A CRÓNICA: FC FAMALICÃO COM TUDO PARA UM CD NACIONAL SEM NADA

De um lado, a ressaca da festa da garantia da manutenção; do outro, o medo da iminência da descida de divisão. Vivia-se a 33ª jornada no Estádio Municipal de Famalicão, onde o FC Famalicão recebeu o CD Nacional para um duelo que se esperava bem vivo.

Até à primeira meia hora, o jogo esteve em plena posse e domínio do FC Famalicão. Poucas eram as investidas do CD Nacional que, nesses 30 minutos, deve ter feito um reconhecimento ideal do seu meio-campo defensivo. O que realmente fez virar o rumo do jogo foi um remate de Gil Dias que, com espaço, obrigou António Filipe a uma enorme defesa. Foi a wake up call que a equipa de Manuel Machado necessitava para acordar no jogo.

Depois desse remate que poderia ter desbloqueado o marcador a favor dos famalicenses, viveu-se um contra-ataque constante entre ambas as equipas durante alguns minutos, onde os insulares tentaram mesmo fazer pela vida. No entanto, ao minuto 39 e depois de já ter demonstrado alguns planos com nota artística no encontro, Ivo Rodrigues, à entrada da área do CD Nacional, concretizou aquilo que Gil Dias não conseguiu poucos minutos antes. Com um belo remate e o esférico bem colocado “na gaveta” do poste da baliza de António Filipe, o jovem de 26 anos inaugurou o marcador para a equipa da casa e deu seguimento ao belo momento da época que está a atravessar.

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Sem mais história até ao soar do apito para recolher aos balneários, chegou o intervalo que a equipa da Madeira estava a precisar para refrescar ideias e estratégia para o jogo (esperava-se). Manuel Machado fez Gorré e Éber Bessa entrarem em jogo, mas as alterações pareciam não surtir efeito.

Decorrendo a segunda parte, os insulares começaram a explorar o meio-campo defensivo famalicense, mas o perigo raramente espreitava para Luiz Júnior, à exceção de um lance à entrada dos 70 minutos, no qual o guardião do FC Famalicão limpou de forma exímia. Por outro lado, António Filipe ainda tinha algum trabalho, à medida que os homens da equipa da casa se aproximavam da sua grande área. Prova disso? Iván Jaime. Aos 78 minutos, o jovem jogador do FC Famalicão, no centro da área, rematou sem oposição para o fundo das redes do guardião do CD Nacional e aumentou a vantagem para os comandados de Ivo Vieira.

Em resposta ao segundo golo, apareceu o terceiro. No seguimento de um cruzamento, Fernando Valenzuela aproveitou o passe de Ivo Rodrigues e, à frente de António Filipe, colocou a bola no fundo das redes da baliza do CD Nacional. Com isto, e com a vitória do FC Famalicão praticamente garantida, lia-se que o futuro enunciado da equipa insular na próxima época passaria pela Segunda Liga.

E assim ficou. Sem grandes cerimónias, sem tempo adicional, o FC Famalicão levou de vencida e de goleada por CD Nacional. Pelos lados da equipa de Ivo Vieira, fica ainda a vontade de chegar a um lugar europeu, mas a próxima época da equipa de Manuel Machado será mesmo pela divisão inferior.

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

FC Famalicão – Do minuto zero ao minuto 90, o FC Famalicão mostrou total compromisso com o jogo que estava a disputar. Apesar da manutenção já ter sido garantida, o sonho de alcançar a Europa falou mais alto e fez com que o coletivo famalicense se entregasse ao jogo e fizesse uma enorme exibição.

 

O FORA DE JOGO

CD Nacional jogadores
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Critério do CD Nacional – Mesmo tendo sido poucas as jogadas de grande perigo, pecou também por escasso o critério insular no último terço. As substituições para o setor ofensivo efetuadas por Manuel Machado também não surtiram o efeito desejado pelo técnico e nada correu conforme o desejado pelo CD Nacional, tendo, aqui, sentenciado a descida de divisão.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Na escolha do onze inicial, Ivo Vieira arquitetou um 4-4-2. Dentro das poucas alterações efetuadas, Luiz Júnior manteve-se na baliza, com a linha de quatro defesa novamente constituída por Rúben Vinagre e Diogo Figueiras nas laterais e Riccieli e Babic na zona central do setor.

No meio-campo, alinharam Pepê, Gil Dias e Ivo Rodrigues, com Manuel Ugarte a ser o elemento mais recuado do setor com o objetivo de fazer ligação com o setor defensivo aquando da primeira fase da construção de jogo.

O homem da frente escolhido por Ivo Vieira foi Alexandre Guedes, com Kraev a jogar entrelinhas de modo a propiciar a ofensiva famalicense.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Júnior (6)

Rúben Vinagre (6)

Riccieli (6)

Babic (6)

Diogo Figueiras (7)

Ivo Rodrigues (7)

Manuel Ugarte (6)

Pêpê (7)

Gil Dias (7)

Kraev (6)

Alexandre Guedes (6)

 SUBS UTILIZADOS

 Heriberto Tavares (6)

Iván Jaime (7)

Fernndo Valenzuela (7)

Gustavo Assunção (6)

Neto (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL

Para este encontro frente ao FC Famalicão, Manuel Machado montou um 3-4-3, com os laterias projetados, moldável num 4-4-2 aquando dos momentos defensivos, com o meio-campo a defender em bloco.

António Filipe foi o guardião neste duelo, com Júlio César, Pedrão e Lucas Kala garantirem as posições na linha defensiva. No setor do meio-campo, Rúben Freitas e Azouni ocuparam as laterias, com Alhassan e Rúben Micael no miolo.

Na frente de ataque, os homens de Manuel Machado que ficaram no apoio ao ponta de lança Pedro Mendes foram Brayan Riascos e João Vigário.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

António Filipe (5)

Rúben Freitas (5)

Júlio César (5)

Pedrão (5)

Lucas Kal (5)

Rúben Micael (5)

Alhassan (5)

Azouni (5)

Brayan Riascos (5)

João Vigário (5)

Pedro Mendes (5)

SUBS UTILIZADOS

Gorré (6)

Éber Bessa (5)

Witi (6)

Rouai (5)

Rochez (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Famalicão

BnR: Dado o resultado conseguido e a forma como a sua equipa se apresentou em campo durante os 90 minutos, sente que esta foi uma das melhores exibições do FC Famalicão sob o seu comando?

Ivo Vieira: Já tivemos jogos bons. Hoje fizemos um jogo equilibrado, tomámos boas decisões, fomos organizados defensivamente. Não permitimos grandes oportunidades ao adversário, tivemos algumas e concretizámos três. Perante aquilo que é o campeonato, é de louvar e valorizar o trabalho e o jogo dos atletas, que foram muito competentes.

 

CD Nacional

BnR: Na entrada para a segunda parte, fez entrar Gorré e Éber Bessa. O que pretendeu necessariamente com estas duas alterações? E, dado este resultado, o que sente que faltou no jogo da sua equipa, para além, obviamente, dos golos?

Manuel Machado: Eu penso que aquilo que foi determinante foi não termos conseguido marcar primeiro. Com a vantagem do nosso lado, poderíamos ter tido a possibilidade fazer uma gestão bem diferente. Não fizemos, sofremos. Acaba por ser aquilo que leva a este resultado.

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