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No dérbi eterno da capital portuguesa, o Sporting CP recebeu e empatou com o SL Benfica por 0-0. Para além de tudo o que o dérbi eterno envolve historicamente, este tinha um simbolismo e responsabilidade acrescidos: quem vencesse ficava com o segundo lugar e com os milhões da Champions.

Posto isso, não foi surpreendente que Jorge Jesus tenha feito regressar alguns habituais titulares que estavam lesionados. Já Rui Vitória não teve a mesma sorte e viu-se obrigado a atacar o jogo sem Jonas – no banco – e André Almeida – não convocado por problemas físicos.

O sol ainda brilhava quando os adeptos começaram a encher Alvalade. O ambiente era de festa e fazia prever algo que foi confirmado: era a melhor atmosfera na casa do “Leão” nesta já longa época. Contudo, bastou a partida começar para a festa ser interrompida. Nem um minuto de jogo havia decorrido e já o jogo estava parado: uma enchente de very-lights na área de Rui Patrício como poucas vezes se vê em Portugal.

Após a limpeza, que parecia longa, tivemos então futebol. E não demorou muito! Estavam ainda os adeptos a recuperar do som dos petardos e já Rafa Silva fugia da defesa leonina para atirar ao poste ao sexto minuto. Agoniante a lenta corrida da bola rumo ao poste da baliza de “São Patrício”, que ainda a defendeu. Um bom início de jogo para o Benfica e para o capitão leonino, naquele que poderá ser o seu último jogo de leão ao peito.

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Uma primeira parte muito repartida, muito jogada a meio-campo, com as “águias” a parecerem mais concentradas, mas a não conseguirem materializar a atitude em oportunides. As equipas conseguiam chegar perto das áreas adversárias, mas o último passe nunca era o melhor. Tanto que a segunda grande oportunide de golo só surgiu à passagem da meia-hora, com Fábio Coentrão a atirar à figura de Varela. Antes já William Carvalho tinha atirado à barra da baliza encarnada, mas em fora-de-jogo.

Ao minuto 36 nova oportunidade de golo, agora na baliza oposta: um ressalto deixou a bola à mercê de Douglas, sem oposição e em zona frontal, e o lateral direito do Benfica atirou forte. O suspense e o remate acabaram por ser cortados e iam surpreendendo Rui Patrício, mas a bola acabou por ir por cima da baliza.

Respirou fundo o leão, mas por pouco tempo: Rafa Silva prolongava o duelo com Patrício e mais uma vez o guardião levava a melhor. E que melhor! Foi logo de seguida, ao minuto 38, que o extremo português consegue, à semelhança de Douglas, arranjou espaço e atirou para uma defesa inacreditável de Rui Patrício.

Estava melhor o Benfica. Pelo menos mais perspicaz: enquanto que os da casa preferiam sair em bola controlada e chegar o mais perto possível da baliza de Varela, os encarnados eram mais incisivos. Espaço houvesse à entrada da área e não havia tempo para criar jogo, apenas para rematar.

Contudo, apesar da superioridade benfiquista, o Sporting respondeu de imediato, com Fábio Coentrão, novamente, no mais perigoso lance dos “leões”: cabeceamento ao lado da baliza de Varela. Equilibrou o Sporting? De maneira nenhuma. Primeiro Samaris, depois Pizzi, por fim Jiménez. Todas as bolas defendidas por “São Patrício” – a primeira com os olhos. O remate de Pizzi, esse, foi parado em mais outra defesa incrível do guarda-redes português!

O intervalo chegou e o último lance foi o espelho do primeiro tempo: Bas Dost tira dois jogadores do caminho com uma finta sensacional. Ficou sozinho com o Varela. Um na cara do outro. O resultado? Passe para o lado e assobiadela monumental. Incrível a metodologia complicada do Sporting na primeira parte. O Benfica foi o oposto: prático, incisivo e descomplicado. Foi isso que, de resto, tornou os encarnados melhores nos primeiros 45 minutos de jogo. Ao Sporting falhou concentração – tantos passes falhados no meio-campo e defesa – e simplicidade. Ao Benfica, o de sempre: eficácia.

O Benfica passou mais tempo na área leonina dos que os “leões” na área encarnada – valeu Patrício

Fonte: Bola na Rede

Para a segunda parte, os dois treinadores optaram por manter examente os mesmos jogadores que tinham jogado nos primeiros 45 minutos, deixando assim as substituições para uma fase mais adiantada do encontro.

Como se verificou no primeiro tempo, a partida teve um início a meio-gás: desta vez, o problema esteve com uma das câmaras, mas felizmente não durou muito tempo e a bola voltou a rolar em Alvalade.

Os primeiros 15 minutos da etapa complementar mostraram um filme diferente: o Sporting com mais iniciativa de jogo, perante um Benfica mais comedido no seu meio-campo, embora a tapar bem os espaços aos jogadores leoninos.

Mesmo a mostrar uma melhor imagem, Jorge Jesus continuava insatisfeito com a prestação da sua equipa, e decidiu lançar Acuña no jogo, tirando William e Bryan Ruiz passou a jogar no meio. Rui Vitória respondeu de imediato, e colocou Salvio no lugar de Pizzi.

Apesar do espetacular ambiente vivenciado nas bancadas, as equipas iam-se anulando bem, daí que os remates tenham sido poucos: o primeiro surgiu apenas ao minuto 69, para o Benfica, após uma boa jogada coletiva, Raúl Jiménez chegou um nada atrasado à bola, e o seu remate saiu bastante desviado da baliza.

Estavámos perto dos dez minutos finais da partida e iriam ser intensos até ao apito final do árbitro: o treinador do Benfica percebeu isso, e quis passar uma mensagem de querer ganhar o jogo – Jonas entrou para o lugar de Zivkovic. Outra vez, houve uma resposta do opositor: Misic substituiu Bryan Ruiz.

As últimas mudanças nos dois lados foram forçadas: tanto Rafa Silva e Fábio Coentrão saíram, e foram rendidos por Cervi e Lumor, respetivamente.

Já em tempo de compensação, os dois conjuntos tentaram o tudo por tudo do golo que desse a vitória, e que impedisse o Porto de poder celebrar a conquista do campeonato no sofá, embora faltou engenho e discernimento aos jogadores do Sporting e do Benfica, daí que o marcador não tenha sofrido qualquer mudança até ao último apito de Carlos Xistra.

0-0 foi o resultado final no dérbi de Lisboa, e assim a decisão da Liga dos Campeões fica adiada para a última jornada, embora o Sporting tenha vantagem no confronto direto. Com este resultado, o Porto é o novo campeão português.

Como jogou o Sporting CP: Rui Patrício, Fábio Coentrão (Lumor), Coates, Mathieu, Piccini, William (Acuña), Battaglia, Bryan Ruiz (Misic), Gelson Martins, Bruno Fernandes e Bas Dost.

Como jogou o SL Benfica: Bruno Varela, Douglas, Jardel, Rúben Dias, Grimaldo, Fejsa, Samaris, Zivkovic (Jonas), Pizzi (Salvio), Rafa (Cervi) e Raúl Jiménez.

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