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24 de Janeiro, 2022

Estrela x Farense

CF Estrela da Amadora 3-1 SC Farense: “Remontada” à Moda da Amadora

A CRÓNICA: APÓS ENORME ESPERA, O ESTRELA CONSEGUIU COLOCAR MUITA BOLA NA REDE

Numa reedição da final da Taça de Portugal de 1990, CF Estrela da Amadora e SC Farense encontraram-se na terceira jornada da II Liga, com ambas as equipas à procura da primeira vitória na competição.

Essa vontade de vencer foi notável desde o primeiro minuto, já que as duas equipas tentavam (e conseguiam) chegar com perigo às áreas adversárias. No entanto, a equipa de Faro tinha mais critério quando possuía a bola e começou a assustar a baliza defendida por Vítor São Bento. O CF Estrela da Amadora sentiu o ascendente da equipa visitante e começou a falhar muitos passes a meio-campo.

Aos 17 minutos, o SC Farense chegou ao golo: enquanto Abner arrancava pela esquerda, quatro jogadores do SC Farense acercavam-se da área adversária; após um cruzamento e um remate desviado, o esférico sobrou para Pedro Henrique que, desmarcado, atirou a contar.

O SC Farense estava mais confortável no jogo, mas, ao minuto 21, tudo mudou: Bura fez uma entrada impetuosa e recebeu ordem de expulsão. O SC Farense perdia assim o seu jogador mais influente na partida, até àquele momento.

A partir desse minuto, o CF Estrela da Amadora apontou todas as suas armas à baliza algarvia, com Miguel Rosa a destacar-se devido ao seu esforço e intervenções positivas. Ainda assim, a vantagem do SC Farense manteve-se até ao intervalo.

Na retoma da partida, a equipa da casa quis manter o pé no acelerador, mas até foi o SC Farense que esteve mais perto do golo por mais do que uma vez, sempre através de Pedro Henrique, Mayambela e Fabrício Isidoro. Vítor São Bento, com duas boas defesas, manteve o CF Estrela da Amarora no jogo.

Aos 62 minutos, ocorreu nova expulsão de um jogador visitante: Paulinho ia-se isolar perante Defendi, mas foi travado por Cláudio Falcão, que recebeu o vermelho direto.

Pouco depois, Rui Santos fez entrar Tipote para o lugar de Matheus Dantas, colocando assim toda a carne no assador.

A espaços, mesmo com nove jogadores, o SC Farense estava confortável na partida, mas a resitência não durou para sempre. Em quatro minutos, o CF Estrela da Amadora deu a volta à partida, através de excelentes remates de Tipote e Diogo Pinto, levando o Estádio José Gomes à loucura. Na sequência do segundo golo, Alex Pinto foi expulso, deixando assim reduzida a equipa do SC Farense a oito jogadores.

O CF Estrela da Amadora não podia estar mais confortável na partida e, aproveitando a larga vantagem numérica, chegou ao terceiro golo, novamente através de Diogo Pinto, que finalizou uma jogada de belo efeito.

 

A FIGURA

Diogo Pinto – Discreto na primeira parte, herói na segunda. Depois de 80 minutos a perder, o CF Estrela da Amadora conquistou a primeira vitória do campeonato com três golos na ponta final do jogo. E dois deles saídos dos pés de Diogo Pinto. Este foi o seu momento e a “estrela” Diogo Pinto brilhou no Estádio do José Gomes, colocando o público ao rubro.

O FORA DE JOGO
Fonte: Zito Delgado / Bola na Rede

Lubega – Entrou em campo como ponta de lança, junto de Xavi, mas foi dos jogadores menos influentes e interventivos do CF Estrela da Amadora. Pouco contribuiu no processo ofensivo, o que naturalmente lhe valeu a substituição prematura, aos 58 minutos.

 

ANÁLISE TÁTICA – CF ESTRELA DA AMADORA

Na terceira jornada do campeonato, o CF Estrela da Amadora, de Rui Santos, apostou num clássico 4-4-2, com foco na primeira vitória da época, mas a sua entrada no jogo não foi a melhor. Pouca fluidez, dificuldades na construção de jogo e na ligação entre setores. Todavia, ainda deu sinais de crescimento e de melhoria no primeiro tempo, com uma construção de jogo paciente e pouco arriscada.

Na generalidade da segunda parte, mesmo com vantagem numérica, a equipa da casa não impôs o seu verdadeiro futebol. Contudo, o minuto 81 chegou e o desenlace do jogo seria completamente diferente do que se adivinhava. Depois de uma série de remates perigosos, entrou o primeiro golo da equipa tricolor e, quatro minutos depois, deu-se a “remontada” icónica à moda da Amadora.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vítor São Bento (7)

Edu Duarte (6)

Matheus Dantas (6)

Mamadou Traoré (6)

Sérgio Conceição (7)

Diogo Pinto (9)

Aloísio (6)

Chapi (7)

Miguel Rosa (7)

Lubega (5)

Xavi (6)

SUBS UTILIZADOS

Tipote (8)

Fabrício (6)

Mamandu Cande (7)

Horácio Jau (6)

Paulinho (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE

Diretamente de Faro, a turma do experiente Jorge Costa organizou-se num 4-3-3 invulgar. Até ao minuto 21, verificava-se um autêntico “triângulo” no meio campo algarvio: Bura mais recuado, com Amine e Fabrício Isidoro à sua frente. No entanto, o médio defensivo Bura foi expulso e as alterações táticas foram inevitáveis: 4-4-1 a defender (com Amine e Fabrício Isidoro a cobrirem a posição de Bura) e uma espécie de 4-2-3 a atacar. Não esquecer a importância dos laterais que, projetados nas alas, são muito interventivos no ataque do SC Farense.

Dada a inferioridade numérica e a vantagem mínima no marcador, a equipa do SC Farense foi à luta com uma linha de cinco defesas na esperança de defender o resultado. Não ia ser nada fácil, pois o SC Farense acabaria por ficar reduzido a nove jogadores, depois de Cláudio Falcão ver a “cartolina” vermelha. Neste momento, é “estacionar o autocarro” e rezar.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Defendi (6)

Abner (7)

Mancha (6)

Gut (6)

Alex Pinto (6)

Bura (5)

Amine (7)

Fabrício Isidoro (8)

Elves Baldé (6)

Pedro Henrique (8)

Paollo (7)

SUBS UTILIZADOS

Cláudio Falcão (5)

Mayambela (7)

Vasco Lopes (6)

Henrique (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CF Estrela da Amadora

BnR: Boa tarde, míster. Durante o jogo, foi necessário fazer algumas alterações na equipa até o CF Estrela da Amadora entrar no caminho certo, dar a reviravolta e marcar os três golos. Que conclusões é que tira da equipa para o futuro, e o que pensa trabalhar e aprimorar para os próximos jogos?

Rui Santos: “O que eu penso e o que eu espero, e tenho a convicção, é que esta equipa vai crescer muito com a competição. Tem-se notado de jogo para jogo, os jogadores começam a adaptar-se cada vez melhor a esta II Liga, às situações. Nesta II Liga, para quem sai a perder é muito difícil dar a volta ao jogo. A nós infelizmente tem acontecido algumas vezes e eu penso que esta equipa tem tudo para crescer. Alguns dos nossos jogadores chegaram mais tarde, outros não estão na sua melhor forma, mas eu acho que esta equipa, daqui a um ou dois meses, será uma equipa muito mais competente e tenho a certeza de que estes jogadores vão crescer com a competição”.

SC Farense

O treinador do SC Farense, Jorge Costa, não compareceu na conferência de imprensa.

Rescaldo de opinião de Afonso Santos e Diogo Reis

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos