A CRÓNICA: GOLOS, EMOÇÃO E … MAIS UM EMPATE

O duelo de aflitos cercou a região minhota de uma das províncias de Guimarães: um ponto separava o antepenúltimo e o penúltimo classificados do campeonato português; em sentido inverso, as exibições parcas até aí realizadas – à exceção dos embates defronte dos grandes – aproximavam Moreirense FC e FC Famalicão. Sob o ponto de vista da sorte, do palpite e da premonição, até podia dizer-se que o encontro prometia golos e emoção. Palavra de tipster!

A pretensão de acelerar ações/comportamentos é uma consequência direta da aflição sentida. Diogo Figueiras queria adiantar-se ao relógio: não pediu permissão e desferiu um remate na diagonal, mas Pasinato temporizou à sua maneira.

A velocidade, sempre a velocidade. Ao quilómetro dez, Luiz Júnior encontra um entrave no solo e coloca a bola – de qualquer maneira – no seu meio-campo: Fábio Pacheco apodera-se do volante, dispõe em Pires e este, ganhando posição, deixa-se rasteirar pelo adversário dentro da área; Rafael Martins, na resposta, atesta o depósito. 1-0!

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O conhecimento da sinalética e o domínio da partida pertencia à cidade de Camilo, apesar do resultado desfavorável. Eis que, ao minuto 19, cai – não literalmente – o anjo do empate: Ivo Rodrigues e Ivan Jaime tabelam de forma exaustiva no flanco direito, o primeiro remata para defesa apertada de Pasinato … e na recarga está plantado Banza, como deputado da justiça e igualdade do marcador (qual Calisto, qual quê). 1-1 no marcador!

Até ao intervalo, nada se alterou. O FC Famalicão permaneceu próximo daquela que seria a remontada defendida no Olimpo desportivo (Ivo Rodrigues foi perdulário e arrependeu-se). Na outra faixa, Rafael Martins teve em mente consumar o golpe de teatro, mas a cabeça não teve juízo.

Oriundo dos balneários, chegou a velocidade, de novo. Banza fez banzé (frequência de 47 decibéis) a cruzamento de Ivo Rodrigues, pelo lado direito. A bancada respondia com euforia e devolvia o amor sem perdição.

O segundo tento dos famalicenses conduziu a um período com maior intensidade no centro do terreno e com ligeiro ascendente para a equipa da casa pelo facto de se encontrar em desvantagem. Ao quilómetro 70, Pires, após ultrapassagem pelo corredor direito, ganha um pontapé de canto: na sequência, André Luís – tinha rendido, há segundos, Filipe Soares – cabeceia e bate Luiz Júnior pela segunda vez.

Reposta a igualdade, os cónegos não largaram o osso da superioridade e pareciam delinear nova reviravolta no marcador: o FC Famalicão não colocava o pé fora da soleira do meio-campo – à exceção dos últimos cinco minutos do tempo regulamentar até ao final da partida – e defendia com 11. Apesar do sucedido, a equipa da casa não abraçava os lances de perigo nem construía lances passíveis do mesmo.

O encontro terminou com uma divisão de pontos e os alertas continuam a soar nos radares do Minho.

 

A FIGURA

Simon Banza –  A compleição física não é nada condicente com o trabalho e a qualidade apresentada diante do Moreirense FC. O número 17 deu água pela barba ao quarteto defensivo cónego e foi solicitado pelos colegas de equipa durante os 90 minutos. Assinou um bis, jogou, fez jogar, abriu espaços, iniciou jogadas com a receção de bolas a meio-campo e triangulou de modo quase sempre certeiro.
O FORA DE JOGO
Fonte: Bola na Rede / Diogo Cardoso

Defesa do Moreirense FC – O quarteto defensivo teve uma tarde daquelas… Artur Jorge e Rosic mal conseguiram segurar e manietar Banza, Paulinho acompanhava Marcos Paulo na velocidade, mas era facilmente ultrapassado no duelo individual, A. Conté idem aspas, apesar de na segunda parte equilibrar as contas.

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Na jornada transata, diante do Belenense SAD, o Moreirense FC urdiu um 3-5-2 que, nos momentos defensivos e de contenção, se transformava num 5-3-2, onde Paulinho e Abdu Conté baixavam linhas e retiravam profundidade aos extremos das equipas adversárias. Hoje, diante do FC Famalicão e jogando no seu reduto, o técnico cónego arquitetou um 4-3-3 que alia a projeção ofensiva à velocidade e um meio-campo devidamente musculado, característica que a partida – em termos teóricos – requeria.

A ausência de bola em posse, a pressão no setor mais recuado do adversário, a indefinição e o critério aquando do último passe ou da construção a partir da primeira fase do terreno foram as características que marcaram a primeira parte cónega. Filipe Soares, alma mais criativa do conjunto, foi encarcerado na teia montada pelo treinador famalicense, Yan Matheus e Pires não pareciam ter estudado para o teste o capítulo da profundidade e do ataque flanqueado e Rafael Martins fazia o que lhe competia: pelejava com os centrais e era referência aquando das bolas paradas.

Se a primeira metade pertenceu ao FC Famalicão, a segunda parte conta uma história bem distinta, a partir do golo sofrido: uma equipa bem mais aguerrida, disciplinada e com traçar de objetivos bem mais definido. André Luís é a peça-chave e (parece ser) a arma secreta quando o resultado não se mostra favorável. Além disto, a conquista da posse de bola e o juntar de linhas foi determinante para a superioridade cónega.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (6)

Paulinho (5)

Artur Jorge (5)

Rosic (5)

Conté (5)

Gonçalo Franco (5)

Pacheco (6)

Soares (5)

Yan (4)

Martins (7)

Pires (6)

SUBS UTILIZADAS

Walterson (5)

Ibrahima (5)

André Luís (7)

Ramos (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Do empate caseiro diante do campeão nacional, Sporting CP, para o encontro com etiqueta minhota, registou-se apenas uma alteração no onze inicial: Marcos Paulo no lugar do preterido Bruno Rodrigues. A estratégia, ao que tudo indicava, era a mesma: duplo pivôt (Pickel e Pêpê) no miolo de modo a conferir superioridade nas batalhas, I. Jaime como fonte de onde jorra a criatividade e os possíveis rasgos de genialidade e golpes – a partir dos flancos – com a saturação da dupla Diogo Figueiras – Ivo Rodrigues.

O FC Famalicão dominou, quase na íntegra, a primeira metade da partida. Ivan Jaime, Ivo Rodrigues e Marcos Paulo eram os jogadores mais solicitados e os timoneiros das intentonas ofensivas: quer do lado esquerdo, quer do lado direito, os respetivos centrais do Moreirense – Artur Jorge e Rosic – foram muito permissivos e não realizavam atempadamente as dobras. O centro do terreno impeliu o Moreirense FC, em certas partes do jogo, a recuar um bloco, pelo elemento “acessório” – Iván Jaime foi o box-to-box de serviço e, excetuando as bolas paradas, o fator desequilíbrio na partida.

Nos segundos 45 minutos, o FC Famalicão fez o mais difícil e submeteu-se ao próprio medo: arquitetou a remontadae não foi capaz de ser dono e senhor da partida: Ivan Jaime perdeu espaço na construção e estava mais tapado, assim como Ivo Rodrigues. Marcos Paulo ainda sambou, mas os lances individuais não surtiam o efeito desejado. Pêpê Rodrigues e Pickel, aos poucos, foram subjugados ao músculo do miolo adversário. A (única) desatenção na bola parada custou o empate.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Júnior (5)

Lima (5)

Penetra Correia (6)

Júnior (6)

Figueiras (6)

Pickel (6)

Pêpê (6)

Ivo Rodrigues (6)

Jaime (6)

Marcos Paulo (7)

Banza (8)

SUBS UTILIZADAS

Adrián Marín (6)

Bruno Rodrigues (5)

David Tavares (4)

Pedro Marques (-)

Pedro Brazão (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Moreirense FC

BnR: Boa noite, mister. Esperava-se que o Moreirense FC, nos minutos finais e fruto da sua superioridade  – após o segundo golo do FC Famalicão – arriscasse mais e se dispusesse durante mais tempo junto da área adversária, mas isso acabou por não acontecer. Consegue encontrar alguma razão que explique isto?

João Henriques: A entrada foi melhor por parte do FC Famalicão, soubemos tirar partido duma chegada à área para nos adiantarmos no marcador. O FC Famalicão continuou com uma boa reação ao golo sofrido e não soubemos perceber isso e gerir o jogo de uma forma que evitássemos o empate. Daí até ao intervalo, o jogo ficou dividido. Sofremos o golo precocemente na segunda parte, dominamos até aos 10 minutos finais com bolas paradas perigosas e jogadas corridas perigosas também. Repare: no subconsciente dos jogadores, a partir de certo momento, está o não perder pontos porque ainda este ano já tivemos um dissabor diante do SC Braga e são acontecimentos que ficam sempre na memória. Em certos momentos, arriscar é uma ação que se pode minimizar. Considero que chegamos com perigo à área adversária, mas também não queríamos que nos provocassem situações de desequilíbrio defensivamente e, por essa razão, tivemos sempre aquele cuidado que as equipas pequenas devem ter. Uma coisa garanto: as duas equipas que se apresentaram aqui hoje vão fazer muitos pontos este campeonato.

 

FC Famalicão

BnR: Boa tarde, mister. Sente que a equipa relaxou em demasia após restabelecer a vantagem no marcador nomeadamente na perda de espaço a meio-campo, quer com bola, quer sem bola? Pergunto isto porque, na primeira parte, Iván Jaime parecia ter um papel mais junto de Pêpê e Pickel, na primeira fase de construção…

Ivo Vieira: Não acredito que tenha sido isso que intencionalmente nós quisemos. O adversário, na primeira parte, obrigou-nos a isso. Em momentos do jogo, também obrigamos o adversário a baixar as suas linhas e a recuar. O Iván Jaime é um jogador que gosta de ter bola e, na primeira parte, o adversário estava a pressionar mais alto e isso obrigou-nos a baixar no terreno. Nós queríamos dominar o jogo em termos estratégicos e o nosso objetivo é sempre marcar mais golos do que os adversários. Sofremos dois golos de bola parada, também. Convém sempre salientar isso…

 

Rescaldo de opinião redigido por Francisco Silva e Romão Rodrigues.

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