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E vão 11…

João Donato · 2 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Neste fim-de-semana joga-se a 17.ª jornada da Liga NOS. À entrada para esta jornada, entre despedimentos e pedidos para sair, já foram 11 as equipas que substituíram os seus treinadores.

Partilho nesta reflexão uma série de pontos que vão muito mais além do que pode ser o processo de treino e de jogo, isto é, vou falar de muito mais razões que desencadeiam o despedimento em massa de treinadores (muitos deles com qualidade; outros sem ela).

Começo assim pela dimensão dos clubes pequenos e dos seus associados, muitas vezes poucos e sem voz activa nas tomadas de decisão do clube, podendo a direcção fazer o que bem entender porque sabe que não existirá resistência por parte dos seus sócios.

Na grande maioria estes clubes apenas lutam para não descer, factor desmotivante para qualquer treinador e qualquer jogador que aspiram a grandes objectivos. É fácil mandar um treinador embora e colocar outro, tendo um efeito imediato motivacional nos jogadores e fazendo com que se ganhe uns pontos, pontos esses que poderão ser decisivos na manutenção no primeiro escalão do nosso futebol. Acontece que esta solução apenas adia problemas maiores.

Por outro lado existe uma enorme leveza e pouca seriedade no cumprimento dos compromissos que se tem com um treinador. Esta falta de compromisso deve-se na maioria das vezes a um pensamento a curto prazo dos Presidentes e Directores Desportivos das equipas. Não existe uma visão, um plano estratégico, um projecto a 2/3 anos, onde se aposta na qualidade em todos os sectores do clube, desde a Equipa Técnica, ao plantel, ao departamento de Scouting, à formação e ainda à gestão de recursos humanos e financeira. Neste ponto é importante realçar que muitas das equipas começam cedo a ter problemas de pagamentos de ordenados, fruto da má gestão das direcções dos clubes.

Deste modo é muito mais fácil apontar erros a um treinador e criticá-lo pelas suas opções técnico/tácticas do que fazer uma análise interna dos problemas e resolvê-los. Desde a política de contratações, que muitas vezes não é gerida pelos treinadores à falta de aconselhamento e investimento numa equipa técnica completa e com as valências necessárias para se fazer um bom trabalho, os dirigentes actuais são responsáveis pelo insucesso de muitas equipas.

Não quero apenas atribuir culpas aos dirigentes, sabemos que muitos treinadores da “velha guarda” estão ultrapassados no conhecimento e nas metodologias de treino e pensamento do jogo, treinadores esses que estão cada vez mais a perder espaço para a nova vaga de excelentes técnicos que vêm dos escalões mais baixos do nosso futebol. Bons dirigentes serão os que no futuro se organizarem, tiverem projectos inovadores com visão e foco nos objectivos que assim definirem e souberem identificar o treinador ideal para o seu projecto.

Actualmente, à 16ª jornada, os últimos 7 classificados já mudaram seus treinadores e continuam nestas posições, tirando Rio Ave e Marítimo que têm vindo a recuperar.

Termino com uma questão. Será que a culpa é sempre dos treinadores, ainda para mais o treinador português, super conceituado no estrangeiro?

 

Foto de Capa: Facebook Oficial da ANTF

João Donato

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