Último jogo caseiro da temporada para um SC Braga de gala que tem aproveitado a época para bater recordes e continua a morder os calcanhares a Sporting e Benfica na luta pelo podium. Pela frente, um conjunto axadrezado com intenções de se manter na metade superior da tabela. Um confronto com o interesse adicional de ver o técnico boavisteiro, Jorge Simão, voltar a uma casa onde não conseguiu ser feliz na época passada.

O Boavista entrou mais ofensivo e monopolizou os primeiros dez minutos, mas Matheus resolveu com tranquilidade sempre que a bola se chegou à sua área. Do outro lado, foi o Braga quem criou a primeira situação de real perigo, quando aos 11 minutos Ricardo Esgaio rasgou a defesa boavisteira e ofereceu o golo a Dyego Sousa, que levantou em temasia a bola.

A resposta visitante chegaria aos 18 minutos por Yusupha, que atirou ao poste após boa jogada individual. Na jogada seguinte, nova incursão do gambiano pela direita, acabando no chão a reclamar pénalti, com o árbitro a mandar seguir apesar dos muitos protestos.

O jogo entrava num momento de total parada e resposta e foram os guardiões a brilhar. Primeiro Vagner a desviar remate cruzado de Esgaio, depois Matheus com uma bela mancha perante um Yusupha que aparecia novamente isolado. Seria ainda novamente o Boavista a causar perigo quando Rossi cabeceou para fora após bola parada, mas, a partir daí, a partida acalmaria e nem um disparate de Vukcevic ao oferecer a bola a um adversário a meio do campo deu problemas de maior.

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Quando parecia que a ação do último quarto de hora da primeira parte se ia consignar a um remate de Goiano à figura de Vágner, Yusupha, mesmo em cima dos 45 minutos, surgiu sozinho na cara de Matheus e não perdoou, com o brasileiro a não poder fazer mais. O senhor do apito ainda consultou o VAR por possível fora de jogo, mas o golo foi mesmo validado e o Boavista foi para intervalo na frente.

Braga entrou pior e foi para o descanso a perder
Fonte: SC Braga

A segunda metade começou, como seria de esperar, com o Braga a reentrar mais pressionante e decidido, visando a baliza adversária. No entanto, faltava calma e discernimento para chegar ao golo e era até o Boavista que ameaçava mais quando se lançava no contra-ataque. 

Talvez por isso, Abel Ferreira decidiu mexer mais cedo que o habitual e lançar Fábio Martins para o lugar de Ricardo Horta e juntar-lhe pouco depois Xadas e Danilo nos lugares de Goiano e André Horta, tentando dar uma nova dinâmica à equipa. A verdade é que o jogo mudaria de figura também nessa altura com a expulsão de Yusupha numa jogada confusa.

Os da casa responderam bem a todas estas alterações de circunstâncias e, aos 72 minutos, Dyego Sousa só teve de encostar na pequena área a passe de Jefferson para colocar o desafio de novo igualado. Os ânimos continuaram cada vez mais exaltados e, pouco depois, foi um dos elementos da equipa técnica boavisteira a ser mandado mais cedo para o balneário.

O maior drama estaria reservado para o primeiro dos muitos minutos de compensação, com Paulinho a cair na área e, após longa espera e consulta do VAR, a ser concedida a grande penalidade aos da casa. De nada valeria, porque Dyego Sousa atiraria à barra para desespero dos quase 12 mil nas bancadas.

E, assim, com muita polémica, mas bom jogo jogado, o Braga volta a perder pontos na Pedreira para a Liga, estando o Boavista apenas na companhia de FC Porto e SL Benfica neste feito em 2017/2018. Com um resultado que praticamente dita o adeus ao podium, a menção final vai para Wilson Eduardo, um daqueles jogadores que a presença até pode passar mais despercebida, mas de quem se senta grande falta na ausência.

SC Braga: Matheus; Goiano (Xadas 67’), Raúl Silva, Bruno Viana, Jefferson; Esgaio, Vukcevic, André Horta (Danilo 67’), Ricardo Horta (Fábio Martins 62’); Dyego Sousa, Paulinho.

Boavista FC: Vagner; Talocha, Rossi, Robson, Carraça; Idris, Fábio Espinho (Kuca 77’), Renato Santos (Henrique 90+5’), David Simão, Yusupha; Rochinha (Mateus 82’).