A CRÓNICA: ÁGUA GELADA NO ALGARVE, UMA NOVIDADE

O SC Braga regressou às vitórias no momento mais a sul do tempo de jogo, no estádio mais a sul do campeonato português (em Portugal Continental). O SC Farense, por seu turno, viu um ponto fugir de forma inglória, após um jogo de grande qualidade.

Início de partida de qualidade inegável, com a equipa da casa a superiorizar-se e a criar perigo por Pedro Henrique e Ryan Gauld, nos primeiros 15 minutos, momento que marca o equilibrar do encontro pelos arsenalistas. E são mesmo os de Braga a adiantarem-se no marcador.

João Novais bateu o canto pela direita do seu ataque e a bola viajou num voo sem turbulência até à cabeça de Al Musrati, onde “fez escala” a caminho da baliza à guarda de Beto. Canto cá, canto lá. Cinco minutos volvidos e restabelecimento do empate, com Ryan Gauld a colocar a bola na cabeça de Pedro Henrique, também na sequência de um canto pela direita. O intervalo chegou sem se dar por ele para recolher a igualdade no marcador, enquanto os intervenientes recolheram aos balneários.

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Segunda parte de bom futebol, à semelhança da primeira, mas com menos oportunidades claras de golo. A primeira verdadeiramente digna de registo surgiu aos 79 minutos, por intermédio de Pedro Henrique, que, de cabeça, colocou à prova Matheus. O guardião brasileiro passou com distinção.

Reta final com dois momentos vitais para a resolução da partida. No primeiro desses momentos, Lucca e Pedro Henrique, de novo na sequência de um canto pela direita batido por Gauld, viram Matheus, por duas vezes, evitar o golo da vantagem algarvia.

No segundo momento, já em período de descontos, o SC Braga alcançou a vantagem que havia escapado aos algarvios minutos antes. Bom trabalho de Galeno, que apareceu tarde mas a boas horas para cruzar para um primeiro remate ao poste, que foi completado pelo cabeceamento vitorioso de Sporar.

Vitória justa da equipa que fez mais golos, mas desajustada em relação ao que se passou em campo. Não mereciam o banho de água gelada os jogadores algarvios.

 

A FIGURA

Ryan Gauld – Apesar de mais uma aparição de “São Matheus”, o prémio vai para o suspeito do costume. O médio escocês continua a mostrar qualidade, criatividade e trabalho incansável, um tridente de características que fazem dele o melhor jogador da turma farense e o melhor em campo neste 5 de abril de 2021.

 

O FORA DE JOGO

Galeno – Apesar da contribuição fulcral para o golo da vitória, esperava-se mais e o SC Braga precisava de mais do criativo brasileiro. Jogo apagado do ala esquerdo dos arsenalistas, que, ainda assim, conseguiu ajudar a equipa. Se for sempre assim, não vem mal nenhum ao Mundo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE

No momento defensivo, os algarvios apostaram num 4-5-1 que, por vezes, se convertia num 4-4-2, com um dos médios – o mais próximo da zona da bola – a auxiliar Pedro Henrique – regra geral – ou Bilel na pressão, este último quando o primeiro descaía para a direita.

Sobretudo no segundo tempo, os pupilos de Jorge Costa apresentaram um bloco mais baixo e mais condensado na hora de defender, evitando – pelo menos na forma tentada – que os criativos do SC Braga (Piazón, Ricardo Horta, João Novais, Galeno) encontrassem espaço entre linhas para trabalhar a construção bracarense nos últimos dois terços.

Nos seus ataques, a turma de Faro apostava muito num jogo vertical assente em bolas aérea em busca de Pedro Henrique. Quando o “96” dos alvinegros conseguia segurar a bola, esperava o apoio frontal de um dos médios – que, por norma, era Gauld. A manutenção da bola permitia igualmente a subida do lateral mais próximo da zona da bola.

Quando no último terço, os ataques desenvolvidos pelos farenses eram fugazes e pragmáticos, com os de Faro a procurarem o jogo aéreo ou uma finalização lesta, mesmo que com alguma distância a separar o esférico da linha de baliza e mesmo que o ângulo de remate não fosse o mais propício à concretização eficaz do lance.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Beto (6)

Tomás Tavares (6)

César Martins (6)

Eduardo Mancha (6)

Abner (5)

Amine (6)

Fabrício Isidoro (4)

Lucca (6)

Ryan Gauld (8)

Bilel (5)

Pedro Henrique (7)

SUBS UTILIZADOS

Madi Queta (6)

Mansilla (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

A turma de Carvalhal voltou a mostrar-se camaleónica, dando por corroborada a ideia cada vez mais badalada de que “não interessam os sistemas, interessam as dinâmicas”. Pois bem, no momento de ataque posicional, os arsenalistas mostraram várias disposições e movimentações, com particular incidência para duas.

Uma delas assentava na utilização de três defesas – os centrais de raíz e Borja – na primeira fase de construção, com Galeno e Esgaio a darem total largura, na esquerda e na direita, respetivamente. Esgaio era, nestes casos, muito procurado em profundidade, enquanto Galeno investia a maioria do seu tempo em movimentos interiores, movimento natural de um destro a jogar pela esquerda.

Na segunda opção mais utilizada pelos homens de Carvalhal, Borja era recolocado no seu lugar de origem – a lateral esquerda – e a construção fazia-se pelos centrais com o apoio de Al Musrati. O médio líbio, diga-se, também na outra forma de construir era o elemento de ligação.

No entanto, a segunda forma de estar em ataque posicional dos bracarenses forçava Musrati a maiores trabalhos, uma vez que a utilização de dois centrais visava precisamente um maior jogo interior do meio campo para a frente, com Galeno a posicionar-se por dentro por mais tempo, visto a ala esquerda estar entregue a Borja, qua abandonava a posição de central.

No momento de defender, o SC Braga exibia-se, geralmente, num 4-4-2, visando não deixar construir ou respirar a equipa adversária, com uma pressão grande logo sobre os primeiros pilares de construção.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (8)

Ricardo Esgaio (6)

Tormena (6)

Raúl Silva (6)

Cristián Borja (6)

Galeno (4)

Al Musrati (7)

Lucas Piazón (6)

João Novais (7)

Ricardo Horta (6)

Abel Ruiz (5)

SUBS UTILIZADOS

Nico Gaitán (5)

Sporar (5)

André Horta (5)

Rolando (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SC Farense

BnR: O SC Farense, ofensiva e defensivamente, parece ter cumprido o seu plano durante todo o jogo, mas tudo caiu por terra nos momentos finais. Para sair daqui com pontos, faltou ao SC Farense mais eficácia ofensiva ou mais eficiência defensiva?

Jorge Costa: Acima de tudo, faltou eficácia. Jogámos contra um dos grandes, uma das melhores equipas do nosso campeonato. Foi mais demérito nosso do que mérito do Braga. Controlámos sempre o jogo com e sem bola. Conseguimos ter bola, conseguimos sair em transições rápidas, ter oportunidades claríssimas de golo. Mas, em alta competição, quando não marcas nas oportunidades… Não levarmos pontos hoje tem a ver com isso, faltou eficácia.

 

SC Braga

BnR: O SC Braga teve alguma dificuldade em encontrar a profundidade do Esgaio e o jogo interior, à medida que o bloco do SC Farense se foi condensando. Houve mais mérito da equipa adversária ou faltou algo ao SC Braga para ser a equipa dinâmica que conhecemos?

Carlos Carvalhal: Houve mérito do SC Farense e demérito nosso. O jogo interior existiu, mas não conseguimos encontrar o espaço que queríamos na área do SC Farense. Não eramos lestos a procurar o André Horta nem o Nico Tinhamos que buscar outras soluções. Perdemos capacidade de jogar entre linhas e, nas transições, o SC Farense criou-nos perigo.