classificados.

A comprova-lá está, não só facto de o guarda-redes principal se ter lesionado (saiu Gottardi, entrou Charles) e o volume ofensivo contrário ser o mesmo, mas também o incrível registo de apenas 25 golos sofridos em 29 jornadas (18 em 24 jogos com Ramos). Números que, lá está, só os dois da frente superam.

Raúl Silva (na imagem) não terá a companhia de Maurício, na Luz Fonte: Jm-madeira.pt
Raúl Silva (na imagem) não terá a companhia de Maurício, na Luz
Fonte: Jm-madeira.pt

O bom desempenho deste Marítimo, versão Ramos, não se esgota, porém, exclusivamente, no processo defensivo. O ataque também interessa, mas, aqui, o trabalho posicional continua a estar muito vincado, sobretudo nas bolas paradas, via responsável por mais de metade dos 28 tentos até então apontados…

… 9 dos quais apontados pelo trio Mauricio-Raul-Sen. Uma troika manobrada pelo maestro Ramos, e cuja austeridade só é imposta para lá da zona circundante à do Estádio do Marítimo.

Foto de capa: MadeiraFutebol

Artigo revisto por: Diana Martins

Pedro Machado

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