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A zona circundante à Rua Dr. Pita, no Funchal, terá, por estes dias, um brilhozinho especial. Aquele brilho das pessoas apaixonadas, que não sofreram, nem esperam vir a sofrer, as amarguras que o amor às vezes traz.
Essa paixão, virgem de desencantos, tem uma cor enigmática, que dança entre o verde e o vermelho. É um verde-rubro que emana do novíssimo Estádio de Futebol situado na zona. O Estádio do Marítimo.
Desde que a obra foi concluída, o Marítimo não perdeu para o campeonato, empatando apenas com Sporting e Nacional. Ganhou todos os outros 7 jogos lá disputados para o campeonato, incluindo o jogo de inauguração contra o tricampeão nacional (primeiro desaire da época para o Benfica), e o último, contra o Chaves, que deu impulso importante nas contas da Europa, de onde o Marítimo tem andado afastado desde há uns anos para cá.

Fonte: Marítimo SC
Mas pode o sucesso de uma equipa de futebol resumir-se à conclusão de uma obra? Claro que não. É, sim, uma feliz coincidência com a continuidade da entrada em cena de Daniel Ramos.
O treinador maritimista, chamado ao cargo três meses antes da inauguração do Estádio, tratou de tatuar as suas ideias nos seus jogadores, treinando, até a exaustão, o jogo posicional como já tão bem tinha feito no Famalicão e no Santa Clara, usando Diogo Santos como referência de uma transição defensiva muitas vezes insuperável.
No Marítimo, recorre muita às vezes a Erdem Sen, desaproveitado até chegar Ramos, como centro gravitacional do processo defensivo da equipa. O belga (que tem nacionalidade turca) sabe exatamente quando deve manter a posição, dobrar o lateral (embora sejam raras as vezes que precisa de o fazer) ou aproximar-se/afastar-se dos seus colegas do meio-campo quando a ordem é compactar/dispersar consoante o que o jogo pede – defender/atacar.
Atrás de Sen, moram, em casas táticas geminadas, Maurício e Raul Silva. Esta dupla de centrais, a protagonizar uma excelente campanha, tem mostrado a melhor sincronia posicional (também visivelmente trabalhada por Daniel Ramos) de uma parelha defensiva em Portugal, atrás dos dois primeiros classificados.
A comprova-lá está, não só facto de o guarda-redes principal se ter lesionado (saiu Gottardi, entrou Charles) e o volume ofensivo contrário ser o mesmo, mas também o incrível registo de apenas 25 golos sofridos em 29 jornadas (18 em 24 jogos com Ramos). Números que, lá está, só os dois da frente superam.

Fonte: Jm-madeira.pt
O bom desempenho deste Marítimo, versão Ramos, não se esgota, porém, exclusivamente, no processo defensivo. O ataque também interessa, mas, aqui, o trabalho posicional continua a estar muito vincado, sobretudo nas bolas paradas, via responsável por mais de metade dos 28 tentos até então apontados…
… 9 dos quais apontados pelo trio Mauricio-Raul-Sen. Uma troika manobrada pelo maestro Ramos, e cuja austeridade só é imposta para lá da zona circundante à do Estádio do Marítimo.
Foto de capa: MadeiraFutebol
Artigo revisto por: Diana Martins












