A CRÓNICA: MILTON DESMONTOU O RIO AVE FC E DESPEDE-SE DE 2020 CONFORTÁVEL NA TABELA

Num jogo a contar para a 11ª jornada do campeonato, a equipa da casa procurava desfazer o enguiço da falta de golos, enquanto os madeirenses procuravam respirar melhor na tabela, após uma vitória sofrida diante o Belenenses SAD.

Apesar das temperaturas baixas em Vila do Conde, ambas as equipas rapidamente aqueceram a partida com o olho bem fincado na baliza do adversário. Sem se trancarem, iniciaram o jogo com uma vontade imensa de fazer o primeiro golo. Ora, todavia a chegada fácil de ambas as formações ao último terço contrário, foi a «turma» vilacondense a primeira a chegar ao golo. Diego Lopes, ao minuto 14, aproveitou um excelente cruzamento de Pedro Amaral e de cabeça encostou para o fundo da baliza, sem oferecer qualquer hipótese de defesa ao iraniano Abedzadeh.

Apesar da desvantagem, o Marítimo não conseguiu respirar com bola, ao passo que a pressão do Rio Ave FC simultaneamente intensificou-se, não concedendo grande espaço de manobra para que Irmer ou Bambock cogitassem muito o jogo. Não obstante a primeira meia hora forte do Rio Ave FC, o CS Marítimo subiu, de forma afirmativa, as suas linhas e quer através de combinações entre os dois avançados, quer através da incursão dos extremos, conseguiu colocar em sentido a dupla de centrais experientes do Rio Ave FC. A primeira parte permaneceu inalterada e o 1-0 subsistiu até a ida aos balneários.

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O intervalo, em nada arrefeceu as ideias de ambos os lados, e o Marítimo aproveitou uma transição ofensiva para igualar a partida. O golo teve assinatura de Joel Tagueu, contudo foi Rodrigo Pinho o arquiteto da jogada. O brasileiro sentou Aderlan Santos e o ponta de lança camaronês aproveitou as sobras de Kieszek para colocar o jogo na estaca zero.

A partida manteve-se imprevísivel e o desenrolar do jogo não parece ter colocado Mário Silva em sentinela, que não conseguiu manter a equipa estável emocionalmente. Em oposição, Milton Mendes conseguiu executar na perfeição o que pretendia, ao passo que o meio campo maritimista estava a controlar todos os momentos do jogo, com e sem bola. Ora, em paradoxo, com o foco do meio campo madeirense, o do Rio Ave FC sofria com as desatenções individuais e não tardou até que Tagueu efetuasse a «cambalhota» no marcador. No minuto 63, Wink cavalgou à vontade, no setor intermediário vilacondense e assistiu para o «bis» de Tagueu.

A resposta da equipa da casa parecia querer aparecer, contudo, a vida complicou-se ainda mais para Mário Silva. Ora, no minuto 75, Kieszek decidiu oferecer um cabaz de natal atrasado a Marcelo Hermes, que aproveitou para incrementar a vantagem maritimista para 1-3.

Por fim, os últimos 15 minutos ditaram uma procura desesperante do Rio Ave FC pelo golo, não obstante não passou disso, desespero sem grande discernimento. Nem a entrada oportunista de Francisco Geraldes evitou a quarta derrota vilacondense no campeonato. Do outro lado, o CS Marítimo sobe ao oitavo lugar, arrecadando 13 pontos na tabela classificativa.

 

A FIGURA


Milton Mendes- É verdade que a primeira parte foi cinzenta naquilo que foi a finalização, contudo, o treinador brasileiro manteve-se fiel aos seus príncipios de jogo e transformou por completo a partida na segunda parte. Corrigiu as zonas de pressão e impulsionou a equipa para um resultado, que ao intervalo, parecia inverossímil de se concretizar.

 

O FORA DE JOGO


Kieszek- Um pouco inglório definir Kieszek como o pior em campo, contudo a sua incompetência no terceiro golo e a incapacidade de manter a baliza inviolável foi por demais saliente. De destacar ainda Mário Silva que não conseguiu despertar a equipa, tendo sido igualmente um dos principais homens desta derrota do Rio Ave FC, no jogo de hoje.

 

ANÁLISE TÁTICA- RIO AVE FC

A equipa orientada por Mário Silva alinhou num 4-4-2, definindo Dala e André Pereira como os homens de referência na frente de ataque. Priveligiando uma saída curta na primeira fase de construção, os homens do Rio Ave FC facilmente ligavam o meio campo ao ataque, com especial destaque para a deambulação na zona central do meio campo por parte de Diego Lopes, que provocou alguma inquietação no trio defensivo da formação madeirense.

Defensivamente, os “pupilos” de Mário Silva defendiam em 4-3-3, descaindo Mané para junto de Tarantini e Pelé, assegurando em André Pereira, Dala e Diego Lopes a primeira fase de pressão no trio de centrais.

A má segunda parte, seguida de elevada indefinição nos momentos de pressão aos homens do meio campo e a inacapacidade de segurar a transição ofensiva do CS Marítimo ditou a quarta derrota no campeonato para o Rio Ave FC.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (3)

Ivo Pinto (5)

Borevkovic (6)

Aderlan Santos (6)

Pedro Amaral (7)

Pelé (6)

Tarantini (6)

Diego Lopes (7)

Carlos Mané (6)

André Pereira (4)

Gelson Dala (5)

SUBS UTILIZADOS

Meshino (-)

Jambor (5)

Francisco Geraldes (6)

Gabrielzinho (6)

Bruno Moreira (5)

 

ANÁLISE TÁTICA- CS MARÍTIMO

A equipa comandada por Milton Mendes alinhou num 3-5-2, que várias vezes se mutava para um 3-4-3, alternando a saída na primeira fase de construção, entre uma ligação simples entre os dois médios mais recuados e um jogo mais direto para Tagueu/Rodrigo Pinho, de forma a desiquilibrar a dupla de centrais vilacondenses, visto que estes, eram consequentemente arrastados pelas movimentações dos avançados. A segunda parte, por fim, ditou um controlo imperativo dos insulares sobre os vilacondendeses. De sublinhar a capacidade de execução dos homens da frente e da boa orientação dos médios, definindo com excelência as zonas de pressão, com mérito claro para Milton Mendes que corrigiu estes detalhes ao intervalo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Abedzadeh (6)

Zainadine (6)

René Santos (6)

Leo Andrade (6)

Marcelo Hermes (7)

Jean Irmer (6)

Bambock (7)

Guitane (6)

Cláudio Winck (6)

Joel Tagueu (9)

Rodrigo Pinho (7)

SUBS UTILIZADOS

Milson (-)

China (-)

Edgar Costa (6)

Áfrico (6)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

Bola na Rede (BnR): Boa noite mister, a equipa entra forte e consegue marcar novamente no campeonato, contudo na segunda parte, a equipa parece desligar-se e o meio campo parece se desencontrar. Como justifica os 3 golos sofridos?

Mário Silva: Fomos nós os primeiros a inaugurar o marcador e tivemos oportunidades em que podíamos ter uma maior superioridade. Na segunda parte, não entramos tão bem e sofremos o golo do empate, procedido de falta. São pormenores que fazem a diferença. A partir daí a equipa acusou bastante e a fomos abaixo. Infelizmente a equipa não se encontrou.

 

CS Marítimo

Bola na Rede (BnR): Boa noite mister, gostaria de lhe perguntar qual foi a mensagem transmitida à equipa ao intervalo e o que impulsionou uma segunda parte tão demolidora ofensivamente?

Milton Mendes: No segundo tempo acabamos por transformar o bom futebol que fizemos no primeiro em golos. Importante dizer que não se consegue nada sem a entrega total e absoluta dos jogadores. Os jogadores foram os obreiros, os treinadores são somente facilitadores. Fizemos alguns ajustes ao intervalo, que no segundo tempo fez com que a equipa entrasse muito mais determinada a saber aquilo que poderia ser feito e fez.

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O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu e de se apaixonar pelo basquetebol, assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fizeram o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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