A CRÓNICA: A EFICÁCIA QUE RICARDO SOARES PEDIA ACABOU POR FAZÊ-LO FELIZ NA PRIMEIRA VITÓRIA DE SEMPRE DO GIL VICENTE FRENTE AO FAMALICÃO

O derby entre FC Famalicão e Gil Vicente FC foi um dos encontros de abertura da 11ª jornada da Primeira Liga e começou em sufoco para ambas as equipas. Logo no minuto de abertura, o Famalicão mostrou que não vinha ao encontro passear e, aos sete minutos, após uma transição rápida por parte do Gil Vicente, Leautey, isolado, rematou à figura de Júnior na primeira oportunidade flagrante de golo no encontro. Ressalva para o trabalho de Claude Gonçalves e Ruben Fernandes que conseguiram travar a transição defensiva do Famalicão, conseguindo abrir espaço para o avanço de Leautey.

O nível de competência ofensiva demonstrado por parte dos gilistas mostrou que, mais tarde ou mais cedo, teria de existir golo. Aos 17 minutos, Lucas Mineiro conseguiu furar pelo meio-campo do Famalicão, com um passe a rasgar totalmente a defesa da equipa da casa. Claude Gonçalves recebeu a bola de forma exímia, mas a confusão na área ditou a que Leautey não conseguisse encontrar o caminho da baliza.

O Gil Vicente continuou a demonstrar o querer abrir o marcador. Desta vez foi Lourency, com um cruzamento para o interior da área de Júnior, mas Leautey cabeceou muito alto relativamente à baliza da equipa da casa. Já o Famalicão quase viu a sorte sorrir. Ultrapassados os 35 minutos desde o apito inicial, foi Joaquin Pereyra que levou o ataque às costas, ou nos pés. Na primeira tentativa de remate, a bola bateu no adversário e, à segunda e depois um pormenor fantástico para ultrapassar o defesa do Gil Vicente, Pereyra rematou em direção à baliza de Denis, mas a bola passou a centímetros do poste esquerdo.

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Mas o golo não tardava mesmo a chegar. Faltavam cinco minutos para soar o apito para o intervalo e pareceu uma jogada pintada na tela por Lourency. O jogador do Gil Vicente conseguiu ultrapassar todos os defesas que lhe apareceram à frente dentro da área do Famalicão. O desequilíbrio e a confusão que se criaram no flanco direito do ataque da equipa da casa permitiram a que, numa segunda recarga, Claude Gonçalves abrisse o marcador à “lei da bomba”.

Logo a abrir a segunda parte, Lourency tentou fazer o gosto ao pé ainda longe da grande área, mas Júnior defendeu e negou o golo que o jogador do Gil Vicente. Em jeito de resposta, o jovem Ivan Jaime, que esteve apagado na primeira parte, rematou com bastante força, mas não foi suficiente para empatar a partida, dado que a bola subiu muito mais do que aquilo que o jogador pretendia.

No seguimento de um pontapé de canto, Leautey tentou mais uma vez inserir o seu nome na lista de marcadores, mas não foi possível. Aos 63 minutos, o francês rematou “para fora do distrito de Braga”, ou simplesmente para fora e longe do estádio, dada a força e a altura que a rota da bola tomou.

Mais um momento de sufoco para ambas as equipas chegou aos 74 minutos. O Famalicão perdeu uma oportunidade mais que flagrante para marcar o golo do empate. Com a defesa do Gil Vicente descompensada e Denis fora da baliza, Del Campo não foi capaz de encontrar o ângulo necessário para visar a baliza.

A melhor ocasião de golo para o Famalicão veio mesmo a cinco minutos do final da partida. A bola conseguiu beijar duas vezes o ferro. Era notória a confusão dentro da grande área, mas confuso também foi como a bola acabou por não entrar na baliza de Denis.

O jogo voltou a esquentar e faltavam apenas dois minutos para o fecho. Desta vez foi Samuel Lino a rematar por cima da trave e, no contra-ataque seguinte, Anderson Oliveira rematou contra o corpo de Denis.

Foi desta forma que a eficácia tanto pedida por Ricardo Soares e que tanto faltava ao Gil Vicente acabou por trazer felicidade à equipa de Barcelos, que acabou por vencer por 1-0, concretizando a primeira vitória fora de casa no campeonato e mesmo a primeira vitória de sempre frente ao Famalicão.

 

A FIGURA

O coletivo do Gil Vicente – Uma equipa à imagem do treinador que é Ricardo Soares. Uma exibição tremenda que tinha de transparecer uma vitória. Todos os setores do campo estiveram bem alinhados conforme o que o jogo pediu e aquilo que o treinador pretendia. Nem com o golo que abriu o marcador os gilistas se demonstravam conformados com a exibição em campo e tentaram sempre conseguir mais.

 

O FORA DE JOGO

As transições defensivas do FamalicãoA formação famalicense não demonstrou um rendimento semelhante ao que costuma demonstrar, mas o ponto fulcral que faltou no jogo da turma de João Pedro Sousa foi mesmo o jogo defensivo. Nas alturas necessárias, a defesa da equipa da casa acabou por se desintegrar no campo. Muita era a confusão e até se viu mesmo uma linha defensiva bastante descompensada que, por vezes, o Gil Vicente acabou por aproveitar (mesmo sem a existência de golo).

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

João Pedro Sousa optou por um 4-4-2 tradicional para enfrentar o Gil Vicente. A baliza ficou ao encargo de Júnior, que fez a sexta aparição na equipa esta temporada. Os centrais continuaram a ser Babic e o jovem Diogo Queirós, com ajuda nos flancos por parte de Dani Morer e Gil Dias.

O meio-campo foi assumido por Gustavo Assunção e Ivan Jaime e o apoio dos alas Joaquin Pereyra e João Neto. Os homens-alvo do Famalicão foram Ruben Lameiras e, o jovem de 20 anos, Del Campo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Luiz Júnior (6)

Dani Morer (4)

Babic (5)

Del Campo (6)

Ruben Lameiras (6)

Gustavo Assunção (6)

Ivan Jaime (6)

Joaquín Pereyra (5)

João Neto (5)

Diogo Queirós (5)

Gil Dias (5)

 SUBS UTILIZADOS

 Jhonata Robert (6)

Guga Rodrigues (6)

Anderson Oliveira (5)

Edwin Herrera (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Após o jogo frente ao SL Benfica, Ricardo Soares voltou a optar por um onze bastante semelhante para o encontro frente ao Famalicão. Num 3-5-2, Denis voltou a segurar as redes da baliza, com a linha defensiva à sua frente sendo composta por Joel Pereira, Ruben Fernandes e Ygor Nogueira.

No meio-campo, fixeram parte todos aqueles que integraram o onze inicial, à exceção de Samuel Lino e de Lourency, que foram os homens mais avançados no terreno.

Nas transições defensivas, o Gil Vicente acabou por compactar a linha defensiva, transformando o original 3-5-2 num 5-3-2, onde os únicos jogadores a não descer no setor eram Leautey e Samuel Lino.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Denis (6)

Joel Pereira (6)

João Afonso (6)

Lourency (8)

Claude Gonçalves (8)

Antoine Leautey (8)

Lucas Mineiro (7)

Ruben Fernandes (6)

Samuel Lino (7)

Talocha (6)

Nogueira (6)

SUBS UTILIZADOS

Fujimoto (-)

Vítor Carvalho (-)

Rodrigo (-)

Oliveira (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Famalicão

BnR: O que faltou no jogo do Famalicão, dado que não se viu uma equipa tão pressionante e com um rendimento abaixo do que costuma demonstrar?

João Pedro Sousa: Na primeira parte estivemos algo tensos, algo passivos, com muitas dificuldades em chegar ao último terço. De facto, fizemos uma primeira parte um pouco distante daquilo que podíamos fazer. Sabíamos que íamos encontrar um adversário complicado, muito competente e bastante perigoso nas transições ofensivas. Devido a essa falta de agressividade, sofremos lances de perigo e mesmo o golo. Retificámos na segunda parte, entrámos melhor e mais agressivos. Mexemos pouco a nível tático, mas a resposta dos jogadores foi outra. Entrámos mais soltos, mais dinâmicos e conseguimos chegar mais perto das zonas de finalização, mas, infelizmente, não conseguimos virar o resultado. Temos a noção que, por culpa própria, chegámos ao intervalo a perder por uma bola.

Gil Vicente FC

BnR: Viu-se uma equipa competente a praticamente todos os níveis e, mesmo assim, depois do golo, viu-se que Ricardo Soares não parou de dar indicações aos seus jogadores. O resultado é justo perante a exibição ou foi curto?

Ricardo Soares: Eu penso que o resultado é justo. Nós entrámos muito bem no jogo, procurámos pressionar muito alto. Sabíamos que, se limitássemos a primeira fase de construção do Famalicão, iríamos tirar dividendos dessa pressão. Também era nossa clara intenção marcar primeiro porque isso iria inconformar o nosso adversário e, por outro lado, ia dar confiança à minha equipa. Na parte final, tivermos de fazer reajustes porque o Famalicão ia apostar tudo no “chuveirinho” e, atendendo às circunstâncias, estávamos à espera e acabámos por antecipar aquilo que achávamos que ia acontecer, e aconteceu. Para nós, era muito importante sair daqui com três pontos, foi justo e conseguimos.

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