A CRÓNICA: UM JOGO PAUPÉRRIMO E MONÓTONO

Empate a nulo em Alvalade numa tarde calorenta que contrastou com o futebol gélido praticado no relvado.

A turma de Rúben Amorim partia para esta recepção a um Vitória FC em apuros na luta pela manutenção, sabendo que uma vitória garantia o terceiro lugar no pódio do campeonato e o passaporte para a fase de grupos da Liga Europa.

O jogo foi claramente de sentido único para o Sporting CP. Contam-se pelos dedos as vezes em que Vitória FC teve posse de bola, o que dificultou e muito a tarefa à jovem equipa que o Sporting CP colocou em campo. E apesar do autêntico “massacre” inflingido pelo Sporting CP, o certo é que os leões tiveram escassas oportunidades para fazer golo. Enfim, foi um jogo sem qualquer “história” que teve tanto de espectáculo como de tempo útil de jogo.

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Notou-se claramente que a equipa setubalense tinha vindo para o “pontinho”, sem qualquer intenção de jogar futebol. E encontrou uma jovem equipa do Sporting CP, impaciente, sem ideias e com alguma falta de sagacidade, o parceiro ideal para a sua ladainha.

O jovem Tiago Tomás foi a grande novidade do onze do Sporting CP num jogo em que teve de medir forças com uma defesa sadina experiente e matreira focada em obter o empate. A turma de Alvalade soma, portanto, o segundo jogo sem ganhar e adia para a última jornada a decisão sobre o terceiro lugar da tabela classificativa.

Já o Vitória FC deve considerar-se orgulhoso pelo papel que veio desempenhar a Alvalade: o empate deixa a formação setubalense a depender apenas de si própria para alcançar a manutenção.

O jogo foi tão paupérrimo que o próprio árbitro, Nuno Almeida, teve imensa pressa em fazer soar o apito final: deu apenas quatro minutos de tempo de compensação num jogo que deve ter tido uns vinte de tempo útil.

Merece apenas realce o marco individual alcançado por Sebastián Coates: o jogo 200 de Leão ao peito.

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/BnR

Sebastián Coates – Num jogo paupérrimo como o que acabámos de assistir é difícil de escolher “A Figura”. Ainda assim e face à pouca inspiração colectiva do Sporting CP, Coates foi dos poucos inconformados com o resultado, procurou puxar pelo colectivo e manteve-se imperial nas poucas incursões do Vitória FC ao meio campo do Sporting CP. O capitão leonino merecia outro resultado no seu jogo 200 de Leão ao peito.

O FORA DE JOGO
vitória
Fonte: Carlos Silva/BnR

O jogo – Este duelo entre leões e sadinos foi provavelmente um dos piores jogos do campeonato. Um espectáculo triste em que apenas uma equipa jogou futebol enquanto a outra absteve-se de o fazer com recurso a um anti-jogo.

ANÁLISE TÁCTICA – SPORTING CP

O Sporting CP apresentou-se uma vez mais com o 3x4x3 que caracteriza Rúben Amorim. Francisco Geraldes, no meio campo, e Tiago Tomás na frente ofensiva foram as duas grandes novidades do onze leonino. Os leões tiveram posse de bola mais do que suficiente para vencer a partida. No entanto, e sobretudo durante os primeiros 45 minutos foram óbvias as dificuldades em criar ocasiões de perigo junto da baliza defendida por Makaridze. Os leões, em particular Acuña, procuraram insistentemente a profundidade de Tiago Tomás, apesar de o jovem avançado ter sido dos mais consistentes a procurar rasgos ou brechas na defesa contrária. Nas alas, o Sporting CP também não conseguiu causar desequilíbrios já que Plata e Nuno Mendes pouco se viram, e Ristovski, uma vez mais, mostrou não estar entrosado no novo esquema de Rúben Amorim. Acuña que assumira a marcação das “bolas paradas” mostrou-se também muito pouco inspirado.

No “miolo”, Matheus Nunes voltou a destacar-se na circulação de bola, enquanto que Francisco Geraldes jogou bem “entrelinhas” procurando fazer passes de ruptura. Todavia, ambos foram caindo de rendimento ao longo do tempo de jogo.

Rúben Amorim fez regressar, na segunda parte, Luciano Vietto para o lugar de Ristovski para dar mais criatividade ao ataque perante um Vitória FC cada vez mais enraizado no último terço do campo. O técnico leonino experimentou ainda um dueto entre Pedro Mendes e Tiago Tomás, mas sem sucesso, pois o Sporting CP continuou a não conseguir abrir a defesa do Vitória FC. Joelson que também havia entrando na segunda parte não conseguiu desequilibrar. A ilação a tirar é a de que o ataque leonino é curto e muito provalmente o Sporting CP terá de recorrer ao mercado para colmatar lacunas.

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano 6

Ristovski 3

Eduardo Quaresma 6

Coates 6

Plata 5

Acuña 5

Chico Geraldes 5

Wendel 5

Matheus Nunes 5

Nuno Mendes 3

Tiago Tomás 5

SUBS UTILIZADOS

Joelson 4

Pedro Mendes 3

Luciano Vietto 5

ANÁLISE TÁCTICA – VITÓRIA FC

O objectivo do Vitória FC para este jogo era bem claro: sair de Alvalade com um ponto. E o Sporting CP já sabia isso. Os sadinos adoptar um sistema de 5x4x1 assente num bloco defensivo muito baixo e desde muito cedo no jogo ficou encostada ao seu meio-campo a assistir os jogadores leoninos a trocar passes entre si. Não há muito para dizer sobre a fórmula ultra-defensiva de Lito Vidigal, aliada à boa exibição do guarda-redes Makaridze, para encarar o Sporting CP. O Vitória FC absteve-se de jogar e recorreu em excesso ao anti-jogo para garantir a sua continuidade na Primeira Liga. Pode dizer-se que foi eficaz.

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Makaridze 7

Artur Jorge 6

João Meira 5

Sílvio 5

Jubal 5

Semedo 5

Carlinhos 6

Éber Bessa 5

Leandrinho 4

Zequinha 3

Mansilla 3

SUBS UTILIZADOS

Nuno Valente –

Hachadi –

Hildeberto Pereira 4