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Gerso foi o grande protagonista da primeira vitória do Estoril no campeonato. O extremo marcou um golo e fez uma assistência no triunfo por 2-0 sobre o Moreirense, num jogo em que a equipa de Miguel Leal roçou o medíocre, fazendo apenas 2 remates à baliza (o primeiro deles aos 72 minutos). Depois de uma primeira parte sofrível, a turma de Fabiano Soares veio com outra cara para a segunda parte e resolveu o encontro com facilidade. Ninguém se lembrou de Sebá no António Coimbra da Mota.

Quando o dado mais relevante de uma primeira parte são as impressionantes 7 (!) vezes que os médicos entraram no relvado para assistir os jogadores, dá para perceber o fraco nível do encontro. Não houve inspiração de parte a parte, mas com tantas paragens seria impossível mostrar alguma qualidade. Só através das iniciativas individuais de Gerso é que o Estoril conseguiu chegar perto da área de Nilson (esse mesmo, o que esteve no Vitória de Guimarães e que agora tem 39 anos), embora sem estar verdadeiramente perto do golo. Já o Moreirense, que terminou o primeiro tempo sem rematar à baliza, foi uma nulidade no ataque. Dos primeiros 45 minutos fica um momento raro de fair-play entre as duas claques. Numa fase em que o jogo estava adormecido, os adeptos do Estoril começaram a gritar pelo Moreirense e o mesmo aconteceu do outro lado. Não é habitual no futebol português.

A segunda parte começou de maneira diferente, com o Estoril a entrar com uma atitude mais pressionante e a ficar perto do golo (cabeceamento de Diego Carlos ao poste). A equipa de Fabiano Soares assumiu o controlo do jogo, sobretudo devido às trocas de bola entre os criativos Chaparro e Bruno César, que subiu de rendimento na segunda metade, e à capacidade de desequilíbrio de Gerso. O Moreirense demonstrou muita passividade a meio campo e sofreu com a velocidade dos homens do ataque canarinho, especialmente do extremo guineense, que foi o dínamo necessário para estilhaçar a defesa contrária. Foi o responsável por marcar o primeiro golo, aproveitando uma defesa para a frente de Nilson, e assistiu Bonatini no segundo.

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O Estoril conquistou os primeiros pontos no campeonato
Fonte: Facebook do Moreirense

Depois de uma primeira parte bastante fraca, o Estoril mostrou a qualidade que fez tremer a Luz, apesar do resultado desnivelado, e foi um vencedor justo. A defesa praticamente não foi testada, o meio campo subiu de produção na segunda metade (Taira mostrou qualidade no passe, Babanco e Chaparro são muito interessantes tecnicamente) e no ataque, para além de Gerso, Bruno César e Bonatini também apresentaram um rendimento totalmente diferente. O “chuta-chuta”, ainda assim, está longe da melhor forma e deverá ganhar preponderância nos próximos jogos.

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Pela amostra deixada no António Coimbra da Mota, o Moreirense vai ter de lutar pela manutenção na primeira liga. A equipa até esteve organizada na primeira parte, embora a manta tenha ficado curta na altura de sair para o ataque, mas na etapa complementar foi completamente dominada pelo Estoril. Os visitantes acabaram por viver de infrutíferas iniciativas individuais. Sagna foi o jogador que mais trabalho deu, tendo somado algumas incursões que meteram em sentido a defesa do Estoril, mas Miguel Leal foi obrigado a recuá-lo para lateral depois da substituição forçada de Coronas. Má sorte para o técnico do Moreirense, que também perdeu João Palhinha, provável titular, por doença. No final, o treinador justificou a derrota com a falta de recursos e deu a entender que é preciso reforçar urgentemente a equipa.

A Figura:

Gerso – Com a saída de Sebá para o Olympiacos, o extremo tem tudo para se assumir como a grande figura do ataque estorilista. Rápido e bastante dotado tecnicamente, foi o único a desequilibrar no marasmo da primeira parte e na segunda metade decidiu com um golo e uma assistência.

O Fora-de-jogo:

Nilson – De volta ao campeonato português, o guarda-redes brasileiro não fez uso da sua experiência para transmitir tranquilidade à equipa de Miguel Leal. A insegurança entre os postes foi fatal para o conjunto de Moreira de Cónegos, já que o guardião, para além de ter ficado ligado ao primeiro golo, teve uma série de abordagens infelizes, especialmente nas saídas a cruzamentos.

Artigo de Alexandre Ribeiro e Tomás da Cunha