A CRÓNICA: RIO AVE CONTINUA SECO COM UMA ÉPOCA AINDA POR SALVAR

A primeira mão do playoff de acesso à primeira liga jogou-se, esta quarta-feira, no Estádio Municipal de Arouca. O Arouca garantiu, na última jornada do segundo escalão do futebol português o terceiro lugar e marcou presença neste playoff que já contava com o Rio Ave, já que foi antepenúltimo da primeira divisão portuguesa.

A primeira meia hora de jogo refletiu duas equipas muito cautelosas e com muitas preocupações quanto ao posicionamento dos centrocampistas para evitar erros. Os dois conjuntos encaixaram-se e anularam-se nestes primeiros trinta minutos, evitando lances de perigo. Bukia já se vinha a destacar como uma das figuras com maior fulgor ofensivo do lado do conjunto da casa e foi mesmo dele que partiu o passe de calcanhar que desmarcou Thales na profundidade e, isolado, com condições para passar para Pité rematar para o primeiro golo da partida e que ia alimentando o sonho da subida arouquense.

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A primeira parte terminou com uma imagem de um Rio Ave descaracterizado no momento de construção, algo que culminou em muitos passes falhados. Do outro lado esteve um Arouca ciente de que nada tinha a perder à entrada para este falhado e que demonstrou ter vontade de se afirmar enquanto equipa merecedora de participar ao mais alto nível do futebol profissional em Portugal.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O Arouca a saber que já tinha atingido um bom resultado e com uma entrada mais cautelosa para ir com uma vantagem a Vila do Conde, foi mesmo a equipa que conseguiu marcar o segundo na partida. Na cobrança de um livre no lado direito ofensivo x viu a boa desmarcação de Thales que depois conseguiu um cruzamento preciso e tenso que encontrou Velazquez que, à ponta de lança, desviou o esférico para o fundo da baliza de Kieszek. O pesadelo do Rio Ave continuou a tomar novos valores com o terceiro tento do Arouca por intermédio de André Silva.

Houve excesso de passividade na defensiva vila-condense que não reagiu ao trajeto da bola após cruzamento de Bukia e André Silva apareceu ao primeiro poste para rematar certeiramente para dilatar ainda mais a vantagem do conjunto proveniente da segunda liga. Foi apenas no último minuto do tempo regulamentar que o Rio Ave conseguiu levar verdadeiro perigo à baliza de Vitor Braga, mas nem Junior Brandão nem Guga, completamente isolados, conseguiram dar o melhor desfecho às jogadas da equipa.

A FIGURA
Fonte: FC Arouca

Bukia – O congolês mostrou estar com muita vontade de voltar aos palcos do principal escalão do futebol português. Excelentes rasgos individuais pela direita e que deram imenso trabalho a Pedro Amaral no momento defensivo. Foi claramente a estrela da equipa e culminou isso com uma bela assistência para o terceiro golo do Arouca.

 

O FORA DE JOGO

Meshino –A equipa do Rio Ave esteve, no geral, fraca, mas Meshino foi o elemento que pareceu mais desenquadrado. Não houve lances que conseguisse ganhar no um para um e mesmo em transição falhava muitas vezes no timing do passe, já que, por vezes se agarrou em demasia à bola.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC AROUCA

Armando Evangelista repetiu com o Arouca o 4-4-2 que tinha vindo a utilizar nas últimas jornadas da segunda liga e que lhe conferiu um recorde atual de nove vitórias consecutivas para a competição em questão. Os homens mais avançados foram Bukia (ex-Boavista) e André Silva, mas tiveram pouca bola já que se jogou dentro de uma cabine telefónica nos instantes iniciais.

Pité foi claramente o elemento encarregue de ter mais rasgos de criatividade para conseguir colocar a bola ou entre-linhas, num momento em que a equipa estivesse mais recuada, ou fazer um passe a rasgar a defesa contrária para a velocidade de Bukia. Os laterais pareceram ter ordens de, pelo menos até a poeira assentar, não avançarem em demasia no terreno e ficarem atentos às tarefas defensivas e, nesse papel, tanto Thales como Quaresma foram exemplares a impedir avanços de Carlos Mané pela direita e de Meshino pela esquerda. Evangelista fez sair o autor do único golo da primeira parte e lançou para o seu lugar Ofori logo no reatar da partida e, embora a equipa já estivesse a jogar bem, conseguiu jogar ainda melhor.

Havia mais espaço e Ofori, com capacidade de condução e com rapidez de execução deu muito trabalho à defesa do Rio Ave. No fundo, foi uma simplicidade tática que provou que se pode sobrepor quando cada jogador desempenha bem as suas funções.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Braga (6)

Thales (9)

Othavio (6)

Velazquez (7)

Quaresma (6)

Leandro Silva (6)

Pedro Moreira (6)

Pité (7)

Arsénio (7)

Bukia (8)

André Silva (7)

SUBS UTILIZADOS

Ofori (7)

Heliardo (-)

Adilio (-)

Joel (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

Se por um lado o Arouca se focou na cobertura de espaços nas alas, o Rio Ave pareceu concentrar-se num setor mais central do campo. Miguel Cardoso não inventou na defesa e manteve uma linha de quatro com o trinco Pelé a ser o homem do meio-campo mais recuado e com Filipe Augusto e Guga em constante movimento na procura de obter linhas de passe favoráveis à construção que já é costume neste conjunto vila-condense.

Os laterais tiveram importâncias diferentes nos momentos iniciais, com Ivo Pinto a incorporar-se muitas mais vezes no ataque e com Pedro Amaral a conter-se mais para impedir uma transição rápida arouquense por aquele lado no qual joga Bukia. De forma algo surpreendente, o Rio Ave apresentou uma nova forma de construir com o médio mais recuado a vir para o lado dos centrais e a formar uma linha de três que permitiu aos laterais avançarem mais no terreno.

Em termos ofensivos, assistiu-se muita falta de capacidade na ala direita composta por Meshino e Pedro Amaral que acabaram aliás por ser s primeiros jogadores a serem substituídos do lado rioavista. Meshino continuou a dar a entender que não está entrosado nas dinâmicas da equipa e acusou até alguma desatenção e Pedro Amaral pareceu algo recatado na forma como subia no terreno e com falta de confiança em lances de um para um com Bukia pela frente. Defensivamente a linha de quatro, face ao que vinha a acontecer ao longo de toda a temporada estiveram coordenados, mas algo passivos no momento de atacar e pressionar a bola.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (4)

Aderlan Santos (5)

Filipe Augusto (5)

Borevkovic (5)

Gelson Dala (4)

Guga (5)

Meshino (3)

Pele (6)

Carlos Mané (5)

Ivo Pinto (4)

Pedro Amaral (4)

SUBS UTILIZADOS

Junior Brandão

Sávio

Gabrielzinho

Nélson Monte

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA 

FC Arouca

Bola na Rede: O Arouca começou o jogo com bastantes tentativas de passes em desmarcação e com o jogo algo focado no centro do terreno. Mas os golos surgiram curiosamente todos pelas alas. Tendo isto em conta qual era o plano ofensivo da equipa para este jogo?

Armando Evangelista: Quem segue o Arouca há dez meses sabe que simplesmente viemos fazer o que já vínhamos a fazer há muito tempo. É claro que fizemos o nosso trabalho de casa de forma a perceber que espaços poderíamos atacar. Mas não mudamos de ideias por ser o Rio Ave. Jogámos assim contra o Mafra e contra o Chaves, simplesmente fomos nós.

Rio Ave FC

Bola na Rede: Péle posicionou-se algumas vezes ao lado dos centrais formando uma linha de três. O que é que este posicionamento confere à equipa no momento ofensivo e em especial numa equipa que joga sem um nove fixo?

Miguel Cardoso: Tem a ver com a intenção de criar vantagem numérica e de aliviar a pressão dos dois avançados da frente com a subida dos laterais. Foi uma tentativa de dar também mais liberdade aos médios para se entregarem mais ao momento ofensivo.

Foto de Capa: Liga Portugal

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